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Papa Francisco pede aos pais para não se autoexcluírem da educação dos filhos

Imagem Papa Francisco | D.R.

Papa Francisco pede aos pais para não se autoexcluírem da educação dos filhos

Os pais não se devem autoexcluir e autoexilar da educação dos filhos, mas reapropriar-se do seu papel insubstituível, afirmou hoje o papa Francisco na audiência geral que decorre habitualmente às quartas-feiras no Vaticano.

Prosseguindo a série de catequeses sobre a família, no contexto dos sínodos dos bispos sobre o tema, em outubro de 2014 e no mesmo mês deste ano, Francisco baseou-se numa das cartas de S. Paulo em que o apóstolo apela aos filhos para obedecerem aos pais e a estes para não exasperarem os filhos.

Francisco definiu como «essencial» a «natural vocação» da família na educação dos filhos, «para que cresçam na responsabilidade de si e dos outros».

Comentando a passagem bíblica de S. Paulo, o papa sublinhou a importância dos filhos serem educados «para escutar e obedecer» e de os pais não darem ordens de maneira rude, a fim de não desencorajarem os mais novos.

A tarefa educativa dos pais parece uma «constatação óbvia», mas nos tempos atuais «não faltam as dificuldades»: «É difícil educar para os pais que veem os filhos só à noite, quando regressam a casa exaustos pelo trabalho, aqueles que têm a sorte de ter trabalho».

A missão de educar é «ainda mais difícil para os pais separados», sobretudo quando os filhos são como que sequestrados, o que lhes faz «muito mal»: «O pai fala-lhe mal da mãe, a mãe fala mal do pai».

«A vós digo: nunca tomem o filho como refém. Sois separados, a vida deu-vos essa prova, mas que os filhos não sejam aqueles que transportem o peso desta separação, que não sejam usados como reféns contra o outro cônjuge», quando a atitude certa é a «mãe falar bem do pai e o pai falar bem da mãe, ainda que não estejam juntos», apontou.

O papa, que enquanto reitor de estabelecimentos de ensino e na qualidade de arcebispo de Buenos Aires tem uma vasta coletânea de intervenções sobre a educação, centrou-se seguidamente no tema da autoexclusão dos pais no acompanhamento dos filhos, a par do papel cada vez maior dos especialistas.

«A família foi acusada de autoritarismo que gera conflitos. Com efeito, abriu-se uma fratura entre família e sociedade, entre família e escola, o pacto educativo tornou-se hoje vazio, e assim a aliança educativa da sociedade com a família entrou em crise porque foi minada a confiança recíproca», sustentou.

Entre os sintomas deste fenómeno está a falta de confiança recíproca entre pais e professores: «Multiplicaram-se os denominados especialistas, que ocuparam o papel dos pais, mesmo nos aspetos mais íntimos da vida afetiva».

Estes peritos, prosseguiu, «sabem tudo: objetivos, motivações, técnicas. E os pais devem só ouvir, aprender e adequar-se»; privados do seu papel, «tendem a confiar os filhos cada vez mais aos especialistas, inclusive para os aspetos mais delicados e pessoais da sua vida», correndo o risco de «se autoexcluírem da vida dos seus filhos, o que é gravíssimo».

A intervenção do papa incluiu a evocação de um episódio de infância, quando reagiu com uma palavra imprópria à professora; esta chamou a mãe, que obrigou o menino Bergoglio a pedir desculpa à docente; mais tarde, de regresso a casa, quando já pensava que o assunto estava concluído, seguiu-se «o segundo capítulo».

«Hoje, se a professora faz uma coisa do género, no dia seguinte tem um pai, ou ambos, a repreendê-la porque os técnicos dizem que as crianças não se devem repreender assim», referiu o papa, acrescentando que «certos modelos [educativos] do passado tinham limitações, mas também é verdade que há certos erros que só os pais podem fazer».

Perante as incertezas do futuro, e estando «sequestrados pelo trabalho e pelas preocupações», a que se juntam «as novas exigências dos filhos e a complexidade da vida atual», muitos pais encontram-se como que «paralisados pelo medo de errar».

«[O problema com os filhos] não é só falar, um diálogo superficial não leva a um verdadeiro encontro da mente e do coração. Antes, procuremos compreender onde os filhos estão verdadeiramente no seu caminho. Onde está realmente a sua alma? Sabemo-lo, e sobretudo queremos sabê-lo?», questionou.

Depois de frisar que «a vida não se faz no laboratório, mas na realidade», Francisco vincou que «a boa educação familiar é a coluna vertebral do humanismo».

«É hora de os pais e mães regressarem do seu exílio» e «reassumam plenamente o seu papel educativo», disse o papa, que apelou a uma educação baseada no «amor, ternura e paciência».

A próxima Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que decorre a 29 de maio, em Fátima, com inscrições abertas a todos os interessados, vai debater o tema “Tempo de Cultura, Tempo de Família”.

 

Andrea Tornielli (Vatican Insider)
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 06.01.2016

 

 
Imagem Papa Francisco | D.R.
«A família foi acusada de autoritarismo que gera conflitos. Com efeito, abriu-se uma fratura entre família e sociedade, entre família e escola, o pacto educativo tornou-se hoje vazio»
Estes peritos, prosseguiu, «sabem tudo: objetivos, motivações, técnicas. E os pais devem só ouvir, aprender e adequar-se»; privados do seu papel, «tendem a confiar os filhos cada vez mais aos especialistas, inclusive para os aspetos mais delicados e pessoais da sua vida», correndo o risco de «se autoexcluírem da vida dos seus filhos, o que é gravíssimo»
«[O problema com os filhos] não é só falar, um diálogo superficial não leva a um verdadeiro encontro da mente e do coração. Antes, procuremos compreender onde os filhos estão verdadeiramente no seu caminho. Onde está realmente a sua alma? Sabemo-lo, e sobretudo queremos sabê-lo?»
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