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«Participação criativa» da Igreja nas artes e pensamento é «fundamental»

Imagem Igreja de Notre Dame de Ronchamp, França | Arq.ª: Le Corbusier | Foto: © Rory Hyde

«Participação criativa» da Igreja nas artes e pensamento é «fundamental»

À Igreja, mais do que a «leitura» da vida cultural, exige-se um envolvimento total, defendeu o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), José Carlos Seabra Pereira, em entrevista transmitida este domingo no programa "Porta aberta", da Renascença.

«O fundamental é a nossa participação criativa, e não só crítica, na vida cultural», vincou o responsável, para quem a perspetiva cristã sobre a cultura se «distingue pela capacidade de a inscrever no horizonte de salvação» da pessoa, colocando a existência humana num «nível mais elevado de valor e de beleza».

«A cultura cristã não é outra cultura que a humana, embora seja outra maneira de olhar para ela e de a viver», afirmou no programa conduzido por Óscar Daniel e produzido por Francisca Favilla, que a emissora católica emite todos os domingos entre as 10h00 e as 11h00, antes do início da transmissão da missa.

Seabra Pereira revelou que «não estava à espera» do convite para dirigir o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, mas que, no «tempo outonal» da sua vida, é um serviço que acolhe com «entusiasmo».

«Tinha do SNPC um conhecimento não meramente exterior porque desde o início, quando esse trabalho dependia do então bispo auxiliar de Lisboa, D. Manuel Clemente, até quando o padre Tolentino Mendonça se tornou diretor, era um setor em que eu muitas vezes participava por parte do CADC [Centro Académico de Democracia Cristã]; nos anos em que fui seu presidente, ia sempre aos encontros de referentes e às jornadas da Pastoral da Cultura», referiu.

Depois de deixar a presidência daquela instituição coimbrã centenária, Seabra Pereira continuou a acompanhar o SNPC: «Beneficiava do que me era dado conhecer, o suficiente para admirar muito o trabalho que estava a ser feito. Creio que, sem desmerecimento de outros setores, a Pastoral da Cultura é, inegavelmente, um dos setores mais dinâmicos da vida da Igreja».

«Tenho grande admiração - e não é só de agora, sempre o manifestei - pelo trabalho que foi feito» no SNPC, quer pelos bispos que assumiram a sua responsabilidade, como pela «figura notável» que é Tolentino Mendonça, o seu antecessor, afirmou.

Para Seabra Pereira, a cultura é «propícia a uma irradiação do Espírito porque é, por excelência, um domínio de abertura e de diálogo, muitas vezes na fronteira», ao mesmo tempo que exige «delicadeza».

«Mesmo pensando no que têm sido os malefícios de uma laicidade mal entendida e numa derivação para a indiferença», são «inequívocos os sinais» de que «há muitos intelectuais e homens de cultura à espera de que se lhes bata à porta» para serem chamados «a outro tipo de diálogo», indicou.

O padre Tolentino Mendonça, prosseguiu Seabra Pereira, é um caso exemplar da capacidade de atrair sem nenhuma imposição, criando um diálogo na fronteira».

«Temos de acreditar que depende em grande parte de nós o podermos chamar a uma perspetiva cristã boa parte da vida cultural, o que não significa que não haja obstáculos», vincou.

«Apesar do trabalho notável que se faz na Renascença e no SNPC - basta ir ao site para as pessoas se aperceberem dessa ação quotidiana que é, ao mesmo tempo, estar aberto para olhar e chamar a si valores que aparentemente estão fora da Igreja, e conduzir a eles -, mesmo assim há quase como que uma barreira de visibilidade e de audição no espaço público» do pensamento cristão, erguida por «ignorância, inércia e, em alguns casos, má intencionalidade», sustentou.

Perante este contexto, é preciso «tentar alcançar projeções mais amplas do espírito cristão no espaço público», ultrapassando uma «visão redutora ou débil que não faz justiça ao que é a vida cultural dos cristãos», apontou.

Ao SNPC é pedido que «aumente a sua capacidade de irradiação», contribuindo para que a cultura seja um caminho para melhor se «ver, compreender e praticar a abertura e a proximidade ao rosto e ao rasto do outro».

José Carlos Seabra Pereira acolheu o convite para ser «professor visitante» no Instituto Politécnico de Macau, território que há 15 anos transitou da soberania portuguesa para a chinesa.

A lecionação, que continuará nos primeiros meses de 2015, «insere-se no plano de desenvolvimento de relações entre a Universidade de Coimbra com as instituições de ensino superior de Macau», consolidando «um processo de afirmação do ensino da língua portuguesa e de formação de professores, em articulação com uma rede de universidades da República Popular da China».

A conversa no programa "Porta aberta", com que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura colabora desde o primeiro trimestre de 2014 com uma sugestão cultural, centrou-se também no percurso de José Carlos Seabra Pereira.

As influências familiares, a vida universitária, primeiro como estudante e depois como professor, a paixão pelo futebol - foi colega, na Faculdade de Letras, do treinador Artur Jorge -, o casamento, a ação na Santa Casa da Misericórdia de Coimbra e a presidência da Federação Internacional dos Centros de Preparação para o Matrimónio foram alguns dos temas desenvolvidos na entrevista.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 29.12.2014

 

 

 
Imagem Igreja de Notre Dame de Ronchamp, França | Arq.ª: Le Corbusier | Foto: © Rory Hyde
«Mesmo pensando no que têm sido os malefícios de uma laicidade mal entendida e numa derivação para a indiferença», são «inequívocos os sinais» de que «há muitos intelectuais e homens de cultura à espera de que se lhes bata à porta» para serem chamados «a outro tipo de diálogo»
Temos de acreditar que depende em grande parte de nós o podermos chamar a uma perspetiva cristã boa parte da vida cultural, o que não significa que não haja obstáculos
«Apesar do trabalho notável que se faz na Renascença e no SNPC, há quase como que uma barreira de visibilidade e de audição no espaço público» do pensamento cristão, erguida por «ignorância, inércia e, em alguns casos, má intencionalidade»
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