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Papa pede arrependimento do mal feito à «casa comum» e «propósito firme de mudar de vida»

Imagem Papa Francisco | D.R.

Papa pede arrependimento do mal feito à «casa comum» e «propósito firme de mudar de vida»

O papa apelou hoje a um exame de consciência, arrependimento e confissão dos danos que estão a ser cometidos contra a criação e sugeriu obras de misericórdia, espirituais e corporais, que concretizem novas atitudes e comportamentos.

«Arrependamo-nos do mal que estamos a fazer à nossa casa comum», pediu Francisco na mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, celebrado anualmente a 1 de setembro, e que a Igreja católica assinala pelo segundo ano consecutivo.

«Neste Ano Jubilar, aprendamos a procurar a misericórdia de Deus para os pecados contra a criação que até agora não soubemos reconhecer nem confessar; e comprometamo-nos a dar passos concretos no caminho da conversão ecológica, que exige uma clara tomada de consciência da responsabilidade que temos para connosco, o próximo, a criação e o Criador», desafia o texto.

O «exame de consciência, o arrependimento e a confissão ao Pai, rico em misericórdia», conduzem os católicos a «um propósito firme de mudar de vida», o que «deve traduzir-se em atitudes e comportamento concretos mais respeitadores da criação».

A mensagem, intitulada “Usemos de misericórdia para com a nossa casa comum”, dá como exemplos práticos «fazer uma utilização judiciosa do plástico e do papel, não desperdiçar água, comida e eletricidade, diferenciar o lixo, tratar com desvelo os outros seres vivos, usar os transportes públicos e partilhar o mesmo veículo com várias pessoas».

«Não devemos pensar que estes esforços sejam demasiado pequenos para melhorar o mundo», acentua o papa, acrescentando que «o propósito de mudar de vida deve permear a maneira» como os católicos contribuem «para a construção da cultura e da sociedade».

No texto em que mais de metade das 29 citações ou alusões se refere à sua encíclica “Louvado sejas”, Francisco chama a atenção para «dívida ecológica entre o Norte e o Sul do mundo».

«A sua restituição exigiria cuidar do meio ambiente dos países mais pobres, fornecendo-lhes recursos financeiros e assistência técnica que os ajudem a gerir as consequências das mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável», aponta o papa, para quem «a proteção da casa comum requer um consenso político crescente».

Francisco regozija-se com o facto de em dezembro de 2015 ter sido aprovado o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, que «propõe o difícil mas fundamental objetivo de conter a subida da temperatura global».

«Agora, os governos têm o dever de respeitar os compromissos que assumiram, enquanto as empresas devem responsavelmente cumprir a sua parte, e cabe aos cidadãos exigir que isto aconteça e também se aponte para objetivos cada vez mais ambiciosos», alerta o papa.

O texto sugere «uma nova obra de misericórdia»: no âmbito espiritual, «o cuidado da casa comum requer a grata contemplação do mundo», que permite «descobrir qualquer ensinamento que Deus (…) quer transmitir através de cada coisa».

«Como obra de misericórdia corporal, o cuidado da casa comum requer aqueles simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo e se manifesta o amor em todas as ações que procuram construir um mundo melhor», assinala Francisco.

O texto termina com uma oração para rezar «no dia 1 de setembro em particular, e depois no resto do ano», parcialmente extraída da encíclica “Louvado sejas”:

«Ó Deus dos pobres,
ajudai-nos a resgatar os abandonados
e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos.
Ó Deus de amor, mostrai-nos o nosso lugar neste mundo
como instrumentos do vosso carinho por todos os seres desta terra.
Ó Deus de misericórdia, concedei-nos a graça de receber o vosso perdão
e transmitir a vossa misericórdia em toda a nossa casa comum.
Louvado sejais.
Ámen.»

Pelas 16h00 de hoje (hora de Portugal continental) o papa preside à oração da hora litúrgica de Vésperas, na basílica de S. Pedro, no Vaticano, no contexto da Jornada Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 01.09.2016

 

 

 
Imagem Papa Francisco | D.R.
A mensagem, intitulada “Usemos de misericórdia para com a nossa casa comum”, dá como exemplos práticos «fazer uma utilização judiciosa do plástico e do papel, não desperdiçar água, comida e eletricidade, diferenciar o lixo, tratar com desvelo os outros seres vivos, usar os transportes públicos e partilhar o mesmo veículo com várias pessoas»
«Como obra de misericórdia corporal, o cuidado da casa comum requer aqueles simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo e se manifesta o amor em todas as ações que procuram construir um mundo melhor»
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