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Pode ser-se de Cristo sem pertencer ao grupo dos Doze

Imagem © dante1969/Fotolia

Pode ser-se de Cristo sem pertencer ao grupo dos Doze

Naquele tempo, João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de mim. Quem não é contra nós é por nós.
Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.
Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que creem em mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar.
Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga. (...) (Marcos 9, 38-43.45.47-48, Evangelho do 26.º Domingo do Tempo Comum)

Mestre, havia alguém que expulsava demónios e quisemos impedi-lo, porque não era dos nossos. Um homem, que libertava outros do mal e lhes restituía a vida, é bloqueado pelos seguidores de Jesus.

João faz-se porta-voz de uma mentalidade tacanha, feita de barreiras e de muros, para a qual não conta a vida plena do ser humano, o verdadeiro projeto de Jesus, mas a defesa identitária do grupo, o seu projeto desviado.

Colocam, portanto, a instituição antes da pessoa, as suas ideias antes do homem: o doente pode esperar, a felicidade pode aguardar.

Mas a "boa notícia" de Jesus não é um novo sistema de pensamento, é a resposta à fome de uma vida maior. O Evangelho não é uma moral, mas uma libertação perturbante.

Com efeito, Jesus surpreende os seus: qualquer um que ajude o mundo a libertar-se e a florescer é dos nossos. Semeias amor, curas as chagas do mundo, proteges a criação? Então és dos nossos. És amigo da vida? Então és de Cristo.

Quantos seguem o Evangelho autêntico, sem sequer o saber, porque seguem o amor.

Pode ser-se de Cristo sem pertencer ao grupo dos Doze.

Pode ser-se homem e mulher de Cristo sem se ser homem e mulher da Igreja, porque o Reino de Deus é mais vasto do que a Igreja, não coincide com nenhum grupo.

Então aprendamos a fruir e a agradecer o bem, seja quem for que o faça.

Aqueles não são dos nossos. Todos o repetem: os apóstolos de então e os partidos de hoje, as Igrejas e as nações perante os migrantes. Ao contrário, Jesus era o homem sem barreiras, homem sem fronteiras, cujo projeto é um só: sejam todos irmãos.

Os seres humanos são todos dos nossos e nós somos de todos, somos «amigos do género humano» (Orígenes).

Muitas vezes sentimo-nos frustrados, impotentes, o mal é demasiado forte. Jesus diz: leva o teu copo de água, confia, o pior não prevalecerá.

Se todos os milhares de milhões de pessoas levassem o seu copo de água, que oceano de amor se estenderia a cobrir o mundo. Basta um gole de água para ser de Cristo.

Mas o anúncio de Jesus faz-se mais corajoso: dar-te-ei cem irmãos, se me seguires (Mateus 19,29), e queria dizer: cem corações nos quais repousar, mas também cem lábios para dessedentar.

O Evangelho termina com palavras duras: se a tua mão, os teus pés, o teu olho te escandalizam, corta-os. Não atribuir sempre a culpa dos males aos outros, à sociedade, à infância, às circunstâncias. O mal aninhou-se dentro de ti: está no teu olho, na tua mão, no teu coração. Procura o teu mistério sombrio e converte-o.

A solução não é uma mão cortada, mas uma mão convertida. A oferecer o seu copo de água.

 

P. Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 24.09.2015

 

 
Imagem © dante1969/Fotolia
Jesus surpreende os seus: qualquer um que ajude o mundo a libertar-se e a florescer é dos nossos. Semeias amor, curas as chagas do mundo, proteges a criação? Então és dos nossos. És amigo da vida? Então és de Cristo
Não atribuir sempre a culpa dos males aos outros, à sociedade, à infância, às circunstâncias. O mal aninhou-se dentro de ti: está no teu olho, na tua mão, no teu coração. Procura o teu mistério sombrio e converte-o
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