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Papa Francisco viaja para a Turquia à procura da unidade entre cristãos

Imagem Nathalie Ritzmann (Catholic News Service) | D.R.

Papa Francisco viaja para a Turquia à procura da unidade entre cristãos

Francisco inicia hoje uma viagem de três dias que o levará a Ancara e Istambul, quase na fronteira com o Califado, numa Turquia à procura de uma identidade, entre a laicidade e o renascimento da identidade muçulmana.

O papa encontrar-se-á com o presidente, Erdogan, líderes islâmicos e refugiados iraquianos e sírios que fugiram à guerra ou à fuga das suas casas. Será a oportunidade para tornar a condenar quem abusa do nome de Deus para justificar violências e massacres, e apontar o caminho do diálogo à procura de soluções pacíficas para os conflitos no Médio Oriente.

Mas o motivo da viagem e o seu cume é a presença do bispo de Roma na sede do patriarcado ecuménico de Constantinopla, em Istambul, ao lado de Bartolomeu, o sucessor do apóstolo André, irmão de Pedro, que tem um primado honorífico sobre todas as Igrejas do mundo ortodoxo.

Que Francisco e Bartolomeu se encontrem e assinem declarações conjuntas, como acontecerá no domingo, não é uma novidade. Em maio ambos viajaram, de Roma e de Istambul, rumo a Jerusalém para assinalar em conjunto o histórico abraço de há 50 anos entre Paulo VI e Atenágoras, após séculos de divisões e de excomunhões recíprocas.

Depois daquela viagem do papa Montini, em janeiro de 1964, parecia que a unidade estava próxima. Não foi assim. Mas sem dúvida que se deram muitos passos e há a sensação de que o caminho pode ter uma nova aceleração.

Por um lado, há um papa, Francisco, que quis um governo mais colegial da Igreja – aspeto fundamental da tradição ortodoxa –, instituindo um conselho permanente de cardeais provenientes de todos os lados do mundo, e que repetiu o apelo lançado há quase 20 anos por João Paulo II, dizendo-se disposto a estudar uma forma de exercício do primado de Pedro aceitável também pelos ortodoxos.

Na outra margem há um patriarca que, como o predecessor de há meio século, faz crer firmemente no ecumenismo e trabalha para a unidade.

O diálogo entre as Igrejas de Roma e Constantinopla, se olharmos para os respetivos líderes, não poderia andar melhor. Parece evidente que se dependesse só deles, a unidade estaria à mão, sem que uma realidade absorva outra, sem que uma Igreja imponha nada à outra, segundo o que era partilhado e vivido no primeiro milénio da história cristã, quando todas as Igrejas reconheciam que a de Roma «presidia na caridade».

Na verdade, o sentimento ecuménico de Bartolomeu nem sempre é aceite e partilhado na hierarquia ortodoxa. Um evento crucial a este respeito é o concílio panortodoxo de 2016, que poderá marcar uma reviravolta no caminho para a unidade.

Uma unidade cada vez mais urgente diante das perseguições contra os cristãos, motivando o que Francisco chama de «ecumenismo do sangue»: os perseguidores, quando matam, não distinguem entre as diferentes confissões. Na declaração conjunta que o papa e o patriarca assinarão estará presente a preocupação pelos cristãos e por todas as minorias religiosas vítimas das violências e dos conflitos no Médio Oriente.

 

Programa da visita

Horário da Turquia; em Portugal continental menos 2h00

 

Sexta-feira, 28 de novembro

13h00
Chegada ao Aeroporto Esemboğa de Ancara
Receção oficial
Visita ao Mausoléu de Atatürk
Palácio presidencial: Cerimónia de boas-vindas; visita de cortesia ao presidente da República
Encontro com as Autoridades (discurso)
Audiência com o Primeiro-Ministro
Visita ao presidente dos Assuntos Religiosos no Diyanet (discurso)

 

Sábado, 29 de novembro

9h30
Partida do Aeroporto Esemboğa de Ancara

10h30
Chegada ao Aeroporto Internacional Atatürk de Istambul
Visita ao Museu de Santa Sofia
Visita à Mesquita Sultan Ahmet
Missa na catedral católica do Espírito Santo (homilia)
Oração ecuménica na igreja patriarcal de S. Jorge
Encontro privado com Bartolomeu I no Palácio Patriarcal

 

Domingo, 30 de novembro

Missa na Delegação Apostólica
Divina Liturgia na Igreja patriarcal de São Jorge (alocução)
Bênção ecumênica e assinatura da Declaração Comum (alocução)
Almoço com Bartolomeu I no Palácio Patriarcal
Saudação aos alunos do Oratório Salesiano, no Jardim da Representação Pontifícia (alocução)

16h45
Despedida no Aeroporto Atatürk de Istambul

17h00
Partida do Aeroporto Internacional Atatürk de Istambul

18h40
Chegada ao Aeroporto de Roma Ciampino

 

Andrea Tornielli
In "Vatican Insider"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 28.11.2014

 

 
Imagem Nathalie Ritzmann (Catholic News Service) | D.R.
Francisco quis um governo mais colegial da Igreja – aspeto fundamental da tradição ortodoxa –, instituindo um conselho permanente de cardeais provenientes de todos os lados do mundo, e repetiu o apelo lançado há quase 20 anos por João Paulo II, dizendo-se disposto a estudar uma forma de exercício do primado de Pedro aceitável também pelos ortodoxos
O diálogo entre as Igrejas de Roma e Constantinopla, se olharmos para os respetivos líderes, não poderia andar melhor. Parece evidente que se dependesse só deles, a unidade estaria à mão, sem que uma realidade absorva outra
Uma unidade cada vez mais urgente diante das perseguições contra os cristãos, motivando o que Francisco chama de «ecumenismo do sangue»: os perseguidores, quando matam, não distinguem entre as diferentes confissões
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