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Pastoral da Cultura «levanta muitas questões» e desafia a Igreja

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais considera que a vasta abrangência dos temas tocados pela cultura «levanta muitas questões» e desafia a Igreja a apresentar propostas em múltiplos contextos.

«Entendendo a cultura como o Concílio [Vaticano II] a apresenta, ela é tudo. O ser humano está envolvido na cultura, é um fazedor de cultura, precisa da cultura para se exprimir e para se sentir verdadeiramente equilibrado no meio onde vive, desde os gestos, as palavras, as tradições, a forma como está, a maneira como se relaciona… Portanto, tudo no ser humano e na sociedade acaba por se manifestar em cultura», declara o bispo D. João Lavrador em entrevista à Agência Ecclesia.

O bispo de Angra explicita a sua perspetiva ao recordar que «há uma cultura erudita, ligada aos estabelecimentos de ensino, sobretudo superiores, uma cultura que tem a ver com a produção literária e congéneres, e a chamada cultura popular, que tem a ver com as tradições, com as manifestações que estão à volta de um povo, que na sua forma de se exprimir tem determinados modelos».

«É uma área que, por isso, levanta muitas questões. E para a Igreja a questão é como é que ela consegue estar, propondo a beleza do Evangelho – penso que isto é importante –, a fermentação que o Evangelho deve realizar no âmbito da cultura em todas aquelas dimensões, atingindo o ser humano na sua totalidade e na totalidade das suas expressões, desde a parte intelectual aos sentimentos, até à expressão da sua vontade, até à sua sensibilidade».

Depois de realçar que Portugal «é muito rico em termos culturais, e por isso não é a mesma coisa estar no Minho ou estar no Algarve, estar nos Açores ou na Madeira ou no centro ou em Lisboa», D. João Lavrador frisa que se trata de «diversidades culturais que têm de ter uma resposta e atuação muito próprias».

«Precisamos de ter pessoas que, aliás, já estão a atuar em âmbitos próprios de produção ou de cultivo ou de dinamização cultural existentes nas dioceses. Por isso é que nos encontramos, periodicamente, com essas pessoas, a que chamamos referentes», assinala.

Estas reuniões aprofundam um diálogo sobre «aspetos relevantes que estão hoje presentes na cultura contemporânea – uns que ajudam a desenvolver e promover a própria cultura, outros que são contrastantes e, inclusivamente, infligem rudes golpes numa cultura que se quer verdadeiramente humana e que promove a dignidade das pessoas. Tudo isto tem de ser equacionado para que, com a fermentação do Evangelho, ofereçamos um horizonte digno do ser humano».

Por seu lado, as Jornadas Nacionais da Pastoral da Cultura procuram, em cada ano, «sublinhar um dos aspetos relevantes da cultura e estudá-lo, para que os intervenientes e participantes possam reconhecer como atuar dentro daquela área», com vista a «uma atuação maior e melhor a nível das dioceses», mas também nas instituições que trabalham no meio cultural, que podem igualmente tornar-se referentes.

D. João Lavrador pronuncia-se também sobre os outros sectores da Comissão Episcopal, as Comunicações Sociais e os Bens Culturais, comenta a mensagem de Ano Novo do presidente da República, o debate sobre o financiamento dos partidos, relacionando-o com os donativos particulares e as IPSS, bem como sobre a diocese de Angra.









 

Entrevista: Paulo Rocha / Agência Ecclesia
Edição: SNPC
Imagem: Instalação "Ascensão" (det.) | Rui Chafes | Igreja de S. Cristóvão, Lisboa
Publicado em 15.01.2018

 

 
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