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Ruy de Carvalho estreia "O Cristo recrucificado"

O ator Ruy de Carvalho, que a 2 de junho recebeu o prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes, atribuído pela Igreja católica, é um dos protagonista d'"O Cristo recrucificado", próxima peça do Teatro Experimental de Cascais (TEC).

O livro homónimo do escritor e pensador grego Níkos Kazantzákis (1883-1957), com adaptação e dramaturgia de Graça P. Corrêa e encenação de Carlos Avilez, subirá ao palco do teatro Mirita Casimiro a 29 de junho.

Ao lado de Ruy de Carvalho vai estar um elenco composto por 13 atores, a que se juntam dezenas de alunos finalistas e do 1.º e 2.º ano da Escola Profissional de Teatro de Cascais, naquela que é a 156.ª produção do TEC, em exibição até 29 de julho, anuncia a companhia no Facebook.

A obra de Kazantzákis - autor de "A última tentação de Cristo" (1954), adaptado ao cinema por Martin Scorsese - narra a preparação da Páscoa numa vila grega da Anatólia dos anos 20 do século passado, que é perturbada pela chegada de refugiados gregos expulsos pelos turcos, acontecimento revelador dos conflitos existentes na região - e que não estão longe dos dramas migratórios da atualidade no Mediterrâneo.

Os dois livros, evocadores da tensão ligada à dupla natureza, humana e divina, de Jesus, exprimem o interesse pelos mistérios da fé por parte do escritor, formado em Filosofia em Paris com Henri Bergson, e que já tinha dado a Jesus o lugar de protagonista no seu volume de estreia, "Christos" (1921), centrado no anúncio da ressurreição.

Editado em 1950 e adaptado ao cinema sete anos depois por Jules Dassin, "O Cristo recrucificado", pleno de vivacidade, amplia a complexidade das relações humanas, valendo tanto «pela sua dimensão social e histórica como pela sua universalidade», escreveu Sabrine Audrerie na página do jornal francês "La Croix".

Um milhão de gregos serão obrigados ao exílio definitivo e ao "regresso" a Atenas e Salónica devido ao tratado de Lausanne, assinado em 1923, drama nacional que pesa sobre o livro e que o autor, encarregado em 1919 de uma missão no Cáucaso para salvar as populações gregas do extermínio, conhece bem.

O volume evoca igualmente a guerra civil que se desencadeia na Grécia em 1946, as complexas questões políticas e sociais ligadas à repartição das terras, a ligação com o sagrado, a instrumentalização da fé e o relacionamento do ser humano com a natureza e a história.

Personagens truculentos, humor e drama habitam a preparação para as solenidades da morte e ressurreição de Cristo, encenada pelos habitantes da vila. Os mais dignos de representar a Paixão têm, no ano anterior, de se procurar fundir nas personalidades que vão representar, missão delicada que põe em causa os equilíbrios locais.



 

SNPC
Fontes: Teatro Experimental de Cascais, Sabrine Audrerie/La Croix
Imagem: D.R.
Publicado em 11.06.2018

 

Reservas e informações: 21 467 03 20; acontecenotec@gmail.com

 

 
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