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Papa Francisco: Se tivéssemos coragem de abrir o coração à ternura de Deus...

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Papa Francisco: Se tivéssemos coragem de abrir o coração à ternura de Deus...

O papa Francisco alertou hoje, no Vaticano, para o perigo de os católicos quererem contabilizar a graça de Deus ao pensarem que ela depende das suas boas ações e do cumprimento de leis, tendo realçado que a «ternura» de Deus é incondicional.

«Nós, muitas vezes, para estarmos seguros, queremos controlar a graça (...) e na história, e também na nossa vida, temos a tentação de comercializar a graça, (...) tornando-a como uma mercadoria ou uma coisa controlável», vincou o papa na missa a que presidiu, citado pela Rádio Vaticano.

Com esta atitude, prosseguiu, a «verdade tão bela da proximidade de Deus desliza para uma contabilidade espiritual»: «“Eu faço isto porque me dará 300 dias de graça; eu faço aquilo porque me dará isto, e assim acumulo graça”».

«Mas o que é a graça? Uma mercadoria?», questionou, antes de sublinhar: «Na história, esta proximidade de Deus ao seu povo foi traída por esta nossa atitude, egoísta, de querer controlar a graça, comercializá-la».

A tentação de se assenhorear da graça divina já ocorria ao tempo de Jesus, recordou Francisco: os fariseus tornaram-se escravos das muitas leis com que carregavam «as costas do povo», os saduceus estavam prisioneiros dos seus compromissos políticos, os essénios, profundamente bons, «tinham muito medo, não arriscavam», enquanto que os zelotas estavam convictos de que a graça de Deus consistia na «guerra de libertação» dos judeus face ao Império Romano.

«A graça de Deus é outra coisa: é proximidade, é ternura. Esta regra serve sempre. Se tu, na tua relação com o Senhor, não sentes que Ele te ama com ternura, então falta-te alguma coisa, então ainda não entendeste o que é a graça, ainda não recebeste a graça que é esta proximidade», assinalou.

S. Paulo «reage fortemente» contra a espiritualidade associada à lei: «“Sou justo se faço isto, isto e aquilo. Se não faço isto não sou justo”. Mas tu és justo porque Deus se aproximou de ti, porque Deus te acaricia, porque Deus te diz estas coisas belas com ternura: esta é a nossa justiça, esta proximidade de Deus, esta ternura, este amor. Mesmo arriscando de nos parecer ridículo, o nosso Deus é muito bom».

«Se nós tivéssemos a coragem de abrir o nosso coração a esta ternura de Deus, quanta liberdade espiritual teríamos! Quanta!», afirmou Francisco, que no fim da homilia sugeriu a meditação do excerto da primeira leitura proclamada nas missas desta quinta-feira.

«Hoje, se tiverdes um pouco de tempo, na vossa casa, pegai na Bíblia: Isaías, capítulo 41, do versículo 13 a 20: esta ternura de Deus, este Deus que nos canta a cada um de nós uma canção de embalar, como uma mãe», concluiu o papa.

As primeiras frases da passagem do profeta Isaías propostas na liturgia de hoje acentuam a proximidade de Deus ao seu povo: «Sou Eu, o Senhor, teu Deus, que te seguro pela mão direita e te digo: “Não temas, Eu venho em teu auxílio”. Não temas, pobre verme de Jacob, bichinho de Israel. Eu venho socorrer-te – oráculo do Senhor –, o teu redentor é o Santo de Israel».

«É tanta a proximidade, que Deus apresenta-se aqui como uma mãe, como uma mãe que dialoga com o seu filho: uma mãe quando canta uma canção de embalar ao filho e fala com a voz da criança, e faz-se pequena como a criança, e fala no tom da criança, ao ponto de fazer figura de ridícula se alguém não entende o que acontece ali de grande», realçou Francisco ao comentar o trecho de Isaías.

 

Sergio Centofanti / Rádio Vaticano
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 11.12.2014

 

 
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Se tu, na tua relação com o Senhor, não sentes que Ele te ama com ternura, então falta-te alguma coisa, então ainda não entendeste o que é a graça
Hoje, se tiveres um pouco de tempo, na vossa casa, pegai na Bíblia: Isaías, capítulo 41, do versículo 13 a 20: esta ternura de Deus, este Deus que nos canta a cada um de nós uma canção de embalar, como uma mãe
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