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Que procuras? Vem e vê: Meditação sobre o Evangelho do 2.º Domingo do Tempo Comum

Imagem © Derek Henderson

Que procuras? Vem e vê: Meditação sobre o Evangelho do 2.º Domingo do Tempo Comum

Naquele tempo, estava João Batista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus.
Entretanto, Jesus voltou-se; e, ao ver que o seguiam, disse-lhes: «Que procurais?». Eles responderam: «Rabi – que quer dizer "Mestre" –, onde moras?».
Disse-lhes Jesus: «Vinde ver».
Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. (Do Evangelho do II Domingo do Tempo Comum, João 1, 35-42)

Um Evangelho com perfume a liberdade, espaços e corações abertos. Dois discípulos deixam o velho mestre e põem-se a caminho atrás de um jovem rabi de quem ignoram tudo, à exceção de uma definição fulgurante: eis o cordeiro de Deus, eis o animal dos sacrifícios, imolado junto aos altares, o último a morrer para que mais ninguém morra.

Em todas as religiões o sacrifício consiste em oferecer alguma coisa em troca do favor divino. Com Jesus esta permuta é invertida: Deus já não pede mais cordeiros em sacrifício, é Ele que se faz cordeiro e se sacrifica a si próprio; não derrama o sangue de ninguém, derrama o próprio sangue.

Eis aquele que tira o pecado do mundo. O pecado do mundo não é a maldade: o homem é frágil, mas não é mau; engana-se facilmente - o pecador é um enganado: aos caminhos que o Evangelho propõe prefere outros que crê mais plausíveis, mais inteligentes ou mais felizes. Tirar o pecado do mundo é curar o défice de amor e de sabedoria que empobrece a vida.

Jesus voltou-se e disse-lhes: que procurais? As primeiras palavras são semelhantes às primeiras palavras do Ressuscitado no jardim: mulheres, quem procurais? Duas perguntas nas quais encontramos a definição mesma do homem: um ser de procura, com uma interrogação plantada no fundo do coração. E é através das perguntas do coração que Deus nos educa para a fé: «Encontra a chave do coração. Esta chave, verás, abre também a porta do Reino» (João Crisóstomo).

Com efeito, a primeira coisa que Jesus pede aos primeiros discípulos não é obediência ou adesão, a observância de regras ou novas fórmulas de oração. O que Ele pede é uma viagem ao coração, reentrar no centro de si mesmo, encontrar o desejo que habita a profundidade da vida: que procurais?

Jesus, mestre do desejo, faz entender que nos falta alguma coisa, uma ausência que queima. O que te falta? Falta saúde, alegria, dinheiro, tempo para viver, amor, sentido da vida? Alguma coisa falta, e é por causa deste vazio por preencher que cada filho pródigo percorre novamente o caminho para casa. A ausência torna-se a nossa energia vital: «Desejo-vos a alegria impenitente de ter amado aquelas ausências que nos fazem viver» (Rilke).

O Mestre do desejo ensina desejos maiores do que as coisas. Tudo à nossa volta grita: satisfaz-te. Ao contrário, o Evangelho, sempre contracorrente, repete: felizes os esfomeados, felizes vós quando vos sentis insatisfeitos: tornar-vos-eis buscadores de tesouros, mercadores de pérolas. Jesus conduz os seus do supérfluo ao essencial.  E as coisas essenciais são pouca coisa, e a elas só se chega através da chave do coração.

 

Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Trad: Rui Jorge Martins
Publicado em 22.01.2015

 

 
Imagem © Derek Henderson
As primeiras palavras são semelhantes às primeiras palavras do Ressuscitado no jardim: mulheres, quem procurais? Duas perguntas nas quais encontramos a definição mesma do homem: um ser de procura, com uma interrogação plantada no fundo do coração
Tudo à nossa volta grita: satisfaz-te. Ao contrário, o Evangelho, sempre contracorrente, repete: felizes os esfomeados, felizes vós quando vos sentis insatisfeitos: tornar-vos-eis buscadores de tesouros, mercadores de pérolas
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