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Pobreza, doenças e opressão não podem ser «situações permanentes», sublinha papa

Pobreza, doenças e opressão não podem ser «situações permanentes», sublinha papa

Imagem S. Francisco dá o seu manto a um pobre (det.) | Giotto | 1297-1299 | Basílica de S. Francisco de Assis, Assis, Itália

O papa recebeu hoje, no Vaticano, representantes da Cáritas Internacional, tendo-lhes afirmado que «a pobreza, a fome, as doenças, a opressão não são uma fatalidade e não podem representar situações permanentes».

«Confiando na força do Evangelho, podemos verdadeiramente contribuir para mudar as coisas, ou ao menos para as melhorar. Podemos reafirmar a dignidade de quantos esperam um sinal do nosso amor e proteger e construir juntos a nossa casa comum», frisou.

Francisco convidou os responsáveis do organismo católico de apoio social a terem «coragem profética, a refutar tudo aquilo que humilha o homem e toda a forma de exploração que o degrada».

Para cumprir os seus objetivos, os colaboradores e voluntários ao serviço da Cáritas têm como mestres os mais carenciados, a quem servem.

«Lutai contra a pobreza e, ao mesmo tempo, aprendei dos pobres. Deixai-vos inspirar e guiar pela sua vida simples e essencial, pelos seus valores, pelo seu sentido de solidariedade e partilha, pela sua capacidade de se reerguerem nas dificuldades, e sobretudo pela sua experiência vivida do Cristo sofredor, Ele que é o único Senhor e Salvador. Aprendei, portanto, também da sua vida de oração e da sua confiança em Deus», apelou.



A caridade «torna-se concreta não só na eficácia das ajudas prestadas, mas sobretudo na capacidade de fazer-se próximo, acompanhando com atitude de partilha fraterna os mais carenciados»



Depois de recordar que as Cáritas de cada país «não são agências sociais, mas organismos eclesiais que partilham a missão da Igreja», Francisco pediu à instituição que continue a realizar «pequenos e grandes sinais de hospitalidade e de solidariedade que têm a capacidade de iluminar a vida de crianças e idosos, de migrantes e refugiados à procura da paz».

Ao mencionar a campanha da Cáritas Internacional em favor dos deslocados, Francisco apontou: «Seja vosso cuidado apoiar, com renovado empenho, os processos e desenvolvimento e os caminhos de paz nos países de que estes nossos irmãos e irmãs fogem ou partem em busca de um futuro melhor».

O diálogo inter-religioso foi igualmente sublinhado pelo papa: «Sede artesãos de paz e reconciliação entre os povos, entre as comunidades, entre os crentes. Colocai em campo todas as vossas energias, o vosso empenho, para trabalhar em sinergia com as outras comunidades de fé que, como vós, colocam a dignidade da pessoa no centro da sua atenção».

A missão da Cáritas é a de «fazer resplandecer a caridade e a justiça no mundo à luz do Evangelho e do ensinamento da Igreja, envolvendo os próprios pobres para que se tornem os verdadeiros protagonistas do seu próprio desenvolvimento», acentuou Francisco.

A caridade, relembrou o papa, «torna-se concreta não só na eficácia das ajudas prestadas, mas sobretudo na capacidade de fazer-se próximo, acompanhando com atitude de partilha fraterna os mais carenciados».



 

Rui Jorge Martins
Publicado em 17.11.2016

 

 
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