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Papa sublinha que fé é concreta e adverte para perigo de Igreja cair na «teologia do "pode-se e não se pode"»

Papa sublinha que fé é concreta e adverte para perigo de Igreja cair na «teologia do "pode-se e não se pode"»

Imagem Papa Francisco | D.R.

O papa acentuou hoje que a fé cristã se define pela sua aplicação concreta, mais do que por conceitos, e alertou a Igreja para que deixe de repetir o erro dos doutores da lei judeus e deixe de anunciar o Evangelho com inflexibilidade e dureza.

As palavras de Francisco foram proferidas na missa a que presidiu, no Vaticano, perante os nove cardeais que o aconselham mais proximamente, o denominado grupo C9, com os quais se reúne entre hoje e quarta-feira, refere a Rádio Vaticano.

Os apóstolos Pedro e João «têm coragem, têm a franqueza, a franqueza do Espírito», o que implica «falar abertamente, com coragem, a verdade, sem compromisso», e é nestes critérios que se exprime «a concretude da fé», observou o papa, que baseou a homilia na primeira leitura bíblica proclamada nas missas desta segunda-feira (Atos 4, 23-31).

«Por vezes esquecemo-nos de que a nossa fé é concreta: o Verbo [Jesus] fez-se carne, não se fez ideia: fez-se carne. E quando recitamos o Credo, todas as coisas que dizemos são concretas: "Creio em Deus Pai, que fez o Céu e a Terra, creio em Jesus Cristo que nasceu, que morreu", são tudo coisas concretas», acentuou.

A profissão de fé dos católicos não diz: «Creio que devo fazer isto, que devo fazer aquilo, que devo fazer aqueloutro», prosseguiu o papa, que acrescentou: «A concretude da fé que leva à franqueza, ao testemunho até ao martírio, que é contra os compromissos ou a idealização da fé».



«O vento sopra onde quer e ouvimos a voz, mas não se sabe de onde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito": ouve a voz, segue o vento, segue a voz do Espírito Santo sem conhecer onde terminará. Porque fez uma opção pela concretude da fé e o renascimento no Espírito»



Francisco vincou que os doutores da lei do tempo de Jesus estavam «enjaulados» numa «mentalidade racionalista, que não acabou com eles»; em vez disso, prosseguiu nas comunidades cristãs.

«Na história da Igreja, muitas vezes, ela própria condenou o racionalismo, o iluminismo, e depois caiu muitas vezes numa teologia do "pode-se e não se pode", "até aqui, até ali", e esqueceu a força, a liberdade do Espírito Santo, este renascer do Espírito que te dá a liberdade», afirmou.

A concluir, Francisco proferiu uma prece: «Peçamos ao Senhor esta experiência do Espírito que vai e vem e nos leva por diante, do Espírito que nos dá a unção da fé, a unção da concretude da fé».

«"O vento sopra onde quer e ouvimos a voz, mas não se sabe de onde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito": ouve a voz, segue o vento, segue a voz do Espírito Santo sem conhecer onde terminará. Porque fez uma opção pela concretude da fé e o renascimento no Espírito.

O Senhor nos dê a todos nós este Espírito pascal, de ir pelas estradas do Espírito sem compromissos, sem rigidez, com a liberdade de anunciar Jesus Cristo como Ele veio: em carne», frisou Francisco.



 

SNPC
Fonte: Rádio Vaticano
Publicado em 24.04.2017

 

 
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