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Quantidade de segundos regressos à Igreja é muito grande, diz Tolentino Mendonça

Quantidade de segundos regressos à Igreja é muito grande, diz Tolentino Mendonça

Imagem José Tolentino Mendonça | Enric Vives-Rubio/Público | D.R.

As pessoas estão hoje disponíveis «para dar uma segunda oportunidade ao discurso religioso» e à Igreja, considera José Tolentino Mendonça em entrevista publicada hoje no Público e na Renascença, que o qualificam de «padre-poeta que gosta de construir pontes entre crentes e não-crentes, entre fé e pensamento».

«São pessoas que nasceram num ambiente católico e que se distanciaram por uma crise no processo de transmissão, por um qualquer acidente biográfico de percurso, por uma crise de pertença em relação à Igreja. Mas hoje, perante o discurso do papa Francisco, apresentam-se sensibilizadas e disponíveis para o ouvir e para buscar a Igreja», afirma o primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O vice-reitor da Universidade Católica e responsável pela Capela do Rato, em Lisboa, evoca «a quantidade de pessoas que estão tocadas pelo exemplo do papa Francisco e que no contar da sua biografia, da sua itinerância, referem o Papa Francisco e o seu discurso como uma palavra de hospitalidade que permitiu o clique, o momento do repensamento e da transformação, ou que fez acordar de novo o desejo de uma revelação espiritual».

«Haver uma espécie de lugar de portas abertas para um primeiro acolhimento, uma espécie daquilo que o papa Francisco usa habitualmente como metáfora da Igreja — um "hospital de campanha" —, é alguma coisa que ao longo dos anos a Capela do Rato, como aposta da Igreja de Lisboa, tem sido», assinala.



«Como diz o Evangelho, “se alguém te pede para caminhar uma milha, caminha duas”. É essa disponibilidade para um caminho longo que, no desafio do Papa Francisco, a Igreja tem que ter»



Depois de os jornalistas terem mencionado a importância das «periferias» para o papa e sugerirem que a atitude católica tem de mudar, por exemplo em relação à «comunidade gay» e aos «casais recasados», o biblista frisa que «a Igreja tem de realizar como experiência central da sua missão o acolhimento».

«O acolhimento da Igreja não é ideológico, não parte de uma ideia. Parte das vidas concretas das pessoas, mostrando-se disponível para fazer o caminho com cada uma, o caminho necessário. E, como diz o Evangelho, “se alguém te pede para caminhar uma milha, caminha duas”. É essa disponibilidade para um caminho longo que, no desafio do Papa Francisco, a Igreja tem que ter», explica Tolentino Mendonça.

O «espírito missionário não é apenas partir para territórios de missão distantes. Ele vive-se hoje no meio da cidade, nesse espaço cheio de fronteiras e cheio de muros invisíveis e de bloqueios existenciais em que hoje os cristãos são chamados a ter uma consciência renovada e a criar efetivamente uma cultura de acolhimento. Ninguém pode ser excluído do amor e da misericórdia de Cristo. E essa experiência de misericórdia tem de ser levada a todos. Sejam os cristãos recasados, feridos por experiências matrimoniais de naufrágio, seja a realidade das novas famílias, sejam as pessoas homossexuais, que na Igreja têm de encontrar um espaço de auscultação, de acolhimento e de misericórdia», sublinha.



O estímulo a «abraçar uma tarefa de formação, de transmissão de valores, de apaixonar as novas gerações pela causa pública e pela nobreza da vida política» é «um trabalho que a Igreja tem de fazer com maior intensidade»



Questionado sobre a relevância da identidade católica em António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa, realça que «é um desafio» para a Igreja ser «uma escola do compromisso político. E ser um lugar de acompanhamento próximo da realidade, sobretudo no trabalho com os mais jovens, no sentido de gerar uma sensibilidade humana para que depois, na diversidade do espetro político, um determinado ADN de valores esteja presente».

O estímulo a «abraçar uma tarefa de formação, de transmissão de valores, de apaixonar as novas gerações pela causa pública e pela nobreza da vida política» é «um trabalho que a Igreja tem de fazer com maior intensidade», retomando a «bandeira muito expressiva do viver cristão» que ocorreu no catolicismo em Portugal durante as décadas de 60 e 70.

Referindo-se ao anúncio do fim do Teatro da Cornucópia, em Lisboa, Tolentino Mendonça afirma que tem «uma dívida muito grande de gratidão» por aquilo que a companhia de Luís Miguel Cintra e Cristina Reis lhe ofereceu.



 

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