Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Papa lembra mães que perdem filhos, «inconsoláveis diante de uma morte impossível de aceitar»

Papa lembra mães que perdem filhos, «inconsoláveis diante de uma morte impossível de aceitar»

Imagem AntonioGuillem/Bigstock.com

«São muitas, também hoje, as mães que choram, que não se resignam com a perda de um filho, inconsoláveis diante de uma morte impossível de aceitar», afirmou hoje o papa, no Vaticano, durante a primeira audiência geral semanal de 2017.

Perante «a tragédia da perda dos filhos, uma mãe não pode aceitar palavras ou gestos de consolação, que são sempre inadequadas, nunca capazes de aliviar a dor de uma ferida que não pode e não consente ser curada. Uma dor proporcional ao amor», vincou Francisco.

«Para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso partilhar o seu desespero; para enxugar uma lágrima do rosto de quem sofre, é preciso unir ao seu o nosso pranto. Só assim as nossas palavras podem ser realmente capazes de dar um pouco de esperança, e se não posso dizer palavras assim, chorando com a dor, é melhor o silêncio, a carícia, o gesto sem palavra», apontou.

A tristeza, por mais profunda que seja, se integrada no horizonte da fé, pode transformar-se: «Isto não é fácil de entender mas é verdade, muitas vezes na nossa vida as lágrimas semeiam esperança, são sementes de esperança».

O papa lembrou a narrativa bíblica (Mateus 2, 16-18) da matança dos meninos com menos de dois anos de idade ordenada pelo rei Herodes, que com esse gesto pretendia eliminar o recém-nascido Jesus: «Um texto que nos coloca diante da tragédia da morte de seres humanos indefesos, do horror do poder que despreza e suprime a vida».



«Quando alguém me pergunta coisas difíceis, como “porque sofrem as crianças”, eu verdadeiramente não sei como responder, digo só para olhar para o crucifixo e olhar como Deus ofereceu o seu filho»



«As crianças de Belém morreram por causa de Jesus. E Ele, Cordeiro inocente, seria depois morto, por seu turno, por todos nós. O Filho de Deus entrou na dor dos homens, não esqueçamos isto», frisou Francisco.

«Quando alguém me pergunta coisas difíceis, como “porque sofrem as crianças”, eu verdadeiramente não sei como responder, digo só para olhar para o crucifixo e olhar como Deus ofereceu o seu filho; por isso dizemos que Deus entrou na dor dos homens, partilhou-a e acolheu a morte; a sua Palavra é definitivamente palavra de consolação, porque nasce do pranto», acrescentou.

A catequese centrou-se em Raquel, esposa do patriarca Jacob e mãe dos seus filhos José e Benjamim, que morreu «ao dar à luz este segundo filho: morreu para que Benjamim vivesse», refere a síntese, em português, da intervenção de Francisco.

O profeta Jeremias «imagina Raquel, ou seja, um povo deportado em lágrimas pelos filhos que já não existem, desapareceram para sempre. Mas Deus, na sua delicadeza e no seu amor, responde ao pranto de Raquel: “Haverá recompensa para as tuas penas. Eles voltarão do país inimigo”. Precisamente pelo pranto da mãe, há ainda uma esperança para os filhos; estes voltarão a viver. As lágrimas geraram esperança: o povo regressará do exílio e poderá livremente viver, na fé, a sua relação com Deus».

Com a ressurreição de Jesus, «a morte está vencida e chega assim ao seu pleno cumprimento a profecia de Jeremias. Também as lágrimas de Maria, como as de Raquel, geram esperança e nova vida».









 

Rui Jorge Martins
Publicado em 04.01.2017

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Evangelho
Vídeos