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Prince: Génio e «talento raro», escreve jornal do Vaticano

Imagem Prince | D.R.

Prince: Génio e «talento raro», escreve jornal do Vaticano

O jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", evoca na edição deste sábado o cantor e compositor norte-americano Prince, que morreu na quinta-feira, aos 57 anos, referindo-se-lhe como «talento raro».

«Muito raramente as músicas de Prince, um dos muitos nomes que o proteiforme [que muda frequentemente de forma] artista assumiu ao longo da sua carreira foram transmitidas pela rádio nestes últimos anos», começa por assinalar o artigo.

Para o autor do texto, Giuseppe Fiorentino, o motivo deste silêncio deveu-se ao facto de o músico de Mineeapolis ter «empreendido uma longa batalha pessoal contra as "major" discográficas e, ultimamente, também contra as mais frequentadas plataformas digitais».

«Por isso Prince foi boicotado por quem controla o mercado da música pop», ainda que agora seja provável que as estações FM toquem «de forma obsessiva algumas das suas canções, a começar por "Purple rain". Mas será uma questão de dias», prevê Fiorentino.

Passada esta breve onda nostálgica, «as razões das "major" levarão uma vez mais a melhor sobre as razões da música. E Prince voltará ao esquecimento, não obstante a sua inegável bravura, que o levou a estender-se, com extrema naturalidade, do rock ao funk, do disco ao jazz».

«O que resta dele - mais do que alguns excessos tipicamente dos anos 80 - é precisamente a genialidade com que sabia mover-se entre os diversos géneros. Um talento raro no mundo da música ligeira. Esse mundo cinzento dominado pelas "major"», conclui o autor.

O jornal católico italiano "Avvenire" sublinha que Prince «é a mais eminente personalidade» da música negra dos anos 80, depois de Michael Jackson, sendo «uma das pouquíssimas estrelas da pop a quem o adjetivo "genial" não destoa, como em centenas de outros casos». «Foi um ícone criativo e um artista eletrizante», recordou o presidente dos EUA, Barack Obama.

O pai de Prince tocava piano e a mãe cantada swing; «em suma, um predestinado, como demonstram os 7 prémios Grammy». O «cantor, compositor, ator, realizador e produtor, "Mr. Controversy", como lhe chamavam os fãs, aludindo ao título de um dos seus primeiros grandes sucessos», vendeu mais de 100 milhões de cópias.

Por seu lado, o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, citou na sua conta da rede social Twitter um excerto da música "Sometimes it snows in april": «Sometimes, sometimes I wish that life was never ending, All good things, they say, never last».

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 22.04.2016

 

 

 
Imagem Prince | D.R.
Prince «é a mais eminente personalidade» da música negra dos anos 80, depois de Michael Jackson, sendo «uma das pouquíssimas estrelas da pop a quem o adjetivo "genial" não destoa, como em centenas de outros casos»
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