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Papa pede à Igreja para não resistir ao Espírito Santo e abdicar de «posições estáticas e imutáveis»

Imagem Papa Francisco e patriarca ortodoxo Bartolomeu | Istambul | 29.11.2014 | AP | D.R.

Papa pede à Igreja para não resistir ao Espírito Santo e abdicar de «posições estáticas e imutáveis»

O papa Francisco pediu hoje aos católicos para não se oporem à ação do Espírito Santo, ainda que essa atitude implique desinstalação e fadiga, porque «é Ele que dá harmonia à Igreja».

«Trata-se de uma perspetiva de esperança, mas ao mesmo tempo laboriosa, na medida em que está sempre presente em nós a tentação de resistir ao Espírito Santo, porque transtorna, porque mexe, faz caminhar, impele a Igreja a andar em frente», afirmou na missa a que presidiu na catedral do Espírito Santo, em Istambul, Turquia.

Para a Igreja «é sempre mais fácil descansar nas próprias posições estáticas e imutáveis. Na realidade, a Igreja mostra-se fiel ao Espírito Santo na medida em que não tem a pretensão de o regular e domesticar».

A Igreja, frisou, «mostra-se também fiel ao Espírito Santo quando deixa de parte a tentação de olhar para si mesma. E nós, cristãos, tornamo-nos autênticos discípulos missionários, capazes de interpelar as consciências, se abandonamos um estilo defensivo para nos deixarmos conduzir pelo Espírito», que é «frescura, fantasia, novidade».

Depois de lembrar que o Espírito Santo suscita os múltiplos carismas na Igreja, o que «aparentemente» é motivo de «desordem» mas constitui uma «imensa riqueza», Francisco alertou para os perigos de as comunidades cristãs se enclausurarem em si mesmas.

«Quando somos nós a querer fazer a diversidade e nos fechamos nos nossos particularismos e exclusivismos, levamos a divisão; e quando somos nós a querer fazer a unidade segundo os nossos planos humanos, acabamos por levar a uniformidade e a homologação», apontou.

A abertura e o discernimento são elementos essenciais da identidade da Igreja: «As nossas defesas podem manifestar-se com o enraizamento excessivo nas nossas ideias, nas nossas forças», ou «com uma atitude de ambição e de vaidade».

Nas anteriores intervenções do papa na Turquia, com autoridades religiosas e civis, Francisco apelou ao entendimento entre islão e cristianismo, baseado nos seus pontos de convergência; a mesma mensagem foi agora dirigida para o interior das comunidades cristãs.

«Os mecanismos defensivos impedem-nos de compreender verdadeiramente os outros e de nos abrirmos a um diálogo sincero com eles. Mas a Igreja, que brota do Pentecostes, recebe o fogo do Espírito Santo, que incendeia o coração, mais do que enche a cabeça de ideias», apontou.

O «vento» do Espírito Santo, prosseguiu o papa, «não transmite um poder, mas capacita para um serviço de amor, uma linguagem que cada um é capaz de compreender».

«No nosso caminho de fé e de vida fraterna, quanto mais nos deixarmos guiar com humildade pelo Espírito do Senhor, mais superaremos as incompreensões, as divisões e as controvérsias, e seremos sinal credível de unidade e de paz», declarou o papa Francisco.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 29.11.2014

 

 
Imagem Papa Francisco | Istambul | 29.11.2014 | AP | D.R.
Nós, cristãos, tornamo-nos autênticos discípulos missionários, capazes de interpelar as consciências, se abandonamos um estilo defensivo para nos deixarmos conduzir pelo Espírito», que é «frescura, fantasia, novidade
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