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Papa sublinha que Espírito é «criativo, não repetitivo» e pede à Igreja para não se habituar às «fronteiras seguras»

Prosseguindo a nossa reflexão sobre o sacramento da Confirmação, consideremos os efeitos que o dom do Espírito Santo faz amadurecer nos crismados, levando-os a tornarem-se, por sua vez, um dom para os outros.

Recordemos que o bispo, dando-nos a unção, diz-nos «recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o Dom de Deus»; é sempre um receber para dar, nunca receber para armazenar as coisas dentro, as graças de Deus recebem-se para serem dadas. É próprio do Espírito descentrar-nos do nosso eu para abrir-nos ao "nós" da comunidade cristã, não estamos nós no centro mas somos um instrumento desse dom para os outros, como também para o bem da sociedade em que vivemos.

Completando nos batizados a semelhança a Cristo, a Confirmação une-os mais fortemente como membros vivos ao corpo místico da Igreja. A missão da Igreja no mundo avança através da contribuição de todos aqueles que dela fazem parte. Alguns pensam que na Igreja há donos, o papa, os bispos e depois os "operários", mas não é assim, a Igreja somos todos nós.

Devemos, com efeito, pensar na Igreja como num organismo vivo, composto de pessoas que conhecemos e com as quais caminhamos, e não como numa realidade abstrata e longínqua. A Confirmação vincula à Igreja universal, espalhada sobre toda a Terra, envolvendo no entanto ativamente os crismados na vida da Igreja particular a que pertencem, tendo á cabeça o bispo, que é o sucessor dos apóstolos.



Receber a paz do bispo compromete os cristãos a trabalhar para tecer a comunhão dentro e fora da Igreja, com entusiasmo e sem fazer-se paralisar por resistências. Receber a paz compromete a trabalhar para melhorar a concórdia na paróquia, favorecendo o entendimento com os outros, incluindo, e não descartando ou marginalizando



Por isso o bispo é o ministro originário da Confirmação. O facto de que, na Igreja latina, este sacramento seja ordinariamente conferido pelo bispo evidencia o seu «efeito de unir aqueles que o recebem mais estreitamente à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de testemunhar Cristo».

Esta incorporação eclesial é bem significada pelo sinal de paz que conclui o rito da crismação. O bispo diz, com efeito, a cada confirmado: «A paz esteja contigo». Recordando a saudação de Cristo aos discípulos na noite de Páscoa, repleta de Espírito Santo (...), estas palavras iluminam um gesto que «exprime a comunhão eclesial com o bispo e com todos os fiéis», nós no crisma recebemos o Espírito Santo e a paz; pensai na vossa comunidade paroquial, há o cerimonial do crisma e depois a troca da paz, que significa harmonia e caridade entre nós.

Depois, todavia, devemos evitar sair e falar mal dos outros, os mexericos e a guerra, e devemos ser homens e mulheres de paz após ter recebido o Espírito Santo. Pensai no trabalho que o Espírito Santo tem de fazer connosco, que temos este vício dos mexericos!

Receber a paz do bispo compromete os cristãos a trabalhar para tecer a comunhão dentro e fora da Igreja, com entusiasmo e sem fazer-se paralisar por resistências. Receber a paz compromete a trabalhar para melhorar a concórdia na paróquia, favorecendo o entendimento com os outros, incluindo, e não descartando ou marginalizando. Receber a paz compromete ainda a cooperar com quem é diferente de nós, conscientes de que a comunidade cristã edifica-se através de riquezas diferentes e complementares. O Espírito Santo é criativo, e não repetitivo. Os seus dons suscitam sinfonia, e não monotonia! A sua obra envolve todos aqueles que trazem em si o seu selo.



Exorto os crismados a não "engaiolar" o Espírito Santo, a não pôr resistência ao Vento que sopra para os impelir a caminhar em liberdade, a não sufocar o Fogo ardente da caridade que leva a consumir a vida por Deus e pelos irmãos



A Confirmação recebe-se uma só vez, mas o dinamismo espiritual suscitado pela santa unção persevera no tempo. Nunca terminaremos de cumprir o mandado de efundir por todo o lado o bom perfume de uma vida santa, inspirada pela fascinante simplicidade do Evangelho. Só se podem viver as bem-aventuranças evangélicas se o Espírito Santo nos impregnar com todo o seu poder e nos libertar da fraqueza do egoísmo, da preguiça, do orgulho.

Ninguém recebe a Confirmação só para si próprio, mas para cooperar com o crescimento espiritual dos outros. Só assim, abrindo-nos e saindo de nós próprios para encontrar os irmãos, poderemos verdadeiramente crescer, e não apenas iludir-nos que o fazemos. O quanto recebermos em dom de Deus deve ser efetivamente dado, para que seja fecundo, e não apenas enterrado por causa de temores egoístas, como ensina a parábola dos talentos (cf. Mateus 25, 14-30).

«Precisamos do impulso do Espírito para não sermos paralisados pelo medo e pelo cálculo, para não nos habituarmos a caminhar apenas dentro de fronteiras seguras. Recordemo-nos que o que permanece fechado fica a cheirar a humidade e faz-nos adoecer». Exorto os crismados a não "engaiolar" o Espírito Santo, a não pôr resistência ao Vento que sopra para os impelir a caminhar em liberdade, a não sufocar o Fogo ardente da caridade que leva a consumir a vida por Deus e pelos irmãos.

Que o Espírito Santo conceda a todos nós a coragem apostólica de comunicar o Evangelho, com as obras e as palavras, a quantos encontrarmos no nosso caminho - obras e palavras boas, porém -, e por favor recordai que saídos da Igreja é preciso fazer o bem, e não a destruição com a maledicência.


 

Papa Francisco
Vaticano, 6.6.2018
Trad.: SNPC
Imagem: "Dia de Pentecostes" (det.) | Jean II Restout
Publicado em 06.06.2018

 

 
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