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Pontifício Conselho da Cultura reuniu jovens, intérpretes e criadores de música rap, clássica e rock

Imagem Card. Gianfranco Ravasi | Museu Maxxi, Roma, 10.11.2014 | ANSA | D.R.

Pontifício Conselho da Cultura reuniu jovens, intérpretes e criadores de música rap, clássica e rock

Uma centena de estudantes de escolas secundárias de Roma reuniram-se esta segunda-feira na capital italiana para um encontro entre o presidente do Pontifício Conselho da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, e artistas de géneros musicais como o rap e o rock.

A segunda edição do Átrio dos Estudantes, iniciativa derivada do Átrio dos Gentios, estrutura que ao nível do Vaticano visa o diálogo entre crentes e não crentes no âmbito da cultura e do pensamento, decorreu no Maxxi, museu de artes do século XXI.

O cardeal Ravasi sublinhou a «ligação estreita entre religião e música», realçou que «metade da música do Ocidente é religiosa», evocou a música como «esperanto dos povos» e afirmou que «as sete notas são a escala para sair da Terra até Deus», segundo os crentes, ou, noutra linguagem, «para o mistério, o transcendente».

«Uma vez tive uma reunião com cardeais e bispos em que os fiz ouvir um grupo rock. A propósito do rap, creio que as formas musicais, sobretudo quando são uma linguagem comum, devem ser conhecidas e também interpretadas», declarou o prelado à agência Ansa.

«Não esqueçamos que quando Pierluigi da Palestrina passou do gregoriano, que era uma voz só, perfeita, celeste, à polifonia que confundia as vozes entre elas, fez uma coisa então escandalosa. E é um pouco aquilo que acontece hoje: não para a liturgia, é certo, mas para a vida quotidiana da comunidade eclesial, que está imersa não só na igreja, entre os incensos, mas que está também na praça», assinalou.

No encontro, dedicado ao tema “A música: escuta e visão”, os jovens puderam colocar questões diretamente aos artistas.

Phil Palmer, que foi guitarrista de Bob Dylan, Eric Clapton e Tina Turner, entre outros notórios cantores e bandas, falou da música como «motivo de inspiração para todos, que deve transcender as coisas feias e conduzir a uma procura de amor e de paz».

Referindo-se à ideia de que «a beleza salvará o mundo», o compositor, pianista e maestro Nicola Piovani, que ganhou um Óscar com a banda sonora do filme “A vida é bela”, exortou «o mundo a organizar-se para salvar a beleza», «a que está guardada nos museus, ou em Pompeia, ou nos teatros líricos», uma beleza que «a política se ocupa por atacado».

Para o cantautor Antonello Venditti «há uma música ligada ao poder e há uma música ligada a um pensamento de revolução»: «Tudo depende da nossa interpretação; o importante é que não se chegue ao confronto».

Venditti referiu-se ainda à crescente consciência de que a sua música não lhe pertence, mas que, de alguma forma, é «recebida», enquanto que o cantautor Roberto Kunstler falou da necessidade de uma educação que conduza crianças e jovens a serem «antenas dos sinais provenientes de outros lados».

O “rapper” Er Piotta foi o mais aplaudido pelos jovens: «A música tornou-se um passe livre para entrar em comunicação com os outros, e também para contar coisas que de outra forma não diria sequer a mim mesmo. E, por fim, foi também uma oportunidade e uma salvação: salvou-me do fastídio e de um trabalho, que os meus pais queriam para mim, que não me teria agradado».

No entender do cardeal Ravasi, falar de música é sobretudo «enfrentar o problema da linguagem, que é fundamental, como demonstra o carácter incisivo de um papa como Francisco, ligado não só à mensagem como também aos modos de a comunicar».

A «linguagem direta com os jovens» é «indispensável também para «mensagens que precisam de uma interpretação e de um aprofundamento posteriores», salientou.

 

ANSA / Rádio Vaticano
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 11.11.2014

 

 

 
Imagem Card. Gianfranco Ravasi | Museu Maxxi, Roma, 10.11.2014 | ANSA | D.R.
Não esqueçamos que quando Pierluigi da Palestrina passou do gregoriano, que era uma voz só, perfeita, celeste, à polifonia que confundia as vozes entre elas, fez uma coisa então escandalosa. E é um pouco aquilo que acontece hoje: não para a liturgia, é certo, mas para a vida quotidiana da comunidade eclesial, que está imersa não só na igreja, entre os incensos, mas que está também na praça
Referindo-se à ideia de que «a beleza salvará o mundo», o compositor, pianista e maestro Nicola Piovani, que ganhou um Óscar com a banda sonora do filme “A vida é bela”, exortou «o mundo a organizar-se para salvar a beleza», «a que está guardada nos museus, ou em Pompeia, ou nos teatros líricos», uma beleza que «a política se ocupa por atacado»
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