

kobby_dagan/Bigstock.com | D.R.
A segunda igreja de Ismailia, na província egípcia de Minya, que demorou pouco mais de um ano a ficar concluída, foi em parte construída com a contribuição económica da população muçulmana local.
A dedicação da nova igreja, dedicada a S. Jorge e à Virgem Maria, decorreu na última semana, tendo contado com a participação de habitantes cristãos e muçulmanos, relata a agência Fides.
O responsável municipal da povoação sublinhou que a construção da igreja é um sinal visível e concreto para fortalecer a concórdia nacional, num país onde dezenas de cristãos coptas têm perdido a vida devido a atentados contra espaços religiosos.
Na região da aldeia de Ismailia vivem cerca de 20 mil egípcios, dos quais um terço são cristãos coptas e os restantes muçulmanos sunitas.
A decisão de construir uma segunda igreja foi tomada para evitar que os cristãos se tivessem de afastar demasiadamente das suas casas para participar nas celebrações, expondo-se a agressões ou sequestros.
O "Comité de Reconciliação" local, encarregado de prevenir e resolver conflitos, aprovou em março de 2016 a construção da igreja, tendo estabelecido a área reservada para a edificação. A proposta obteve 49 votos a favor e quatro contra.
A política egípcia tem sido restritiva quanto à autorização para construir novas igrejas: «Nos últimos 60 anos tem sido aprovada uma média de duas igrejas por ano. O Egito tem menos de 2600 igrejas, resultando em uma para 5500 cristãos egípcios. (Em comparação, há cerca de uma mesquita para cada 620 muçulmanos)», refere o coletivo de advogados Coptic Solidarity.
O papa visitou o Cairo, capital do Egito, a 28 e 29 de abril, tendo sublinhado que os intervenientes no diálogo inter-religioso são chamados «a caminhar juntos, na convicção de que o futuro de todos depende também do encontro entre as religiões e as culturas».