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Evocação

São João: quem é, e o que nos pede

O capítulo primeiro do evangelho segundo Lucas narra a história do nascimento de João Batista, nome derivado do grego baptistes, isto é, aquele que batiza». O texto conta o anúncio a Zacarias, seu pai, por parte do anjo Gabriel. Refere ainda a idade avançada dos pais, a esterilidade da mãe, Isabel, o mutismo de Zacarias, a escolha do nome e o reconhecimento de Jesus, ainda no ventre de Maria, por parte de João, também por nascer.

João aparece nos evangelhos sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas), no deserto de Judá, a anunciar o reino e o dia do juízo, apelando ao batismo e à penitência. O seu vestuário e modo de vida recordam o profeta Elias.

Lucas acrescenta algumas informações sobre os seus ensinamentos: generosidade para com os pobres e renúncia à violência e à opressão.

O Messias (Cristo) batizaria com o Espírito Santo e com o fogo, razão pela qual o batismo de João, um símbolo do arrependimento, era apenas uma preparação.

Quando Jesus se juntou àqueles que queriam ser batizados por João, este reconheceu-o como Messias, ou seja, ungido por Deus. Os evangelhos dão conta do grande número de pessoas que iam ver e ouvir João.

No evangelho segundo João, o Batista foi enviado por Deus para dar testemunho da luz. Depois de João Batista declarar que Jesus é o «Cordeiro de Deus», este começa a fazer os primeiros discípulos.

João Batista foi preso por Herodes Antipas, depois de o ter censurado publicamente pela união adúltera e incestuosa com Herodíades. Da cadeia, João enviou os seus discípulos para perguntarem explicitamente a Jesus sobre se era o Messias. A resposta, afirmativa, foi clara para quem conhecia o Antigo Testamento.

O testemunho de Jesus sobre João faz dele o maior entre os nascidos de mulher. E a fama popular de João, enquanto profeta, era tão grande, que os fariseus não ousavam duvidar da autenticidade da sua missão.

Foi decapitado devido a uma promessa feita pelo rei Herodes durante uma orgia. A morte foi também atestada pelo historiador Flávio Josefo, que referiu a sua popularidade e prestígio.

Os seus discípulos sobreviveram como grupo vários anos após a morte, chegando a lugares distantes. Apolo, que se tornou cristão em Éfeso, conhecia apenas o batismo de João.

***

Quem é João Batista? Em primeiro lugar, é um crente empenhado em primeira pessoa num exigente caminho espiritual, feito de escuta atenta e constante da Palavra de salvação.

Além disso, ele testemunha um estilo de vida desapegado e pobre; demonstra grande coragem ao proclamar a todos a vontade de Deus, até às extremas consequências. Não cede à fácil tentação de assumir um papel fundamental, mas com submissão humilha-se a si próprio para exaltar Jesus.

Como João Batista, também o catequista é chamado a indicar em Jesus o Messias esperado, o Cristo. A sua tarefa consiste em convidar a fixar o olhar em Jesus e a segui-l'O, porque só Ele é o Mestre, o Senhor, o Salvador. Como o Precursor, o catequista não deve exaltar-se a si próprio, mas a Cristo. Tudo deve ser orientado para Ele: para a sua vinda, presença e mistério.

O catequista deve ser a voz que transmite a Palavra, amigo que conduz ao Esposo. E contudo, como João, também ele é, num certo sentido, indispensável, porque a experiência da fé tem sempre necessidade de um mediador, que seja simultaneamente testemunha.

João Paulo II
10.12.2000

 

São João Batista é, antes de mais nada, modelo de fé. Na esteira do grande profeta Elias, para ouvir melhor a Palavra do único Senhor da sua vida, ele deixa tudo e retira-se para o deserto, de onde fará ressoar o convite a aplanar os caminhos do Senhor (cf.Mt 3, 3 ss.).

É modelo de humildade, porque responde a todos os que veem nele não só um Profeta, mas até o Messias: "Eu não sou Quem julgais; mas vem, depois de mim, Alguém cujas sandálias não sou digno de desatar" (Act 13, 25).

É modelo de coerência e de coragem quando defende a verdade, pela qual está disposto a pagar pessoalmente, com a prisão e a morte.

João Paulo II
24.6.2001

 

A vocação deste grande profeta consistiu em preparar o caminho para o nosso Senhor. Também nós devemos, cada qual segundo as suas forças e a sua vocação, anunciar Cristo no mundo hodierno (...).

João Paulo II
23.6.2004

 

De profeta autêntico, João deu testemunho da verdade sem condescendências. Denunciou as transgressões dos mandamentos de Deus, também quando os protagonistas eram os poderosos.

Assim, quando acusou de adultério Herodes e Herodíades, pagou com a vida, selando com o martírio o seu serviço a Cristo, que é a Verdade em pessoa.

Invoquemos a sua intercessão, juntamente com a de Maria Santíssima, para que também nos nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com coragem a sua verdade e o seu amor a todos.

Bento XVI
24.6.2007

 

A "voz" do grande profeta pede que preparemos o caminho ao Senhor que vem, nos desertos de hoje, desertos exteriores e interiores, sequiosos da água viva que é Cristo.

Bento XVI
9.12.2007

 

Começando pelo aspeto externo, João é apresentado como uma figura muito ascética: vestido de pele de camelo, alimenta-se de gafanhotos e mel selvagem, que encontra no deserto da Judeia. O próprio Jesus, certa vez, o contrapôs àqueles que se «encontram nos palácios dos reis» e que «usam roupas delicadas». O estilo de João Batista deveria chamar todos os cristãos a escolher a sobriedade como modelo de vida (...).

Bento XVI
4.12.2011

 

Nós vemos esta grande figura, esta força na paixão, na resistência contra os poderosos. Interroguemo-nos: de onde nasce esta vida, esta interioridade tão forte, tão reta e tão coerente, empregue totalmente por Deus e para preparar o caminho para Jesus? A resposta é simples: da relação com Deus, da oração, que é o fio condutor de toda a sua existência.

João é o dom divino longamente invocado pelos seus pais, Zacarias e Isabel (cf. Lc 1, 13); uma dádiva grande, humanamente inesperada, porque ambos eram de idade avançada e Isabel era estéril (cf. Lc 1, 7); mas a Deus nada é impossível (cf. Lc 1, 36). O anúncio deste nascimento verifica-se precisamente no contexto da oração, no templo de Jerusalém; aliás, acontece quando Zacarias recebe o grande privilégio de entrar no lugar mais sagrado do templo para fazer a oferta do incenso ao Senhor (cf.Lc 1, 8-20).

Também o nascimento de João Batista é marcado pela oração: o cântico de alegria, de louvor e de ação de graças que Zacarias eleva ao Senhor e que nós recitamos todas as manhãs nas Laudes, o «Benedictus», exalta a obra de Deus na história e indica profeticamente a missão do filho João: preceder o Filho de Deus que se fez carne, para lhe preparar as estradas (cf. Lc 1, 67-79).

Toda a existência do precursor de Jesus é alimentada pela relação com Deus, de modo particular o período transcorrido em regiões desertas (cf. Lc 1, 80); as regiões desertas que são lugares de tentação, mas também lugares onde o homem sente a própria pobreza, porque desprovido de apoios e certezas materiais, e compreende que o único ponto de referência sólido permanece o próprio Deus.

Mas João Batista não é apenas um homem de oração, do contacto permanente com Deus, mas também um guia para esta relação. Citando a oração que Jesus ensina aos discípulos, o «Pai-Nosso», o evangelista Lucas anota que o pedido é formulado pelos discípulos com estas palavras: «Senhor, ensinai-nos a rezar, como também João ensinou aos seus discípulos» (cf. Lc 11, 1). (...)

A oração não é tempo perdido, não é roubar espaço às atividades, inclusive às obras apostólicas, mas é precisamente o contrário: se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante e confiante, o próprio Deus dar-nos-á a capacidade e a força para viver de modo feliz e tranquilo, para superar as dificuldades e testemunhá-lo com coragem. São João Batista interceda por nós, a fim de sabermos conservar sempre o primado de Deus na nossa vida.

Bento XVI
29.8.2012

 

© SNPC | 24.06.14

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