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Revista de imprensa: fé e ciência, peregrinar, catequese, perseguição, misericórdia, alegria e Páscoa

Revista de imprensa: fé e ciência, peregrinar, catequese, perseguição, misericórdia, alegria e Páscoa

Imagem khunaspix/Bigstock.com

«Ciência e religião são duas visões do mundo muito diferentes, que coexistem. E coexistem, por vezes, na mesma pessoa. É dessa coexistência que se trata nestas páginas», escreve David Marçal no Público.

O autor propõe a pintura "Ciencia y caridad", de Pablo Picasso, que mostra, ao lado de uma doente, de cada lado da cama, um médico e uma freira com uma criança ao colo. «A ciência e a caridade cristã estão em lados diferentes da cama. Mas a moribunda é a mesma. E talvez os cuidados do médico e da freira se complementem. Talvez "Ciencia y Caridad" possa ser uma ilustração (ainda que involuntária) da terceira hipótese considerada pelo teólogo Ian Barbour: não só há compatibilidade, como alguma sobreposição entre ciência e religião, podendo e devendo as duas dialogar entre si.»

«A religião evoluiu?" e "Cérebro crente" são dois dos temas abordados no longo artigo, complementado por uma entrevista a Bruno Nobre, que depois de concluir o doutoramento em Física entrou na Companhia de Jesus.

«Por um lado, a religião pode ser uma importante fonte de criatividade e de formulação de hipóteses científicas. Por outro lado, o desejo de contemplar a ordem e a harmonia da natureza pode ter uma ressonância religiosa, como aconteceu com alguns cientistas famosos. Neste sentido, a religião pode servir de motivação e estímulo para a prática científica. É verdade, no entanto, que um cientista religioso deve respeitar, como qualquer outro cientista, os métodos e rigor próprios da sua área de pesquisa. Nisto não se distingue dos outros cientistas», sublinha o jesuíta, que conta o processo do chamamento à vida religiosa, desde criança até à universidade.

Bruno Nobre defende que ciência e religião são, «conceções diferentes do mundo e do ser humano, mas não necessariamente contraditórias. É verdade, porém, que religião e ciência constituem formas diferentes de olhar a existência e o mundo. Mas isto não quer dizer que ciência e religião sejam incompatíveis».

 

Papa Francisco e papa emérito Bento XVI nas capas

A capa do Correio da Manhã de hoje mostra fotografias dos «aposentos» do papa Francisco aquando da sua passagem por Fátima, a 12 e 13 de maio, na Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo: «No quarto cabe pouco mais que a cama. É tudo muito simples».

Na suite onde também pernoitaram João Paulo II, em 2000, e Bento XVI, em 2010, percebe-se «que os aposentos são simples, desprovidos de luxos, pouco espaçosos até para o visitante que os vai ocupar por uma noite. Nenhuma das divisões tem vista para o santuário, mas sim para um espaço interior».

Também na capa de hoje, desta vez do jornal i, recorda-se que Bento XVI completou 90 anos este domingo: «Papa emérito adiou festejos por causa da Páscoa. Passeios, Mozart e uma gata: o dia a dia de Ratzinger quatro anos depois da resignação» é o texto que chama a atenção para o artigo de duas páginas.

 

Peregrinar de bicicleta do Vaticano a Fátima

«Não há duas sem três e para Carlos Vieira esta será a terceira peregrinação de bicicleta entre o Vaticano e Fátima. Em todas elas foi recebido pelo Papa e este ano não será exceção. A novidade será que desta vez conta com companheiros do pedal. Ao seu lado vão estar as bicicletas de Miguel Vilar e António Figueiredo. Os três começam na sexta-feira a aventura de percorrer mais de 2500 quilómetros entre a Praça de São Pedro e o Santuário de Fátima. Contam chegar um dia antes do Papa Francisco»: assim começa o artigo "Vinte e um dias a pedalar do Vaticano até Fátima", que o Diário de Notícias publica hoje.

Com mais de 50 anos, Manuel Vilar, Carlos Vieira e António Figueiredo «vão percorrer em média 140 quilómetros por dia, com paragens agendadas em "algumas comunidades portuguesas, o santuário de Lourdes e o Santuário de Nossa Senhora do Pilar, em Saragoça"». «O mais experiente neste percurso é Carlos Vieira - o bombeiro ciclista de Leiria -, que fez este percurso em 1986 e 2014. Na primeira vez foi recebido pelo papa João Paulo II e na segunda vez fez a peregrinação para celebrar a canonização do papa polaco. Há três anos foi recebido já pelo Papa Francisco.»

Mentor do projeto, Carlos Vieira, de 65 anos, «conta "em primeira mão" ao DN o que vai dizer ao Papa antes de partirem rumo a Fátima. "Além de agradecer por estar com ele, vou pedir para que reze pelas pessoas que sofrem das guerras, doenças e injustiças por este mundo fora. Vamos pedir com fé ao santo padre e nos proteja nas estradas até Fátima».

 

A catequese de hoje

No Diário de Notícias de sábado espreita-se a catequese infantil, juvenil e familiar numa paróquia de Lisboa: «Tal como a escola, a catequese começa aos 6 anos. E, tal como na escola, a aprendizagem pode ser divertida. As crianças gostam. Mas não basta ir à catequese todas as semanas e fazer os sacramentos para se ser um bom cristão. "Isto é só o princípio da caminhada."».

«A mensagem aos catequistas hoje é de abertura: às crianças que chegam ali sem sequer estarem estar batizadas (os catecúmenos representam atualmente 5% das crianças que frequentam a catequese); aos filhos de pais divorciados e que por isso têm constrangimentos e não podem vir todas as semanas à catequese; às crianças de famílias que não frequentam a Igreja ou que nunca sequer foram à missa. Acolher uma criança é acolher a sua família», lê-se no texto.

José Eduardo Borges de Pinho, professor catedrático da Faculdade de Teologia, afirma: «Sentimos que as famílias necessitam de espaços positivos, onde se criem laços afetivos e de proximidade. Sempre que sentem estes espaços aproximam-se do ambiente da catequese». Mas nem sempre é assim, como relata uma das catequistas ouvidas na reportagem: «Trabalhar com os miúdos é muito fácil, eles estão sempre dispostos a participar em todas as atividades. Às vezes, o mais complicado é as famílias. A maioria das pessoas acham muito bem que os filhos frequentem a catequese, mas não se querem envolver».

 

Conto de Páscoa

O Deus de Jesus «não é o Deus dos finais felizes, mas da ressurreição três dias depois do fim. Ele é o Deus traído, negado, abandonado, morto e sepultado. É o Deus, não só da ponderação e qualidade, mas do amor aos inimigos, dando a outra face. Não é apenas o Deus da competência, excelência e seriedade, mas da renúncia a si mesmo, de tomar a própria cruz e segui-lO. Não é sobretudo o Deus da respeitabilidade, elevação e desempenho, mas dos pobres, dos que choram, dos que têm fome e sede de justiça, dos perseguidos por causa dela», aponta João César das Neves no Diário de Notícias.

«Agora entendo. Estive este tempo todo a ver tudo mal. O Senhor não se interessa pela respeitabilidade, desempenho, confiança e credibilidade. Esses são os míopes parâmetros de eficácia com que eu tenho avaliado o departamento. O que interessa é a bem-aventurança. Não a bem-aventurança já aqui, mas a verdadeira bem-aventurança. Aquela verdadeira bem-aventurança que pode existir já aqui, se eu aqui conseguir ver para lá disto», vinca o autor no conto pascal em que narra a promoção de uma mulher a diretora de departamento.

E assim termina a história: «Aquilo que interessa verdadeiramente não é o que eu amo e construí, mas Aquele que realmente criou tudo aquilo que fizemos. Ele é o verdadeiro Senhor do departamento, e Ele pode refazê-lo à sua vontade. Não à minha. Ele é o Senhor da História, que ressuscita Cristo e cria a Igreja, sem tirar o poder ou sequer beliscar Caifás, Herodes e Pilatos. Aqui, Caifás chama-se Marina».

 

A incompetência de Cristo em matéria de recursos humanos

«Ainda que de forma modesta, não queria deixar de contribuir, este sábado de Aleluia, para esse maior amor a JC, precisamente pelo mais cabal conhecimento de alguns dos seus defeitos, qual a sua manifesta incompetência em questões de recursos humanos», anota o P. Gonçalo Portocarrero de Almada na coluna que assina semanalmente no Observador.

«A equipa que formou, com aqueles doze homens, os apóstolos, já não foi um acerto, se se tiver em conta que, entre eles estava o traidor, Judas Iscariotes. Os outros, diga-se de passagem, também não eram muito melhores: na final, que se jogou no monte Calvário, todos desertaram, com a excepção de João, o discípulo adolescente, o único que ficou, com Maria e algumas mulheres, junto à Cruz do Senhor. Mais grave ainda foi a escolha do capitão da equipa, um tal Simão, a quem ele teve a infelicidade de mudar o nome para Pedro pois, como depois se viu, a fortaleza não era, valha o paradoxo, o seu forte», assinala o autor.

O texto termina com um agradecimento: «Obrigado, Senhor, por nos teres convocado para a tua equipa! Nós, que nem na pior da última distrital teríamos direito a jogar, graças a ti, Mister, pertencemos à selecção! Bendita e louvada seja, pelos séculos dos séculos, a tua incompetência em recursos humanos!».

 

Perseguição aos cristãos

Igualmente no Observador, na Sexta-feira Santa, Rui Ramos sustenta que «a perseguição e o massacre das comunidades cristãs do Médio Oriente e do norte de África é uma das grandes tragédias» da atualidade. «A Europa, no entanto, parece indiferente ou pelo menos evita reconhecer um caso específico.»

«A religião, sobretudo depois do fracasso dos nacionalismos árabe e turco, é hoje o fundamento identitário principal no Médio Oriente. Essa é a segunda dificuldade das elites europeias, profundamente secularizadas, perante o martírio dos cristãos orientais: não conseguem levar a sério a religião como identidade cultural e base de uma comunidade. Ao Islão, ainda respeitam, como relíquia terceiro-mundista, com cuja salvaguarda tentam expiar velhas culpas coloniais; mas não ao cristianismo, que na Europa julgam ter substituído de vez, enquanto razão de pertença e de lealdade, pela nação ou pela lei secular», defende o historiador.

 

Descansar na misericórdia de Deus

Na Sexta-feira Santa «o que se lembra é o calvário de Cristo e, nele, os calvários todos da história», salienta Anselmo Borges na sua crónica semanal no Diário de Notícias. «Pergunta inquietante e inelutável: porque temos de morrer? E, se é inevitável, que atitude tomar perante essa certeza da morte? Será que vivemos simplesmente para morrer e ficar mortos, definitivamente mortos para sempre? Aparentemente, é assim. Mas, depois, erguemo-nos desde o mais fundo de nós, protestando e com esperança.»

«Perante "a dramática ponderação entre o sim e o não", um filósofo grande de base kantiana, o jesuíta José Gómez Caffarena, teve uma razão decisiva para inclinar a balança para o sim: Jesus de Nazaré. E, assim, deixou escrito, na sua obra monumental, O Enigma e o Mistério: "O cristianismo teve o imenso acerto de apresentar-se como a tradição de um ser humano que enfrentou o mal com enorme dor, mas com prevalente esperança." Recentemente, também Hans Küng, o teólogo rebelde e o mais crítico do século XX, já próximo do seu próprio fim, disse que, para ele, morrer é "descansar no Mistério da Misericórdia de Deus". Assim acredito eu também», conclui o sacerdote.

 

«Um Deus que não é a alegria da vida não é Deus»

Bento Domingues assinala este domingo, no Público, que «os quatro Evangelhos não são textos escolares, didácticos, professorais. São textos polémicos, precisamente, acerca da incompatibilidade entre as conceções e atitudes de Jesus, as dos discípulos e as dos adversários. Foram estas incompatibilidades que O levaram à cruz».

«Jesus não era um ateu, um agnóstico ou um sem religião. Aquilo que o enervava não era só a hipocrisia, que continuamente denunciou, mas verificar que o recurso às observâncias religiosas, ao nome de Deus e à sua vontade servia para classificar uns como santos e salvos e outros como pecadores e perdidos. Era uma luta teológica por causa de uma questão antropológica. Um Deus que é o consolo dos piedosos, dos ricos, dos poderosos e uma fonte de humilhação dos classificados como pecadores, por aqueles que estabeleciam as leis da santidade e as do castigo, era uma vergonha», acentua o religioso.

O autor evoca a polémica de Jesus com o Sábado, «uma instituição civilizacional fantástica — o ser humano não é só para trabalhar —, mas que foi transformada no dia da opressão, em nome de Deus»: «A insistência de Jesus em violar o Sábado parecia uma atuação provocatória: escolhia precisamente esse dia para fazer o que estava proibido. Tinha uma razão altamente teológica, coincidente com uma razão profundamente humana: o dia consagrado a Deus tinha de coincidir com o dia da libertação das vítimas da doença interpretada como possessão diabólica, fruto do pecado. Um Deus que não é a alegria da vida não é Deus. É um ídolo criado para justificar a dominação económica, política e religiosa».

 

"Pietà"

A "Pietà" da basílica de S. Pedro, no Vaticano, de Miguel Ângelo, está plasmada «uma das imagens mais plangentes e icónicas do cristianismo, com uma grandeza e contenção inigualáveis», escreve José Tolentino Mendonça no Expresso de sábado. O corpo da mãe «parece uma jangada, um salva-vidas, uma cidade refúgio. O rosto, porém, desenha-se impávido, como se mirasse através daquele sofrimento outro lugar e se fixasse não naquela morte, mas na infância incólume do filho».

Depois desta obra da juventude, o escultor, até poucos dias antes da morte, trabalhou na "Pietà Rondadini", iniciada 12 anos antes e entretanto abandonada. «Em 1563 volta a ela ocm um gesto inesperado: quebra o corpo de Cristo que havia esculpido para refazê-lo agora a partir do próprio corpo de mãe, em comovente fusão, a ponto de ser impossível dizer qual dos dois transporta o corpo do outro. O tom daquela pedra é humaníssimo, dolentíssimo, inexplicável. É o contrário da impassibilidade da primeira "pietà". Mas não temos de escolher: uma e outra são maneiras possíveis de confessar a fé pascal.»



Nota: Esta revista de imprensa não abrange todos os conteúdos publicados nos últimos dias.



 

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