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Papa questiona ativismo que separa pais dos filhos, faz do trabalho alienação e ignora contemplação

Marta e Maria, protagonistas do Evangelho proclamado nas missas desta terça-feira, estiveram no centro da homilia do papa durante a celebração a que presidiu, no Vaticano, em que meditou sobre a relação entre «contemplação e serviço» e frisou que o cristão deve estar «apaixonado».

Marta e Maria, irmãs de Lázaro que hospedam Jesus (cf. Lucas 10, 38-42), ensinam «como deve seguir em frente a vida do cristão», afirmou o papa, acrescentando que a primeira «escutava o Senhor», enquanto que a segunda andava «distraída» porque estava «ocupada nos serviços».

Marta é uma daquelas mulheres «fortes», capaz até de censurar Jesus por não ter estado presente no momento da morte de Lázaro, mas ao mesmo tempo é incapaz da «contemplação», de «perder tempo» fixando o olhar em Jesus, assinalou.

«Há muitos cristãos que vão ao domingo à missa, mas depois estão sempre ocupados. Não têm tempo nem para os filhos, nem sequer para brincar os filhos: é terrível isto. “Tenho tanto a fazer, estou ocupado…”», observou Francisco.



O equilíbrio entre contemplação e ação difundiu-se através do “ora et labora” da Regra de S. Bento. Os monges que seguem a regra beneditina «não estão todo o dia a olhar para o céu. Oram e trabalham»



Trata-se de pessoas, prosseguiu, que se tornam «cultores dessa religião que é o “ocupadismo”: são do grupo dos ocupados, estão sempre a fazer». «Mas detém-te, olha para o Senhor, toma o Evangelho, escuta a Palavra do Senhor, abre o teu coração. Não: sempre a linguagem das mãos, sempre.»

«Fazem o bem, mas não o bem cristão: um bem humano. A esses falta a contemplação. A Marta faltava-lhe isso. Corajosa, avançava sempre, agarrava as coisas, mas faltava-lhe a paz: perder tempo olhando o Senhor», apontou.

A vida de Maria, por seu lado, não é um «dolce fare niente»: «Ela olhava o Senhor porque o Senhor tocava-lhe o coração, e é daí, da inspiração do Senhor, que vem o trabalho que se realiza depois».

Séculos mais tarde, o equilíbrio entre contemplação e ação espalhou-se através do “ora et labora” da Regra de S. Bento. Os monges que seguem a regra beneditina «não estão todo o dia a olhar para o céu. Oram e trabalham», afirmou o papa.



«Nós, para sabermos de que lado estamos, se exageramos porque enveredamos por uma contemplação demasiado abstrata, até gnóstica, ou se estamos demasiado ocupados, devemos fazer a pergunta: “Estou apaixonado pelo Senhor?”»



Também o “apóstolo dos gentios”, antes de iniciar os fulgurantes anos de pregação, e durante a sua atividade missionária, entregava-se à oração: «Cada coisa que Paulo fazia, fazia-o com este espírito de contemplação, de olhar o Senhor. Era o Senhor que falava do seu coração, porque Paulo era um apaixonado do Senhor».

«E esta é a palavra-chave para não errar: apaixonados. Nós, para sabermos de que lado estamos, se exageramos porque enveredamos por uma contemplação demasiado abstrata, até gnóstica, ou se estamos demasiado ocupados, devemos fazer a pergunta: “Estou apaixonado pelo Senhor?”», acentuou.

Esse exame de consciência pode ser complementado com outras interrogações: «Estou seguro, estou segura de que Ele me escolheu? Ou vivo o meu cristianismo assim, fazendo coisas?». «E o coração, contempla?»

«Contemplação e serviço: este é o nosso caminho da vida. Cada um de nós pense: quanto tempo do dia dou para contemplar o mistério de Jesus? E depois: como trabalho? Trabalho tanto que parece uma alienação, ou trabalho coerente com a minha fé, trabalho como um serviço que vem do Evangelho? Far-nos-á bem pensar nisto», concluiu.


 

Gabriella Ceraso
In Vatican News
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: alphaspirit/Bigstock.com
Publicado em 09.10.2018

 

 
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