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Responsabilidade social, Borges e a transcendência: Cidade natal do papa Francisco recebe Átrio dos Gentios

Imagem Buenos Aires | D.R.

Responsabilidade social, Borges e a transcendência: Cidade natal do papa Francisco recebe Átrio dos Gentios

“Responsabilidade social, Borges e a transcendência” é o tema do Átrio dos Gentios, plataforma da Igreja católica, através do Pontifício Conselho da Cultura, para o diálogo entre crentes e não crentes, que decorre entre hoje e sábado em Buenos Aires.

Entre os objetivos dos encontros está «um dos aspetos mais debatidos e fascinantes do grande escritor agnóstico Borges: a dimensão transcendente oculta nas suas obras», refere a página do Átrio dos Gentios.

A iniciativa realiza-se em parceria com o Fórum Ecuménico Social, que há mais de uma década está empenhada no diálogo intercultural e inter-religioso, e a Fundação Borges, inspirada na obra e legado de Jorge Luis Borges (1899-1986).

O programa do encontro prevê o diálogo do presidente do Pontifício Conselho da Cultura, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, com a viúva de Borges e presidente da fundação a ele dedicada, Maria Kodama, o economista italiano Stefano Zamagni e o economista argentino Bernardo Kliksberg, além de professores e empresários.

A abertura oficial decorre às 19h00 locais (22h00 em Lisboa), com a leitura de uma mensagem do papa Francisco e um debate sobre o tema “Borges e a transcendência”, com o cardeal Ravasi, Maria Kodama, o filósofo Santiago Kovadloff e o rabino Daniel Goldman.

Na quinta-feira debate-se a “Responsabilidade social e a cidadania”, igualmente na capital argentina, com o cardeal Ravasi, Stefano Zamagni, Bernardo Kliksberg, Juan José Almagro e Gonzalo Verdomar Weiss.

A cidade de Córdoba acolherá duas mesas redondas: na sexta-feira, retomando o tema “Borges e a transcendência”, novamente com o cardeal Ravasi, em diálogo com o escritor P. Osvaldo Pol e a poetisa Susana Romano Sued, ambos argentinos.

“A espiritualidade da nossa comunidade” é o tema do debate agendado para sábado, com o presidente do Pontifício Conselho da Cultura, Mariela Tulian, Victor Acebo e Gerardo Nilian.

A par dos debates estão programados eventos artísticos, como o espetáculo teatral “Terra do fogo”, de Mario Diament, a serenata “Poesias na música”, em que Santiago Kavadloff lerá textos de Borges ao som de composições de César Lerner e Marcelo Moguilevsky, bem como exposições de Alessandro Kokocinski e Aldo Sessa.

Em maio de 2013, a viúva de Jorge Luis Borges ofereceu ao papa Francisco toda a obra do escritor argentino, que está entre os favoritos de Jorge Mario Bergoglio.

Os livros foram entregues ao papa pelo presidente do Pontifício Conselho para a Cultura.

O prelado revelou então que se tinha encontrado com Maria Kodama, tendo combinado com ela, após um longo diálogo sobre a obra do escritor, um encontro cultural em Buenos Aires.

Bergoglio foi professor de Literatura e Psicologia do Instituto da Imaculada Conceição, sediado na cidade argentina de Santa Fé, entre 1964 e 1965.

Naqueles anos Borges redigiu o prefácio de um livro que recolhia os contos que o então padre Jorge Mario pedia aos alunos para escreverem.

Uma experiência que o atual papa nunca esqueceu e que se consolidou com a estima que Bergoglio tinha por Borges, fundada no seu talento literário, bem como na sua humildade e espessura humana.

Antes de ser eleito bispo de Roma, Bergoglio afirmou que Borges era um «agnóstico que rezava o Pai-nosso todas as noites, porque tinha prometido à sua mãe, e morreu assistido religiosamente».

Borges, assinalou o cardeal no livro "Papa Francisco - Conversas com Jorge Bergoglio", editado pela Paulinas Editora, «tinha a genialidade de falar praticamente de tudo sem se vangloriar disso».

«Era um homem muito sapiencial, muito profundo. A imagem que tenho de Borges perante a vida é a de um homem que arruma as coisas no seu sítio, que organiza os livros nas prateleiras, como o bibliotecário que ele era», acrescentou.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 26.11.2014

 

 

 
Imagem Buenos Aires | D.R.
Em maio de 2013, a viúva de Jorge Luis Borges ofereceu ao papa Francisco toda a obra do escritor argentino, que está entre os favoritos de Jorge Mario Bergoglio
Bergoglio foi professor de Literatura e Psicologia do Instituto da Imaculada Conceição, sediado na cidade argentina de Santa Fé, entre 1964 e 1965. Naqueles anos Borges redigiu o prefácio de um livro que recolhia os contos que o então padre Jorge Mario pedia aos alunos para escreverem
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