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Peço a graça de desejar ver os responsáveis do Daesh junto de Deus: Arcebispo de Rouen fala de paz e do padre Hamel

Imagem D. Dominique Lebrun | D.R.

Peço a graça de desejar ver os responsáveis do Daesh junto de Deus: Arcebispo de Rouen fala de paz e do padre Hamel

O arcebispo da arquidiocese francesa de Rouen, onde o padre Jacques Hamel foi assassinado, pediu hoje a Deus a graça de desejar encontrar os responsáveis do Daesh, o autodenominado "Estado Islâmico", no Reino dos Céus.

A insistência no diálogo e na concórdia, não obstante a violência, que não é possível alcançar só com as forças humanas, foi a principal linha de pensamento do testemunho prestado por D. Dominique Lebrun durante o primeiro dia do encontro "Sede de paz: religiões e culturas em diálogo", que decorre até terça-feira na cidade italiana de Assis.

A intervenção, na íntegra:

«A Providência conduziu-me a Assis algumas semanas após o assassinato do padre Jacques Hamel, no fim da missa, por dois jovens que se reclamavam da sua fé muçulmana. Sim, o espíito de Assis está bem presente e ele dá fruto um pouco por todo o lado. Mas eis que o mistério do Mal nos parece submergir e vem perturbar este caminho. Aqui, gostaria de pedir a graça de continuar o caminho do diálogo, um diálogo que seja mais forte e mais verdadeiro, mais interior. Peço quatro graças:

1. Peço a Deus, pela intercessão de S. Francisco e do padre Jacques Hamel, a graça do perdão. Perdoar os assassinos? Não é tão difícil perdoar dois assassinos, mas aqueles que os comandam, encorajam, aprovam, isso é mais difícil. Que a Palavra de Jesus se cumpra: "Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem" (Lucas 23, 34).

2. Quando os responsáveis do Daesh são mortos por bombardeamentos, qual é o meu pensamento: têm o que merecem? Ufa, mais alguns que foram eliminados? Ou antes o que é que vai acontecer para eles quando aparecerem diante de Deus? Serei capaz de rezar pela sua salvação, de os amar? Peço a graça de os amar como irmãos, isto é, de desejar encontrá-los no Reino dos Céus. Que a Palavra de Jesus nos estimule: "Eu digo-vos: amai os vossos inimigos" (Mateus 5, 44).

3. O padre Jacques pertence à linhagem dos mártires. Ele é beato, disse o papa Francisco. Ainda não foi beatificado. Tenho recebido cartas a pedi-lo. Alguns incitam-me a pedir a dispensa de cinco anos. Peço a graça de que o reconhecimento do mártir não seja um estandarte erguido para combater e condenar; mas a alegria de dar graças pelo dom de um padre que deu a sua vida como Cristo. Que a Palavra de Jesus me habite: "Deus enviou o seu Filho único... não para julgar o mundo, mas para que por Ele, o mundo seja salvo" (João 3, 17).

4. Por fim, peço a graça de um diálogo em verdade com os meus amigos muçulmanos.

Surgem perguntas sobre a possibilidade de convivência. Na vida social e familiar é tudo compatível entre as nossas religiões.

Gostaria também de interrogar com um respeito infinito o que eles chamam a sua submissão a um Deus que está acima da humanidade. O que entendem de Deus não é de um absoluto tal que toda a realidade, inclusive a vida humana, não tem, em comparação, nenhuma importância?

Gostaria, ao mesmo tempo de dar testemunho da minha fé em Deus que se fez homem em Jesus: Ele entrou na humanidade, e dessa forma nos seus limites. Que belo mistério, que eleva o homem à dignidade divina e que, ao mesmo tempo, se mistura com a sua história caótica.

Peço estas graças, não sem agradecer já por aquelas recebidas depois da oferta da vida do padre Jacques Hamel. É suficiente sublinhar a visita recebida de numerosos muçulmanos nas nossas assembleias dominicais no domingo 31 de julho. Foi uma família que fez uma visita a uma família em luto, e isso é bom. Somos da mesma família humana, e portanto prometidos à mesma família divina. Por Jesus, o Cristo.»

O papa Francisco apelou este domingo aos católicos para rezarem pela paz na próxima terça-feira, dia em que se desloca a Assis para participar no encontro "Sede de paz: religiões e culturas em diálogo".

 

Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 20.09.2016

 

 

 
Imagem D. Dominique Lebrun | D.R.
O padre Jacques pertence à linhagem dos mártires. Ele é beato, disse o papa Francisco. Ainda não foi beatificado. Peço a graça de que o reconhecimento do mártir não seja um estandarte erguido para combater e condenar; mas a alegria de dar graças pelo dom de um padre que deu a sua vida como Cristo
Peço estas graças, não sem agradecer já por aquelas recebidas depois da oferta da vida do padre Jacques Hamel. É suficiente sublinhar a visita recebida de numerosos muçulmanos nas nossas assembleias dominicais no domingo 31 de julho. Foi uma família que fez uma visita a uma família em luto, e isso é bom
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