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Santa Teresa de Jesus e Dante são referências culturais a assinalar em 2015

Imagem Dante (det.) | Luca Signorelli | 1499-1502 | D.R.

Santa Teresa de Jesus e Dante são referências culturais a assinalar em 2015

O presidente do Centro Nacional de Cultura considera que em 2015 há «duas referências culturais» de matriz cristã que não podem ser esquecidas: Santa Teresa de Jesus e Dante Alighieri, de quem se assinalam, respetivamente, 500 e 750 anos de nascimento.

Santa Teresa de Jesus, como S. João da Cruz, «é uma das grandes escritoras da cultura europeia», sublinha o responsável, que aconselha a leitura do "Livro das Moradas" (também conhecido por "Castelo interior", traduzido e comentado, com «grande rigor teológico», por Manuel de Lucena (1938-2015), realçou Guilherme d'Oliveira Martins.

Em Santa Teresa de Jesus pressente-se «o seu método de trabalho, entre os utensílios da cozinha e a lida do convento. A mística que propõe está, afinal, ligada ao quotidiano da vida. Eis o percurso, mais ou menos longo, que tem de ser feito: do recolhimento ao êxtase… A paixão e a razão encontram-se, completam-se e expandem-se ou limitam-se mutuamente. Por isso, Santa Teresa de Ávila coloca-se do lado da laboriosa Marta, sem esquecer a atitude de Maria», na página do Centro Nacional de Cultura.

«Seguindo a curadora das palavras sublimes, percorremos as sete moradas do castelo interior, progredindo num abrir sucessivo de novas portas: começando pela disponibilidade interior para o trato divino com a oração vocal; e seguindo na oração mental discursiva e meditativa; na oração da amizade ou afetiva; no recolhimento, em difícil percurso da ascese para a mística; na oração da quietude, em que a vontade se suspende; na oração de união, com as potências despertas mas cativas; a culminar na oração de êxtase, em que a alma "atingiu o seu repouso ou já viu tanto que nada a impressiona", acrescentou.

Dante, por seu lado, é várias vezes citado em documentos pontifícios, sendo uma das referências literárias e espirituais do papa Francisco e de S. João Paulo II, para quem a arte do poeta, «evocando emoções sublimes e certezas supremas, revela-se ainda capaz de inspirar coragem e esperança, orientando a difícil busca existencial» do ser humano contemporâneo «rumo à Verdade eterna».

O papa emérito Bento XVI, centrando-se na "Divina comédia", lembrava que Dante quis envolver o leitor numa «excursão cósmica» que termina «diante da Luz perene que é o próprio Deus, diante daquela Luz que ao mesmo tempo é "o amor que move o sol e as outras estrelas".

O olhar de Dante entrevê «não só que a Luz eterna se apresenta em três círculos aos quais ele se dirige com densos versículos» - "Ó eterna Luz que repousas só em Ti; a Ti só entendes e, por Ti entendida, respondes ao amor que te sorri!", mas, «ainda mais surpreendente» do que a «revelação de Deus como círculo trinitário de conhecimento e de amor é a perceção de um rosto humano, o rosto de Jesus Cristo, que para Dante aparece no círculo central da Luz».

Na intervenção que proferiu durante a 11.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, Guilherme d'Oliveira Martins sustentou também que «a criação artística é um modo de revelação não apenas dos limites, mas da capacidade de compreensão do outro».

Referindo-se ao «jornalismo cultural» que hoje se realiza em Portugal, o responsável sublinhou que «a crise económica» conduziu à sua desvalorização, sendo necessário «qualidade e exigência» na sua execução, «não entregando para biscates algo que é muito sério».

Na primeira parte da comunicação, que apresentamos em vídeo, Guilherme d'Oliveira Martins também explicou o gosto por "A torre da Barbela", romance de Ruben A. (1920-1975) que narra, no final de um dia, o encontro de contemporâneos de D. Afonso Henriques até a figuras do século XX.

«Ruben era um historiador muito conhecedor; no livro não há um único anacronismo, mas há a loucura de interrogar Portugal nas suas várias gerações, vendo o que foi e o que é», afirmou, vincando que a obra permite perceber a história de nove séculos do país.

 

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 02.09.2015

 

 
Imagem Dante (det.) | Luca Signorelli | 1499-1502 | D.R.
Santa Teresa de Jesus, como S. João da Cruz, «é uma das grandes escritoras da cultura europeia», sublinha o responsável, que aconselha a leitura do "Livro das Moradas" (também conhecido por "Castelo interior", traduzido e comentado, com «grande rigor teológico», por Manuel de Lucena (1938-2015)
Referindo-se ao «jornalismo cultural» que hoje se realiza em Portugal, o responsável sublinhou que «a crise económica» conduziu à sua desvalorização, sendo necessário «qualidade e exigência» na sua execução, «não entregando para biscates algo que é muito sério»
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