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Quaresma, tempo de surpresa e de luz

Quaresma, tempo de surpresa e de luz

Imagem Transfiguração | Igreja da Transfiguração, Israel | irisphoto3/Bigstock.com

A Quaresma surpreende-nos: consideramo-la um tempo penitencial, de sacrifícios, de renúncia, e no seu segundo domingo espanta-nos com um Evangelho repleto de sol e de luz, que infunde energia, dá asas à nossa esperança (Mateus 17, 1-9).

Jesus toma consigo três discípulos e sobe a um alto monte. Os montes são como indicadores apontados para o mistério e para a profundidade do cosmo, dizem que a vida é uma ascensão para mais luz, mais céu. E ali se transfigurou à frente deles, o seu rosto brilhou como o sol e as vestes como a luz.

A exclamação pasmada de Pedro - que belo é estarmos aqui, não nos vamos embora... - é própria de quem pôde espreitar por um instante dentro do Reino. Não só Jesus, não só o seu rosto e as suas vestes, mas naquele monte cada coisa é iluminada. S. Paulo escreve a Timóteo uma frase belíssima: Cristo veio e fez resplandecer a vida. Não só a face e as vestes, não só os discípulos ou os nossos sonhos, mas a vida, aqui, agora, a vida de todos.

Reacendeu a chama das coisas. Instilou nas veias do mundo fragmentos de estrelas. Deu esplendor e beleza à existência. Deu sonhos e canções belíssimas ao nosso peregrinar de homens e mulheres. Bastaria repetir sem cessar: fez resplandecer a vida, para reencontrar a verdade e a alegria de acreditar neste Deus, fonte inesgotável de canto e de luz. Força mansa e poderosa que aperta a nossa vida para nela abrir janelas de céu.



Jesus, com o rosto de sol, é uma imagem a conservar e a guardar na viagem para Jerusalém, viagem duríssima e inquietante, como sinal de esperança e de confiança. Deve guardar-se para o dia mais escuro, quando o seu rosto for atingido, desfigurado, ultrajado



Nós, que somos uma gota de luz guardada numa concha de argila, que podemos fazer para dar estrada à luz? A resposta é oferecida pela voz: Este é o meu Filho, escutai-o. O primeiro passo para se ser contagiado pela beleza de Deus é a escuta, dar tempo e coração ao seu Evangelho.

O entusiasmo de Pedro faz-nos, além disso, compreender que a fé, para ser forte e viva, deve resultar de um espanto, de um enamoramento, de um «ah, que belo!» gritado de coração cheio. Porque acredito? Porque Deus é o mais belo que encontrei, porque acreditar é adquirir beleza de viver. Acreditar que é belo amar, ter amigos, explorar, criar, semear, porque a vida tem sentido, encaminha-se para um bom desfecho, que começa aqui e flui na eternidade.

Aquela visão no cimo do monte deverá permanecer viva e pronta no coração dos apóstolos. Jesus, com o rosto de sol, é uma imagem a conservar e a guardar na viagem para Jerusalém, viagem duríssima e inquietante, como sinal de esperança e de confiança. Deve guardar-se para o dia mais escuro, quando o seu rosto for atingido, desfigurado, ultrajado.

No auge da prova, um fio terá ligado os dois rostos de Jesus. O rosto que no monte jorra luz e que na última noite, no monte das Oliveiras, destilará sangue. Mas também agora, recordemos: por fim ver-se-á a luz. «Na cruz já respira, nua, a ressurreição.»



 

Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Trad.: SNPC
Publicado em 09.03.2017

 

 
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