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Queres saber onde está Deus? No caminho da cruz encontras a resposta

Imagem Via-sacra da Jornada Mundial da Juventude | Cracóvia, Polónia | 29.7.2016 | ©: AP

Queres saber onde está Deus? No caminho da cruz encontras a resposta

«Onde está Deus?»: pergunta tantas vezes sofrida e desesperada, por vezes incrédula, outras sarcástica, que se ouve a cada dia perante a opressão e a exploração de que são vítimas os mais fracos.

Por vezes, a resposta mais óbvia, por vezes até mesmo para quem acredita em Deus, é simplesmente "não está", "não quer saber", "nada pode fazer", "não existe"; e não raras vezes os crentes que mantêm a fé têm dificuldade de responder a quem lhes pergunta pelas razões da fé.

Foi essa pergunta, «onde está Deus?», que o papa dirigiu hoje às centenas de milhares de jovens que participaram, na cidade polaca de Cracóvia, na via-sacra, devoção através da qual os católicos meditam em 14 passos da paixão de Cristo, desde a sua entrega às autoridades de Jerusalém até à morte.

Mal e morte, precisamente, evocados na celebração desta sexta-feira, dia que já trazia da manhã um dos momentos mais significativos da viagem do papa à Polónia: a visita, em silêncio e oração, aos antigos campos de concentração nazi de Auschwitz e Birkenau.

«Onde está Deus, se no mundo existe o mal, se há pessoas famintas, sedentas, sem abrigo, deslocadas, refugiadas? Onde está Deus, quando morrem pessoas inocentes por causa da violência, do terrorismo, das guerras?», questionou Francisco.

E prosseguiu: «Onde está Deus, quando doenças cruéis rompem laços de vida e de afeto? Ou quando as crianças são exploradas, humilhadas, e sofrem – elas também – por causa de graves patologias? Onde está Deus, quando vemos a inquietação dos duvidosos e dos aflitos na alma?».

«Há perguntas para as quais não existem respostas humanas. Podemos apenas olhar para Jesus, e perguntar a Ele. E a sua resposta é esta: «Deus está neles», Jesus está neles, sofre neles, profundamente identificado com cada um. Está tão unido a eles, que quase formam "um só corpo"», declarou o papa.

O aparente silêncio de Deus, afinal, fala eloquentemente: «Foi o próprio Jesus que escolheu identificar-se com estes nossos irmãos e irmãs provados pelo sofrimento e a angústia, aceitando percorrer o caminho doloroso para o calvário».

«Ao morrer na cruz, entrega-se nas mãos do Pai e leva consigo e em si mesmo, com amor de doação, as chagas físicas, morais e espirituais da humanidade inteira. Abraçando o madeiro da cruz, Jesus abraça a nudez e a fome, a sede e a solidão, a dor e a morte dos homens e mulheres de todos os tempos», sublinhou.

O acolhimento aos imigrantes, tema a que Francisco regressou neste terceiro dia de visita à Polónia, foi novamente mencionado, mesmo que indiretamente, pelo papa: «Nesta noite, Jesus e nós, juntamente com Ele, abraçamos com amor especial os nossos irmãos sírios, que fugiram da guerra. Saudamo-los e acolhemo-los com fraterno afeto e simpatia».

Aos jovens presentes na celebração, Francisco propôs um caminho difícil, pedregoso e acidentado, que só pode ser o do discípulo que segue Cristo: «Repassando a Via-Sacra de Jesus, descobrimos de novo a importância de nos configurarmos a Ele, através das 14 obras de misericórdia», sete corporais e outras tantas espirituais.

«Estas ajudam-nos a abrir-nos à misericórdia de Deus, a pedir a graça de compreender que a pessoa, sem misericórdia, não pode fazer nada; sem a misericórdia, eu, tu, nós todos não podemos fazer nada», assinalou.

Francisco frisou que a humanidade precisa de pessoas, em particular «jovens», «que não queiram viver a sua existência "a metade", jovens prontos a gastar a vida no serviço gratuito aos irmãos mais pobres e mais vulneráveis, à imitação de Cristo que se doou totalmente a si mesmo».

E a seguir o papa voltou à pergunta sobre a morada de Deus: «Perante o mal, o sofrimento, o pecado, a única resposta possível para o discípulo de Jesus é o dom de si mesmo, até da própria vida, à imitação de Cristo; é a atitude do serviço. Se alguém, que se diz cristão, não vive para servir, não serve para viver. Com a sua vida, renega Jesus Cristo».

«O Senhor renova-vos o convite para vos tornardes protagonistas no serviço; Ele quer fazer de vós uma resposta concreta às necessidades e sofrimentos da humanidade; quer que sejais um sinal do seu amor misericordioso para o nosso tempo!», vincou.

O mapa do «caminho da cruz», evocado na via-sacra, evita as rotas da facilidade e aponta para o «compromisso pessoal», acompanhado «do sacrifício».

Para Francisco, «o caminho da cruz é o caminho da felicidade de seguir a Cristo até ao fim, nas circunstâncias frequentemente dramáticas da vida diária; é o caminho que não teme insucessos, marginalizações ou solidões, porque enche o coração do homem com a plenitude de Jesus».

«O caminho da cruz é o caminho da vida e do estilo de Deus, que Jesus nos leva a percorrer mesmo através das sendas duma sociedade por vezes dividida, injusta e corrupta», é o «caminho da vida e do estilo de Deus», a «percorrer mesmo através das sendas duma sociedade por vezes dividida, injusta e corrupta».

Para o cristão o caminho da cruz não conduz a um beco sem saída, mas «desemboca na luz radiosa da ressurreição de Cristo, abrindo os horizontes da vida nova e plena. É o caminho da esperança e do futuro. Quem o percorre com generosidade e fé, dá esperança e futuro à humanidade».

O papa concluiu a sua meditação com uma interpelação: «Naquela Sexta-feira Santa, queridos jovens, muitos discípulos voltaram tristes para suas casas, outros preferiram ir para a casa da aldeia a fim de esquecer a cruz. Pergunto-vos: nesta noite, como quereis tornar às vossas casas, aos vossos locais de alojamento? Nesta noite, como quereis voltar a encontrar-vos com vós mesmos? Cabe a cada um de vós dar resposta ao desafio desta pergunta».

O programa da visita do papa à Polónia prossegue este sábado, penúltimo dia da viagem, com a visita ao santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia, onde Francisco realizará o gesto de atravessar a porta da Divina Misericórdia, antes de celebrar o sacramento da Reconciliação com alguns jovens.

A seguir preside à missa com padres, religiosas e religiosos, leigos consagrados e seminaristas no santuário de S. João Paulo II, antes de almoçar com jovens no arcebispado de Cracóvia

Ao final do dia, pelas 18h00 de Portugal continental, Francisco chega ao "Campus Misericordiae" e passa pela Porta Santa com alguns jovens, e meia hora depois preside à vigília de oração, momento sempre muito significativo nas Jornadas Mundiais da Juventude.

 




 

Rui Jorge Martins
Publicado em 29.07.2016

 

 

 
Imagem Via-sacra da Jornada Mundial da Juventude | Cracóvia, Polónia | 29.7.2016 | ©: AP
«Onde está Deus, se no mundo existe o mal, se há pessoas famintas, sedentas, sem abrigo, deslocadas, refugiadas? Onde está Deus, quando morrem pessoas inocentes por causa da violência, do terrorismo, das guerras?»
A humanidade precisa de pessoas, em particular «jovens», «que não queiram viver a sua existência "a metade", jovens prontos a gastar a vida no serviço gratuito aos irmãos mais pobres e mais vulneráveis, à imitação de Cristo que se doou totalmente a si mesmo»
«O caminho da cruz é o caminho da felicidade de seguir a Cristo até ao fim, nas circunstâncias frequentemente dramáticas da vida diária; é o caminho que não teme insucessos, marginalizações ou solidões, porque enche o coração do homem com a plenitude de Jesus».
«Pergunto-vos: nesta noite, como quereis tornar às vossas casas, aos vossos locais de alojamento? Nesta noite, como quereis voltar a encontrar-vos com vós mesmos? Cabe a cada um de vós dar resposta ao desafio desta pergunta»
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