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Seguir-te-ei, mas…: Quem ousa a grande viagem não cultiva hesitações e incertezas nem fica preso ao passado

Imagem "O Evangelho segundo Mateus" (fotograma) | Pier Paolo Pasolini, dir. | D.R.

Seguir-te-ei, mas…: Quem ousa a grande viagem não cultiva hesitações e incertezas nem fica preso ao passado

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos iam a caminho de Jerusalém, quando alguém lhe disse: «Seguir-te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família». Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus». (Lucas 9, 57-62)

Jesus toma a decisão de enfrentar até ao fim o seu caminho para Jerusalém. Sabe para onde vai e concentra todas as suas energias para permanecer firme e não se perder. A sua coragem apoiada pela fé e pela vontade, e alimentada pela sua paixão por Deus e pelos homens, torna-se força para não se dobrar perante os sofrimentos que lhe serão infligidos pelos seus adversários.

A mesma resolução é pedida ao discípulo no difícil seguimento. Ao longo da estrada Jesus encontra pessoas que querem segui-lo, fascinadas pela promessa de um outro lugar que rompe com os formalismos e as estruturas que secam uma religião. Mas quando alguém aceita, na liberdade e por amor, empreender essa viagem, não pode cultivar hesitações e incertezas querendo voltar atrás, prisioneiro dos hábitos de um tempo passado.

As respostas de Jesus são de uma dureza desconcertante. Com uma linguagem particularmente forte talvez queira colocar à luz a nossa fragilidade e os nossos desvios: conhece as fortalezas em que nos escondemos e as armas de que dispomos para nos defendermos da sua ternura.

Os potenciais companheiros de Jesus parecem, em certa medida, hesitantes, como que travados pela radicalidade das suas palavras. Querem seguir Jesus, mas antes pretendem resolver alguns assuntos considerados urgentes e irrenunciáveis. Nós, humanos, somos feitos assim: temos grandes impulsos («seguir-te-ei para onde quer que fores»), mas ao primeiro obstáculo facilmente retrocedemos.

Jesus quer tornar-nos pessoas livres: livres da possessão das coisas e das pessoas, livres enquanto não aprisionadas em ninhos seguros feitos de imobilismo, porque «o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça».

Diante da proposta de Jesus de o seguir, o anónimo pede para poder sepultar primeiro o pai. A resposta de Jesus não é, decerto, um convite à desumanidade, mas reivindica de maneira clara a exigência de colocar ordem nos afetos. Não se trata de verificar a nossa boa vontade, mas de reconhecer e deixar-se guiar pela verdadeira atração pelo Pai.

Não vale a pena continuar a voltar o olhar para o nosso passado, dobrados sobre nós mesmos: é-nos pedido de sair de toda a forma de controlo sobre a vida e de olhar fixamente para Cristo, Ele que é caminho, verdade e vida.

Cada um de nós é aquilo em que se torna, não o que foi. Aprendamos a reconhecer e ousar o nosso mais profundo desejo, que tem a ver com o futuro do nosso rosto. E se tivermos coragem, ainda que com fadiga, não fugiremos ao amor e saberemos fazer nossa a Palavra: «Senhor, para quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna» (João 6, 69).

 

Ir. Antonella
In "Monastero di Bose"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 28.09.2016

 

 
Imagem "O Evangelho segundo Mateus" (fotograma) | Pier Paolo Pasolini, dir. | D.R.
Querem seguir Jesus, mas antes pretendem resolver alguns assuntos considerados urgentes e irrenunciáveis. Nós, humanos, somos feitos assim: temos grandes impulsos («seguir-te-ei para onde quer que fores»), mas ao primeiro obstáculo facilmente retrocedemos
Não vale a pena continuar a voltar o olhar para o nosso passado, dobrados sobre nós mesmos: é-nos pedido de sair de toda a forma de controlo sobre a vida e de olhar fixamente para Cristo, Ele que é caminho, verdade e vida
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