Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Perante o terror, jovens católicos deram a resposta

Imagem Jornada Mundial da Juventude | Cracóvia, Polónia | 29.7.2016 | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Perante o terror, jovens católicos deram a resposta

A Jornada Mundial da Juventude, ajuntamento gigantesco de jovens católicos de todo o planeta que é algumas vezes ironicamente apelidada de "Woodstock" católico, teve lugar em Cracóvia, Polónia, de 26 a 31 de julho, congregando na missa por ocasião da conclusão, este domingo, três milhões de pessoas.

Consideremos o que aconteceu no mundo só durante o mês da Jornada antes da chegada do papa Francisco. Trata-se de uma lista meramente parcial.

No Bahrein, a 1 de julho, foi detonada uma bomba que matou uma mulher e três crianças. No mesmo dia homens armados dispararam, na Faixa de Gaza, para um veículo, matando um responsável religioso judeu e ferindo a mulher e criança. No dia 2 homens ligados ao grupo radical islânico al-Shabaab lançaram 11 morteiros para alvos civis na Somália, matando duas meninas de quatro e cinco anos e ferindo 19 civis. A 3 de julho, pelo menos 325 pessoas foram mortas e 245 feridas numa série de bombardeamentos coordenados em Bagdad.

Cinco agentes da polícia foram mortos em Dallas e sete ficaram feridos no dia 7, num ataque motivado pela revolta contra disparos da polícia para homens negros em vários locais dos EUA. Dois dias depois pelo menos 36 pessoas morreram e 143 ficaram feridas na sequência de ataques em Aleppo, Síria, executados por grupos terroristas rebeldes.

A 14 de julho 84 pessoas foram mortas e 308 feridas quando um tunisino de 31 anos lançou uma camioneta entre a multidão que celebrava o Dia da Bastilha, em Nice, causando também a morte do atacante. Em Baton Rouge, EUA, uma emboscada à polícia resultou na morte de três pessoas e igual número de feridos. No dia seguinte, um assalto contra uma esquadra da polícia em Almaty, Cazaquistão, levou à morte de seis pessoas e a ferimentos em oito. Em Würzburg, Alemanha, um ataque num comboio perpetrado por um afegão de 17 anos que tinha requerido asilo fez cinco feridos, dois dos quais em estado crítico, e a morte do atacante.

A 26 de julho um homem de 26 anos invadiu um hospital japonês e esfaqueou 44 pessoas, matando 19, a maioria com deficiência, e depois, cercado pela polícia, afirmou que pessoas com deficiência tinham de morrer. Na mesma data assassinos inspirados pelo Daesh cortaram o pescoço de um padre católico e feriram gravemente uma mulher numa igreja da Normandia, em França, tendo sido mortos pelas forças de segurança.

Ao todo 1843 pessoas pereceram por causa de ações terroristas em julho, de acordo com estatísticas recolhidas pela Wikipédia, não incluindo o número de incidentes em que o número de mortos é dado como "desconhecido".

Por isso quando o papa Francisco fala de uma guerra mundial que se combate de forma fragmentada, logo se compreende que a imagem não é fantasiosa, mas é uma descrição brutalmente precisa da realidade contemporânea.

No contexto desta carnificina e deste aparente contágio de loucura, onde é que a esperança pode ser encontrada? Com toda a honestidade, a última semana de julho construiu um eloquente fundamento para a esperança com a Jornada Mundial da Juventude.

Porquê? Em primeiro lugar porque o espírito de Cracóvia foi inexoravelmente otimista. Enquanto o Daesh e outras organizações terroristas conseguem recrutar pequenos números de jovens para as suas campanhas mortíferas, centenas de milhares de jovens católicos de todo o planeta juntaram-se nas ruas de uma importante cidade europeia esta semana e não deixaram destruição para trás, antes imagens indeléveis de amizade e fraternidade.

Depois, porque a Jornada Mundial da Juventude seguiu em frente apesar dos receios sobre ameaças de segurança. A presença da polícia e militares ao longo da semana foi palpável mas nunca arrogante ou fonte de distração, e todas as noites, pela madrugada, jovens foliões encheram as praças e parques da cidade como se tivessem ganho o Campeonato do Mundo.

Com efeito, esta foi uma vasta multidão de jovens que amam, que cuidam e que são positivos a dizerem ao Daesh e a outros causadores do caos no início do século XXI que «recusamos ser aterrorizados».

Ao invés de outros cenários de mobilizações de larga escala que se podem imaginar, os níveis do crime em Cracóvia caíram esta semana, as recolhas de lixo decresceram porque os jovens peregrinos deitavam fora o lixo eles próprios, e os habitantes locais sorriam e ficavam encantados com a energia positiva que fluía por toda a cidade.

Finalmente, estes jovens exalaram uma visão diferente para o futuro da humanidade, baseada numa solidariedade global, respeitando diferenças de classe, raça e cultura sem as verem como divisórias, e abraçaram a religião não como o problema mas como a fonte da solução.

«A nossa resposta a mundo em guerra tem um nome: chama-se fraternidade, chama-se irmandade, chama-se comunhão, chama-se família», disse o papa Francisco a cerca de um milhão de jovens reunidos para uma vigília de oração no sábado à noite.

«Alegramo-nos pelo facto de virmos de culturas diferentes e nos unirmos para rezar. Que a nossa palavra melhor, o nosso melhor discurso seja unirmo-nos em oração», afirmou.

Isto pode soar como retórica oca, mas se tivesse estado nas ruas e praças de Cracóvia no fim de julho, perceberia que não se trata de um artifício ou de uma aspiração piedosa, mas o coração vivo e pulsante de um genuíno exército jovem - neste caso, um exército que não se dedica à violência ou ao ódio, mas à esperança.

 

John L. Allen Jr
In "Crux"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 31.07.2016

 

 
Imagem Jornada Mundial da Juventude | Cracóvia, Polónia | 29.7.2016 | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
No contexto da carnificina e deste aparente contágio de loucura, onde é que a esperança pode ser encontrada? Com toda a honestidade, a última semana de julho construiu um eloquente fundamento para a esperança com a Jornada Mundial da Juventude
Enquanto o Daesh e outras organizações terroristas conseguem recrutar pequenos números de jovens para as suas campanhas mortíferas, centenas de milhares de jovens católicos de todo o planeta juntaram-se nas ruas de uma importante cidade europeia esta semana e não deixaram destruição para trás, antes imagens indeléveis de amizade e fraternidade
Estes jovens exalaram uma visão diferente para o futuro da humanidade, baseada numa solidariedade global, respeitando diferenças de classe, raça e cultura sem as verem como divisórias, e abraçaram a religião não como o problema mas como a fonte da solução
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Evangelho
Vídeos