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Papa louva «nostalgia de Deus» e critica cultura «onde só há espaço para os vencedores»

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Imagem Papa Francisco | palinchak/Bigstock.com

É a «nostalgia de Deus» que «rompe com inertes conformismos» e impele para a «procura de Deus, como os magos, nos lugares mais recônditos da história», afirmou hoje o papa, na basílica de S. Pedro, no Vaticano.

O crente com saudade de Deus tem «raízes no passado» mas vai à «procura do futuro», e por isso sai de casa em direção à «periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados», porque sabe que aí encontra aquele que procura, vincou Francisco na missa da Epifania do Senhor.

Ao sair ao encontro, o cristão «não o faz, seguramente, numa atitude de superioridade, mas como um mendigo que se dirige a alguém aos olhos de quem a Boa Nova é um terreno ainda a explorar».

Os magos que vão ao encontro de Jesus recém-nascido constituem «o retrato da pessoa crente, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração».



No lado oposto da inquietação e da busca estão aqueles que, como o rei Herodes, sentados na cadeira de um poder terreno omnipotente, têm medo de perder os privilégios



«Esta nostalgia santa de Deus brota no coração crente, porque sabe que o Evangelho não é um acontecimento do passado, mas do presente. A nostalgia santa de Deus permite-nos manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida. A nostalgia santa de Deus é a memória crente que se rebela contra tantos profetas de desgraça», acentuou Francisco.

No lado oposto da inquietação e da busca estão aqueles que, como o rei Herodes, sentados na cadeira de um poder terreno omnipotente, têm medo de perder os privilégios: «É aquela perturbação que leva a pessoa, à vista da novidade que revoluciona a história, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos».

É «a perturbação de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais além. É a perturbação que nasce no coração de quem quer controlar tudo e todos; uma perturbação própria de quem vive imerso na cultura que impõe vencer a todo o custo, na cultura onde só há espaço para os “vencedores” e a qualquer preço», prosseguiu o papa.



«Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no palácio aquilo que procuravam, mas estava noutro lugar: e não só geográfico, mas também existencial»



«Uma perturbação que nasce do medo e do temor face àquilo que nos interpela, pondo em risco as nossas seguranças e verdades, o nosso modo de nos apegarmos ao mundo e à vida», acrescentou.

A chegada ao estábulo de Belém, depois de longo caminho pelo deserto, não foi para os magos o fim da história: «Foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe».

«Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no palácio aquilo que procuravam, mas estava noutro lugar: e não só geográfico, mas também existencial», apontou Francisco.

A partir do presépio, os magos descobrem «um Deus que quer ser amado, e isto só é possível sob o signo da liberdade e não da tirania», um «Rei desconhecido – mas desejado – [que] não humilha, não escraviza, não aprisiona».



«Os magos sentiram nostalgia, não queriam mais as coisas usuais. Estavam habituados, dominados e cansados dos Herodes do seu tempo. Mas lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo»



«Descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura. Descobrir que Deus quis nascer onde não o esperávamos, onde talvez não o quiséssemos; ou onde muitas vezes o negamos. Descobrir que, no olhar de Deus, há lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua força e o seu poder se chamam misericórdia. Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!», assinalou.

A terminar a homilia, Francisco sublinhou que «os magos sentiram nostalgia, não queriam mais as coisas usuais. Estavam habituados, dominados e cansados dos Herodes do seu tempo. Mas lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo».

«Os magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus», concluiu.

Após a missa, o papa preside à oração mariana do Angelus, finda a qual os fiéis presentes na praça de S. Pedro receberão um livrinho de bolso intitulado "Ícone de misericórdia", que será entregue por pessoas sem abrigo, pobres e refugiados, juntamente com voluntários e religiosos.

Terminada a distribuição, será oferecida às pessoas necessitadas, que se estimam serem mais de 300, uma sandes e uma bebida.









 

Rui Jorge Martins
Publicado em 06.01.2017

 

 
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