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Papa lembra que tragédias não são castigo divino e pede repartição de esforços no apoio aos refugiados

Imagem Papa Francisco | D.R.

Papa lembra que tragédias não são castigo divino e pede repartição de esforços no apoio aos refugiados

A cada dia, infelizmente, as notícias reportam notícias brutais: homicídios, incidentes, catástrofes... No trecho evangélico deste domingo, Jesus faz referência a dois factos trágicos que naquele tempo tinham suscitado muito clamor: uma repressão cruenta realizada por soldados romanos no interior do templo; e o desabamento da torre de Siloé, em Jerusalém que causou dezoito vítimas.

Jesus conhece a mentalidade supersticiosa dos seus ouvintes e sabe que interpretam aquele género de acontecimentos de maneira errada. Com efeito, pensavam que se aqueles homens tinham sido cruelmente mortos, seria sinal de que Deus os tinha castigado por alguma culpa grave que teriam cometido; como se dissesse: "mereciam-no". Pelo contrário, o facto de se ter sido poupado à desgraça equivalia a sentir que tudo estava bem. Eles mereciam-no. Eu, pelo contrário, estou bem.

Jesus refuta claramente aquela visão porque Deus não permite a tragédia para punir a culpa, e afirma que aquelas pobres vítimas não eram, de maneira nenhuma, piores que outras pessoas. Em vez disso, Ele convida a extrair daqueles dolorosos acontecimentos um aviso que diz respeito a todos, porque todos somos pecadores; efetivamente diz àqueles que o tinham interpelado: «Se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo».

Ainda hoje, perante certas desgraças e eventos lutuosos, pode chegar-nos a tentação de "descarregar" a responsabilidade sobre as vítimas, ou até sobre o próprio Deus. Mas o Evangelho convida-nos a refletir: que ideia de Deus fizemos nós? Estamos mesmos convencidos de que Deus seja assim, ou aquela não é sobretudo uma projeção nossa, um deus feito "à nossa imagem e semelhança"?

Jesus, ao contrário, chama-nos a mudar o coração, a fazer uma inversão radical no caminho da nossa vida, abandonando os compromissos com o mal, e que todos o devemos fazer, as hipocrisias - penso que todos temos em nós um pouquinho de hipocrisia -, para enveredar decididamente pela estrada do Evangelho. Mas eis de novo a tentação de nos justificarmos: «De que coisa nos deveremos converter? Não somos, tudo somado, gente corajosa, não somos crentes, até suficientemente praticantes?». (...)

Infelizmente, cada um de nós assemelha-se muito a uma árvore que, durante muitos anos, deu múltiplas provas da sua esterilidade. Mas, para nossa ventura, Jesus é semelhante àquele agricultor que, com uma paciência sem limites, obtém ainda uma prorrogação para a figueira infecunda: «Deixa-a ainda este ano - diz ao proprietário - (...) Veremos se dará fruto no futuro.

Um "ano" de graça: o tempo do ministério de Cristo, o tempo da Igreja antes do seu regresso glorioso, o tempo da nossa vida, cadenciado por um certo número de Quaresmas, que nos são oferecidas como ocasiões de arrependimento e de salvação. Um tempo de Ano Jubilar da Misericórdia. A invencível paciência de Jesus (...) e a sua irredutível preocupação pelos pecadores, como deveriam provocar-nos à impaciência na relação connosco próprios. Nunca é demasiado tarde para se converter, nunca, até ao último momento. É a paciência de Deus que nos aguarda. (...) Nunca é tarde para nos convertermos. É urgente, é agora.

A Virgem Maria nos sustenha, para que possamos abrir o coração à graça de Deus, à sua misericórdia; e nos ajude a nunca julgar os outros, mas a deixar-nos provocar pelas desgraças quotidianas para fazer um sério exame de consciência e arrependimento.

[Após a oração do Angelus]

A minha oração, e também a vossa, tem sempre presente o drama dos refugiados que fogem da guerra e de outras situações desumanas. Em particular a Grécia e os outros países que, na primeira linha, estão a prestar-lhes um generoso socorro, que necessita da colaboração de todas as nações. Uma resposta conjunta pode ser eficaz e distribuir equitativamente os encargos. Para isto é preciso trabalhar com decisões e sem reserva nas negociações.

Ao mesmo tempo, recebi com esperança a notícia sobre a cessação das hostilidades na Síria, e convido todos a rezar para que essa abertura possa dar alívio à população sofredora e abra o caminho ao diálogo e à paz tão desejada.

Desejo ainda assegurar a minha proximidade ao povo das Ilhas Fiji, duramente atingido por um devastador ciclone. Rezo pelas vítimas e por quantos estão comprometidos na prestação de socorro.

 

Papa Francisco
Oração do Angelus, Praça de S. Pedro, Vaticano, 28.2.2016
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 28.02.2016

 

 
Imagem Papa Francisco | D.R.
Um "ano" de graça: o tempo do ministério de Cristo, o tempo da Igreja antes do seu regresso glorioso, o tempo da nossa vida, cadenciado por um certo número de Quaresmas, que nos são oferecidas como ocasiões de arrependimento e de salvação
A minha oração, e também a vossa, tem sempre presente o drama dos refugiados que fogem da guerra e de outras situações desumanas. Em particular a Grécia e os outros países que, na primeira linha, estão a prestar-lhes um generoso socorro, que necessita da colaboração de todas as nações. Uma resposta conjunta pode ser eficaz e distribuir equitativamente os encargos
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