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Para uma Igreja amiga da humanidade

Dentro de poucos meses, a 14 de outubro, o papa Francisco canonizará Paulo VI, que morreu há 40 anos, a 6 de agosto de 1978. É um acontecimento eclesial de primeira importância. Declarar Giovanni Montini santo é reafirmar a letra e o espírito do Concílio Vaticano II (1962-1965), porque Paulo VI foi o papa do concílio. O papa que compreendeu o significado daquela assembleia na história da Igreja e soube levá-la por diante com força e medida até ao fim.

Montini foi o primeiro papa moderno. Sem diminuir nenhum outro. Era um homem da nova era, percebia que a Igreja tinha de superar o tempo dos recontros e das condenações, o tempo das lamentações e das reivindicações. Basta reler hoje com calma os seus discursos no início e no fim das várias sessões conciliares para descobrir a genial novidade que quis promover com o grande acontecimento do concílio.

Paulo VI soube ver nas aspirações do mundo contemporâneo, mais do que uma vez em contraste com a Igreja, a mão e os planos de Deus. Na fatigante e dolorosa aventura da humanidade, Paulo VI descobriu a marca de Deus e o sopro do Espírito Santo. Por isso quis que a Igreja de Jesus fosse uma Igreja amiga da humanidade, uma Igreja que celebra as conquistas e os triunfos da ciência e da técnica, uma Igreja que sabe interpretar as aspirações profundas das pessoas e dos povos, uma Igreja que escuta, que dialoga, que esclarece, que explica e retifica quando é necessário, uma Igreja, em última análise, que sabe sofrer pacientemente para defender a verdade e a justiça na vida dos seres humanos e nas relações entre os povos.



A partir do céu deve ajudar-nos a criar, passo a passo, a Igreja do Vaticano II. Uma Igreja humilde, fraterna, servidora do mundo no nome de Jesus. Uma Igreja que não condena ninguém, mas que se aproxima de todos



Desde o tempo de Paulo VI, dentro e fora da Igreja, aconteceram muitas coisas. Deus deu-nos outros papas insignes, sábios e santos, que trouxeram muitas coisas boas à vida da Igreja, seja na doutrina seja na vida pastoral. Penso que agora (…) estamos no momento certo para promover a reforma espiritual, institucional, pastoral e missionária que procurava o concílio e que Paulo VI sonhava.

O papa Francisco é o guia escrupuloso e próximo do encontro missionário da Igreja com o mundo contemporâneo que Paulo VI quis promover. A partir do céu deve ajudar-nos a criar, passo a passo, a Igreja do Vaticano II. Uma Igreja humilde, fraterna, servidora do mundo no nome de Jesus. Uma Igreja que não condena ninguém, mas que se aproxima de todos, que fala com todos, que pergunta e responde, que esclarece, que convida e propõe, uma Igreja materna que nos ajuda a todos a encontrar na vida os caminhos de Deus e da verdadeira humanidade. (…)

Com a ajuda do Senhor e do seu servo o santo padre Paulo VI, nós, cristãos (…) devemos promover, com alma, vida e coração, o crescimento de uma Igreja esboçada nos documentos do Vaticano II, uma Igreja vigorosa, formada por cristãos convertidos e convictos, dispostos a viver como membros de Jesus, filhos de Deus e cidadãos do céu, neste mundo.

Uma Igreja de cristãos devotos, alegres, generosos, amigos de todos, servidores de todos, praticantes do amor efetivo de Jesus, cristãos sem orgulho nem avidez, apoiados pela esperança da vida eterna, verdadeiramente comprometidos na construção diária e laboriosa da cidade terrena, a casa comum, onde todos encontraremos um lugar para viver em paz enquanto esperamos a vinda do Senhor.


 

Card. Fernando Sebastián Aguilar
Arcebispo emérito de Pamplona e Tudela, Espanha
In L'Osservatore Romano, 6-7.8.2018
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: Paulo VI | D.R.
Publicado em 07.08.2018

 

 

 
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