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«Nem tudo o que luz é ouro»: Que a «beleza de Deus» não seja trocada pela «idolatria», afirma papa

Imagem Adoração do bezerro de ouro (det.) | Nicolas Poussin | National Gallery, Londres, Reino Unido

«Nem tudo o que luz é ouro»: Que a «beleza de Deus» não seja trocada pela «idolatria», afirma papa

«Nem tudo o que luz é ouro»: este provérbio poderia aplicar-se à homilia que o papa proferiu hoje, no Vaticano, ao alertar para os hábitos pessoais incapazes de se libertarem do que é aprazível mas que não passa de uma mistificação da beleza.

A primeira leitura e o Salmo proclamados nas missas desta sexta-feira falam «da beleza da criação», afirmou Francisco, embora também sublinhem «o erro» de quem nas «coisas belas não foi capaz de olhar para além delas e, portanto, para a transcendência», atitude que o papa sintetizou na expressão «idolatria da imanência».

«Ficaram amarrados a esta idolatria; foram atingidos pelo espanto do seu poder e energia», observou o papa - a leitura do livro da Sabedoria fala do «fogo, o vento, o ar ligeiro, o ciclo dos astros, a água impetuosa ou os luzeiros do céu», que foram tomados «como deuses e senhores do mundo».

O povo, prosseguiu Francisco, não pensou «quanto é superior» aquele que criou todas as coisas, Ele «que é princípio e autor da beleza».

«É uma idolatria olhar para a beleza sem pensar que terá declínio», na convicção ilusória de que «as coisas como são, são quase deuses, nunca acabarão», acrescentou.

Ao comentar o Evangelho, referindo-se às palavras de Jesus quando evocou a população de Sodoma - «comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento» - Francisco falou de outro culto, o «dos hábitos», que também «podem ser pensados como Deus».

«Tudo é habitual. A vida é assim: vivemos assim, sem pensar no declínio deste modo de viver. Também esta é uma idolatria; estar amarrado aos hábitos, sem pensar que isso acabará. E a Igreja faz-nos olhar para o fim dessas coisas», apontou.

Ao aproximar-se o fim do ano litúrgico, marcado para a solenidade de Cristo-Rei, este ano a 22 de novembro, a Igreja, e em particular os trechos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas, conduzem o olhar para a realidade última da vida, a «contemplação da glória de Deus», como afirmou o papa.

«Nós, os crentes, não somos pessoas que voltam atrás, que cedem, mas pessoas que vão sempre em frente», sem deixar de «olhar para a beleza e com os hábitos» que todos têm, «mas sem os divinizar», assinalou Francisco.

 

Alessandro De Carolis
In "Rádio Vaticano"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 13.11.2015

 

 
Imagem Adoração do bezerro de ouro (det.) | Nicolas Poussin | National Gallery, Londres, Reino Unido
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