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Pobreza cristã não é «ideologia», mas coração do Evangelho

Imagem Beata Madre Teresa de Calcutá | D.R.

Pobreza cristã não é «ideologia», mas coração do Evangelho

Se se elimina a pobreza do Evangelho não se pode compreender a mensagem de Jesus, afirmou o papa na missa a que presidiu hoje, no Vaticano, numa homilia em que sublinhou a injustiça de classificar de «comunistas» os padres ou bispos que falam dos pobres.

Francisco, citado pela Rádio Vaticano, lembrou que muitas vezes se ouve dizer: «Este padre fala demasiado de pobreza, este bispo fala de pobreza, este cristão, esta irmã falam de pobreza… São algo comunistas, não?».

«A pobreza está precisamente no centro do Evangelho. Se tirássemos a pobreza do Evangelho, não se perceberia nada da mensagem de Jesus», vincou.

«Já que sobressaís em tudo - na fé, na eloquência, na ciência, em toda a espécie de atenções e na caridade que vos ensinámos –, procurai também sobressair nesta obra de generosidade», apela S. Paulo à Igreja de Corinto, na primeira leitura proclamada nas missas de hoje, a partir da qual o papa baseou a sua intervenção.

No excerto bíblico, o apóstolo dirige um pedido aos cristãos de Corinto em favor da comunidade de Jerusalém, pobre de recursos materiais, mas a partir da qual se espalhou o Evangelho.

«Da pobreza vem a riqueza», prosseguiu Francisco, que explicou o fundamento da «teologia da pobreza»: «Jesus Cristo, rico como era - da riqueza de Deus -, fez-se pobre».

É daqui, assinalou o papa, que nasce a primeira bem-aventurança («Bem-aventurados os pobres de espírito»), porque «ser pobre é deixar-se enriquecer da pobreza de Cristo, e não querer ser rico com outras riquezas que não são as de Cristo».

«Quando damos ajuda aos pobres, não fazemos cristãmente obras de beneficência. Isto é bom, é humano – as obras de beneficência são coisas boas e humanas -, mas esta não é a pobreza cristã que Paulo quer, que Paulo prega», afirmou.

«A pobreza cristã é eu dar do meu, e não do supérfluo, inclusive do necessário, ao pobre, porque sei que ele me enriquece. E porque me enriquece o pobre? Porque Jesus disse que Ele mesmo está no pobre», acrescentou.

A «regra de ouro» para discernir a pobreza cristã e a confiança no Evangelho é esta: «Quando a fé não chega aos bolsos, não é uma fé genuína».

Para o papa, a pobreza «não é uma ideologia»: «É precisamente este mistério, o mistério de Cristo que se abaixou, se humilhou, se empobreceu para nos enriquecer».

O aviltamento de Cristo continua «na história da Igreja, no memorial da sua paixão, no memorial da sua humilhação, no memorial do seu abaixamento, no memorial da sua pobreza, e deste pão Ele enriquece-nos», concluiu Francisco.

 

Alessandro Gisotti
In "Rádio Vaticano"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins Publicado em 16.06.2015

 

 
Imagem Beata Madre Teresa de Calcutá | D.R.
A pobreza cristã é eu dar do meu, e não do supérfluo, inclusive do necessário, ao pobre, porque sei que ele me enriquece. E porque me enriquece o pobre? Porque Jesus disse que Ele mesmo está no pobre
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