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Quando abraçar uma criança é abraçar Deus: Meditação sobre o Evangelho de domingo

Imagem Jesus abençoa as crianças | Lucas Cranach, o Velho | C. 1540 | The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, EUA

Quando abraçar uma criança é abraçar Deus: Meditação sobre o Evangelho de domingo

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-lo; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará».
Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar.
Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?».
Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior.
Então, Jesus sentou-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos».
E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber não me recebe a mim, mas àquele que me enviou». (Marcos 9, 30-37, Evangelho do 25.º Domingo do Tempo Comum)

O Evangelho, que nos surpreende com palavras raras, entrega-nos três nomes de Jesus que vão contracorrente - último, servidor, criança -, muito longe da ideia de um Deus omnipotente e omnisciente que herdámos.

O contexto. Jesus está a falar de coisas absolutas, de vida e de morte, está a contar aos seus melhores amigos que em breve será morto, está com o grupo dos mais confiáveis, e eis que eles não o ouvem, desinteressam-se da tragédia que cai sobre o seu mestre e amigo, todos tomados apenas pela sua competição, pequenos homens na sua carreira: quem é o maior entre nós?

Penso na ferida que se deve ter aberto nele, na desilusão de Jesus. É desencorajador. Entre nós, entre amigos, uma indiferença assim seria uma ofensa imperdoável. Em vez disso, o Mestre dos corações, e isto é algo que nos conforta nas nossas fragilidades, não reprova os apóstolos, não os repudia, não se afasta deles, e também não se deprime.

Antes, coloca-os sob o juízo deste claríssimo e revolucionário pensamento: quem quer ser o primeiro seja o último e o servo de todos. O primado, a autoridade segundo o Evangelho deriva apenas do serviço.

Toma uma criança, coloca-a no meio, abraça-a e diz: quem acolhe um destes pequeninos, acolhe-me. É o modo magistral de Jesus dizer as relações: não se perde em críticas ou juízos, mas procura um primeiro passo possível, procura gestos e palavras que sabem educar. E inventa alguma coisa de inédito: um abraço e uma criança.

Todo o Evangelho num abraço, um gesto que perfuma de amor e que abre toda uma revelação: Deus é assim.

No centro da fé um abraço. Terno, caloroso. Ao ponto de fazer dizer a um grande homem espiritual: Deus é um beijo (Benedetto Calati).

Depois Jesus vai mais além, identifica-se com os pequenos: quem acolhe uma criança, acolhe-me. Acolher, verbo que gera o mundo como Deus o sonha.

O nosso mundo terá um futuro bom quando o acolhimento, tema incandescente hoje em todas as fronteiras da europa, for o nome novo da civilização; quando acolher ou rejeitar os desesperados, quer estejam à fronteira ou à porta da minha casa, será considerado acolher ou rejeitar próprio Deus.

o serviço for o nome novo da civilização (o primeiro se faça servo de todos).

Quando dissermos a alguém, a pelo menos um dos pequenos e dos desesperados: abraço-te, tomo-te na minha vida. Então, apertando-o a ti, sentirás que estás a apertar entre os teus braços o teu Senhor.

 

Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 18.09.2015

 

 
Imagem Jesus abençoa as crianças | Lucas Cranach, o Velho | C. 1540 | The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque, EUA
O nosso mundo terá um futuro bom quando o acolhimento, tema incandescente hoje em todas as fronteiras da europa, for o nome novo da civilização; quando acolher ou rejeitar os desesperados, quer estejam à fronteira ou à porta da minha casa, será considerado acolher ou rejeitar próprio Deus
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