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Prior de Taizé propõe que documento final do sínodo inclua carta simples para jovens à procura de sentido

Os artigos 68 e 69 do Instrumentum Laboris expressam o desejo de uma Igreja «mais relacional», capaz de «acolher sem julgar antecipadamente», uma Igreja «amiga e próxima».

Com os meus irmãos, ficamos muitas vezes surpreendidos ao ouvir os jovens que acolhemos em Taizé dizerem que se sentem «em casa» e perguntamo-nos porquê. Pode ser que, para serem verdadeiramente eles mesmos, precisem de se sentir úteis, de ver sua criatividade encorajada, de receber responsabilidades.

Então a sua sede espiritual desperta e é importante ir pacientemente, junto com eles, às fontes da fé. Eles sabem que são acolhidos por uma comunidade, em primeiro lugar na oração comunitária onde todos participam activamente, através do canto, da escuta de uma breve leitura bíblica, de um longo momento de silêncio. E muitas vezes eles aprofundam assim uma relação pessoal com Cristo.

Estamos atento a que os sinais litúrgicos evitem o formalismo, mas sejam belos e simples. Por exemplo, vemos quão profundamente os jovens participam, todas as sextas-feiras à noite, numa oração à volta da cruz, para depositar em Cristo o que é demasiado pesado para eles.

Dizemo-nos: como Cristo, escutemo-los com o coração recordando-nos que Ele já está a agir nas suas vidas - e respeitemos o santuário da sua consciência. É importante que aqueles que escutam sejam eles próprios acompanhados. Há falta de acompanhantes na Igreja: será que um ministério de escuta poderia ser confiado não só a sacerdotes, religiosos e religiosas, mas também a leigos, homens e mulheres?



«Quando a Igreja escuta, cura, reconcilia, torna-se naquilo que ela é no mais límpido de si mesma, uma comunhão de amor, de compaixão, de consolação, um claro reflexo de Cristo ressuscitado. Nunca distante, nunca na defensiva»



Em Taizé, os jovens também descobrem que a Igreja é comunhão. Sem criar um movimento organizado, nós encaminhamos sempre os jovens para suas paróquias e os seus lugares de vida. Muitos deles gostam de rezar juntos com jovens de várias confissões. Compreendem, ainda que implicitamente, o apelo de Cristo para nos reconciliarmos sem demora.

Fizemos recentemente uma experiência desta comunhão durante um encontro asiático de jovens em Hong Kong, etapa da nossa «Peregrinação de Confiança». Entre os jovens participantes, 700 puderam vir da China Continental - foi a alegria do Espírito Santo.

Gostaria ainda de fazer uma proposta concreta. Muitas vezes, o vocabulário e a maneira de falar são obstáculos que impedem muitos jovens de ouvir o que a Igreja diz. Será que o documento final poderia ser acompanhado por uma carta curta, escrita num estilo simples, dirigida a um jovem que procura um sentido para a sua vida?

Gostaria de resumir o que acabei de dizer com umas palavras do irmão Roger, o fundador da nossa comunidade: «Quando a Igreja escuta, cura, reconcilia, torna-se naquilo que ela é no mais límpido de si mesma, uma comunhão de amor, de compaixão, de consolação, um claro reflexo de Cristo ressuscitado. Nunca distante, nunca na defensiva, livre de severidades, ela pode irradiar a humilde confiança da fé até aos nossos corações humanos.»


 

Ir. Alois
In Taizé
Imagem: D.R.
Publicado em 08.10.2018

 

 
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