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«Podemos e devemos “dar a volta” à realidade», aponta patriarca de Lisboa

Imagem © Beth Moon

«Podemos e devemos “dar a volta” à realidade», aponta patriarca de Lisboa

«Podemos e devemos “dar a volta” à realidade existente – ou “convertê-la”, como cristãmente se diz», vincou o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, na missa a que presidiu no primeiro dia do ano.

Para o prelado, que o papa Francisco apontou hoje como futuro cardeal, já há quem opere reviravoltas nos contextos em que vive e trabalha, «e muitos mais se juntariam, sendo estimulados e apoiados por quem tem obrigação e encargo de o fazer, nacional e internacionalmente, no plano político e financeiro».

No «bom combate» rumo «à libertação integral de cada homem e mulher», a «linha» dos católicos «só pode ser a da frente, como parte ativa da solução e com tantas pessoas e instituições de boa vontade comprovada».  

«Assim como a liberdade espiritual nos faz libertadores dos outros, também os cativeiros de espírito nos tornam opressores dos demais, reduzidos que ficam a joguetes das nossas paixões, ou obstáculos a anular para as satisfazer», frisou na homilia proferida na igreja de Nossa Senhora do Amparo.

Quer o «realismo da experiência humana» como «a ilustração das páginas bíblicas» revelam que «quem é livre, liberta», enquanto que «quem é escravo de si mesmo torna-se opressor dos outros».

D. Manuel Clemente considera que «o problema» é «pedagógico» e «cultural»: «Trata de valores e valorizações, do que sentimos e sabemos como mais importante, para nós e para os outros, para todos e para cada um».

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa vincou a necessidade de se crescer como «pessoas»: «Seres em relação, que só reciprocamente se realizam, na medida em que o bem dos outros se torna na tarefa de cada um, experimentando nisso mesmo que a felicidade é sempre um plural, e tanto mais verdadeira quanto mais alargada».

Continuando a acentuar a vocação humana para o serviço, o patriarca recordou que as capacidades dadas a cada ser humano só se realizam plenamente quando beneficiam quem delas precisa.

«Trata-se de percebermos, à luz evangélica dos talentos distribuídos, que só pondo a render para o todo as qualidades que detemos elas se tornam realmente nossas, pois todas têm natureza e destinação social», afirmou.

Na homilia, D. Manuel Clemente denunciou as «servidões» que ainda «persistem» na sociedade: «Quando se negam ou retardam vidas autenticamente livres, por falta de reconhecimento prático do direito a nascer, a ser devidamente educado, a trabalhar e ser justamente remunerado, a constituir família com tudo o que esta requer, ao acompanhamento capaz na doença ou na velhice».

«Quando faltam tais requisitos, no todo ou em parte, faltam também as condições básicas para vidas realmente livres; e persistem pobrezas, misérias e servidões de todo o tipo», declarou.

Por seu lado, o bispo do Porto, D. António Francisco, elogiou na missa a que presidiu a 1 de janeiro a «vontade, generosidade, coragem e espírito criativo» existentes na diocese para que o tempo atual constitua uma «oportunidade» de acolher «a alegria do Evangelho» e «escola» que «eduque para a fraternidade humana».

«A capacidade empreendedora que nos orgulha e o espírito solidário que nos anima fazem do Porto e da sua alma uma terra solidária e dinâmica e uma Igreja viva e missionária», disse.

Na eucaristia que celebrou na sé do Porto, D. António Francisco louvou «a lucidez diligente dos que servem a causa pública, o espírito construtivo de empresários e trabalhadores, a clarividente sabedoria dos que ouvem os pobres, a missão evangelizadora e a atenção solícita da Igreja» e «o serviço voluntário de muitas pessoas e instituições junto dos que mais sofrem».

Estas atitudes manifestam «que a construção da justiça, da misericórdia, da fraternidade e da paz é um belo compromisso de todos e um imperativo cristão assumido», salientou.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 04.01.2015

 

 
Imagem © Beth Moon
Assim como a liberdade espiritual nos faz libertadores dos outros, também os cativeiros de espírito nos tornam opressores dos demais, reduzidos que ficam a joguetes das nossas paixões, ou obstáculos a anular para as satisfazer
Trata-se de percebermos, à luz evangélica dos talentos distribuídos, que só pondo a render para o todo as qualidades que detemos elas se tornam realmente nossas, pois todas têm natureza e destinação social
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