Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Pentecostes: Sopro de Deus para a vida do mundo

Pentecostes: Sopro de Deus para a vida do mundo

Imagem "Pentecostes" (det.) | El Greco | C. 1596 | Museu do Prado, Madrid, Espanha

A Palavra de Deus narra de quatro formas a vinda do Espírito Santo, para nos dizer que Ele, a respiração de Deus, não suporta esquemas.

No Evangelho o Espírito vem como presença que consola, leve e brando como um respiro, como o batimento do coração.

Nos Atos dos Apóstolos vem como energia, coragem, ribombar que escancara as portas e as palavras. Enquanto tu estás obstinado em traçar os limites da casa, Ele abre janelas, abre-te diante do mundo, chama para mais além.

Segundo Paulo, vem como dom diferente para cada um, beleza e genialidade de cada cristão.

E uma quarta narrativa está no versículo de um Salmo: do teu Espírito, Senhor, está repleta a Terra. Toda a Terra. Está repleta, e não apenas tocada pelo vento de Deus, mas cheia: está inundada, transborda, não há nada nem ninguém sem a pressão mansa e poderosa do Espírito de Deus, que leva pólenes de primavera ao seio da história e de todas as coisas. «Que faz viver e santifica o universo», como rezamos na Eucaristia.

Quando estavam fechadas as portas do lugar onde os apóstolos se encontravam, por medo dos judeus, eis que acontece algo que vira do avesso a sua vida, que inverte aquele grupinho bloqueado atrás de portas cerradas. Alguma coisa transformou homens titubeantes pela angústia em pessoas dançantes de alegria, inebriadas de coragem: é o Espírito, chamada que reacende as vidas, vento que alastra, terramoto que faz cair as construções frágeis, desacertadas, e deixa de pé só aquilo que é verdadeiramente sólido. Aconteceu o Pentecostes e desbloqueou-se a vida.

Na tarde da Páscoa, quando estavam fechadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio dos seus e disse: paz! O abandonado regressa àqueles que o tinham abandonado. Não acusa ninguém, desencadeia processos de vida; gere a fragilidade dos seus com um método humaníssimo e criativo: assegura-lhes que o seu amor por eles está intacto (mostra-lhes as mãos chagadas e o lado aberto, feridas de amor); sublinha a sua confiança obstinada, ilógica e total neles (como o Pai me enviou, Eu vos envio). Vós como Eu. Vós e não outros. Ainda que me tenham deixado só, Eu continuo a acreditar em vós, e não desisto de vós.

E por fim oferece ainda mais: sopra sobre eles e diz: recebei o Espírito Santo. O Espírito é a respiração de Deus. Naquela sala fechada, naquela situação asfixiante, entre a respiração ampla e profunda de Deus, o oxigénio do Céu. E como no princípio o Criador soprou o seu hálito de vida sobre Adão, assim Jesus sopra agora vida, transmite aos seus aquilo que o faz viver, esse princípio vital e luminoso, essa intensidade que fazia diferente, que fazia único a sua maneira de amar e escancarava horizontes.

 

Leituras do Domingo de Pentecostes: Atos 2, 1-11; Salmo 103 (104), 1ab e 24ac.29bc-30.31.34; 1 Cor 12, 3b-7.12-13; João 20, 19-23



 

Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Publicado em 04.06.2017

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos