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Profeta Isaías denunciou injustiças sociais mas «não era comunista», recorda papa Francisco

Imagem Jorge Pinto encarna a personagem do "Avarento", na peça homónima de Molière | Foto: Susana Neves | © Teatro Nacional de São João

Profeta Isaías denunciou injustiças sociais mas «não era comunista», recorda papa Francisco

A denúncia da sede de poder e de riqueza que esmaga tudo e todos que lhe façam frente constituiu o centro da catequese que o papa proferiu hoje, no Vaticano, que continuou a meditação sobre a misericórdia na Bíblia.

«Ai de vós, os que juntais casas e mais casas, e que acrescentais campos e mais campos, até que não haja mais terreno, e até que fiqueis os únicos proprietários em todo o país»: este trecho, extraído do livro bíblico de Isaías (5,8), levou Francisco a recordar, logo após a proferir a citação, que o profeta «não era comunista».

O papa sublinhou que Deus «é maior que a malvadez e que os jogos sujos feitos pelos seres humanos», depois de ter frisado que «se se perde a dimensão do serviço, o poder transforma-se em arrogância e torna-se domínio e subjugação».

«As riquezas e o poder são realidades que podem ser boas e úteis ao bem comum, se colocadas ao serviço dos pobres e de todos, com justiça e caridade. Mas quando, como demasiadas vezes acontece, são vividas como privilégio, com egoísmo e prepotência, transformam-se em instrumentos de corrupção e morte», apontou.

À semelhança do que já ocorria em tempos remotos, como relata a Bíblia, continua a haver «poderosos que para terem mais dinheiro exploram os pobres», como sucede com o «tráfico de pessoas, o trabalho escravo, a pobre gente que trabalha à margem dos direitos laborais com o mínimo», bem como com os «políticos corruptos que querem sempre mais e mais e mais».

Francisco criticou o «exercício de uma autoridade sem respeito pela vida, sem justiça, sem misericórdia», quando o poder se torna «cupidez que quer possuir tudo», e afirmou que «o mal realizado deixa os seus traços dolorosos, e a história humana carrega as suas feridas».

Em pleno Ano da Misericórdia, que a Igreja católica assinala até novembro, o papa lembrou que Deus aceita o «arrependimento» dos «poderosos exploradores de hoje» imitando o rei Acab, que «posto diante do seu pecado, compreende, se humilha e perde perdão».

«Jesus Cristo, com a sua proximidade e ternura, conduz os pecadores para o espaço da graça e do perdão. E esta é a misericórdia de Deus», concluiu Francisco.

Depois da catequese, o papa dirigiu-se em particular aos fiéis de várias línguas, incluindo os lusófonos: «Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis de Leiria-Fátima, Nova Oeiras e Lisboa, bem como os fiéis vindos do Brasil. Faço votos de que a vossa peregrinação quaresmal a Roma fortaleça em todos a fé e consolide, no amor divino, os vínculos de cada um com a sua família, com a comunidade eclesial e com a sociedade. Que Nossa Senhora vos acompanhe e proteja!»

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 24.02.2016

 

 
Imagem Jorge Pinto encarna a personagem do "Avarento", na peça homónima de Molière | Foto: Susana Neves | © Teatro Nacional de São João
Continua a haver «poderosos que para terem mais dinheiro exploram os pobres», como sucede com o «tráfico de pessoas, o trabalho escravo, a pobre gente que trabalha à margem dos direitos laborais com o mínimo», bem como «políticos corruptos que querem sempre mais e mais e mais»
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