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Parábola dos talentos: Dizer não ao medo e sim à confiança

Parábola dos talentos: Dizer não ao medo e sim à confiança

Imagem Rawpixel.com/Bigstock.com

«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor (…)» (Do Evangelho do 33.º Domingo do Tempo Comum, 19.11.2017, Mateus 25, 14-30).

O Evangelho está cheio de uma teologia simples, a teologia da semente, do fermento, dos inícios que hão de florir. A nós toca o trabalho paciente e inteligente de quem cuida dos rebentos e dos talentos. Deus é a primavera do cosmo, a nós cabe a tarefa de ser o verão fecundo dos frutos.

Como muitas vezes nas parábolas, um proprietário, que é Deus, consigna algo, confia uma missão e sai de cena. Confia-nos o mundo, com poucas instruções para usar, e muita liberdade. Uma só regra fundamental, a mesma dada a Adão: cultiva e protege, ama e multiplica a vida.

A parábola dos talentos é a exortação premente a ter mais medo de permanecer inerte e imóvel, como o terceiro servo, do que de errar (cf. “A alegria do Evangelho”, 49); o medo torna-nos perdedores na vida: quantas vezes renunciámos a vencer só pelo temor de acabar derrotados.

A pedagogia do Evangelho acompanha-nos, ao contrário, a realizar três passos fundamentais para o crescimento humano: não ter medo, não fazer medo, libertar do medo. Sobretudo daquele que é o pai de todos os medos, o medo de Deus.



É magnífica a nova fórmula do Matrimónio: «Eu te acolho, como meu talento, como o presente mais belo que Deus me ofereceu». Pode dizê-lo o esposo à esposa, o amigo ao amigo: tu és o meu talento!



Se lermos com atenção o seguimento da parábola, descobrimos que nos é revelado que Deus não é cobrador de impostos, um contabilista que quer de volta os seus talentos acompanhados de juros.

«Foste fiel no pouco, dar-te-ei autoridade sobre muito», diz Deus. O que os servos fizeram não só fica com eles, mas é multiplicado. Os servos vão para restituir e Deus relança: e este acrescento, este incremento de vida é exatamente a bela notícia. Esta espiral de amor que se expande é a energia secreta de tudo o que vive e que tem a sua fonte no coração bom de Deus. Tudo nos é dado como adição de vida.

Nenhuma tirania, nenhum capitalismo da quantidade: com efeito, aquele que entrega dez talentos não é mais corajoso do que aquele que dá quatro. Não há um número ideal a atingir: o que é preciso é caminhar com fidelidade a ti próprio, ao que recebeste, ao que sabes fazer, no local onde a vida de colocou, fiel à tua verdade, sem máscaras e medos. Os balanços de Deus não são quantitativos, mas qualitativos.

Por trás da imagem dos talentos estão apenas os dons de inteligência, de coração, de caráter, a minha capacidade. Esta é a mãe Terra e todas as criaturas colocadas no meu caminho são um dom do céu para mim. Cada um é talento de Deus para os outros.

É magnífica a nova fórmula do Matrimónio: «Eu te acolho, como meu talento, como o presente mais belo que Deus me ofereceu». Pode dizê-lo o esposo à esposa, o amigo ao amigo: tu és o meu talento! E o meu compromisso será cuidar de ti, ajudar-te a florescer no tempo e na eternidade.

«A essência do amor não está naquilo que é comum, está em obrigar o outro a tornar-se qualquer coisa, a tornar-se infinitamente muito, a tornar-se o melhor daquilo que se pode tornar» (R.M. Rilke).



 

Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Trad.: SNPC
Publicado em 17.11.2017

 

 
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