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Papa Francisco tem novo livro: “Quando orardes dizei Pai-nosso”

Papa Francisco tem novo livro: “Quando orardes dizei Pai-nosso”

Imagem Legenda | D.R.

Foi esta quinta-feira lançado em Itália o novo livro do papa, “Quando orardes dizei Pai-nosso”, transcrição de uma entrevista concedida a 4 de Agosto por Francisco ao P. Marco Pozza, capelão prisional, na estação televisiva TV2000, da Igreja católica transalpina.

Editado pela Rizzoli e a Libreria Editrice Vaticana, a obra de 144 páginas centra-se no Pai-nosso, encerrando cada capítulo com textos de Francisco que aprofundam temas cruciais envolvidos na oração, como a paternidade e o perdão, revela a Rádio Vaticano. O prefácio, que traduzimos, foi publicado na edição de hoje do jornal “L’Osservatore Romano”.

 

Prefácio
Papa Francisco

Pai: sem dizer, sem ouvir esta palavra não se pode orar. A quem oro? Ao Deus Omnipotente? Demasiado longínquo, não consigo senti-lo próximo: nem sequer Jesus o senta. A quem oro? Ao Deus cósmico? Está na moda, nestes dias, orar ao Deus cósmico; é a modalidade politeísta típica de uma cultura “light”…

Tu deves orar ao Pai! É uma palavra forte, «pai». Deves orar aquele que te gerou, que te deu a vida. Deu-a todos, certo; mas «todos» é demasiado anónimo. Deu-ta a ti, deu-ma a mim. E é também Ele que te acompanha no teu caminho, conhece toda a tua vida, o que é bom e o que não é tão bom. Se não começamos a oração com esta palavra, dita não pelos lábios mas pelo coração, não podemos rezar “como cristãos”.

Temos um Pai. Muito próximo, que nos abraça. Todos estes afãs, todas as preocupações que possamos ter, deixemo-las ao Pai: Ele sabe de que coisa temos necessidade. Mas «Pai» em que sentido?

Meu Pai? Não: Pai nosso! Porque eu não sou filho único, nenhum de nós o é, e se não posso ser irmão, dificilmente poderei tornar filho deste Pai, porque é um pai de todos.

Meu, seguramente, mas também dos outros, dos meus irmãos. E se eu não sou em paz com os meus irmãos, não posso dizer-lhe «Pai». Não se pode orar com inimigos no coração, com irmãos e inimigos no coração. Não é fácil, eu sei. «“Pai”, eu não consigo dizer “Pai”, não me vem à boca». É verdade, entendo-o. «Não posso dizer “nosso” porque o meu irmão, o meu inimigo fez-me isto, aquilo e… Tenho de ir para o inferno, não são dos meus!» É verdade, não é fácil. Mas Jesus prometeu-nos o Espírito Santo: é Ele que nos ensina, de dentro, do coração, como dizer «Pai» e como dizer «nosso». Peçamos ao Espírito Santo que nos ensine a dizer «Pai» e a poder dizer «nosso», fazendo a paz com todos os nossos inimigos.

Este livro contém o meu diálogo com o padre Marco Pozza sobre o Pai-nosso. Jesus não nos entregou esta oração para que fosse simplesmente uma fórmula com a qual nos dirigimos a Deus: com ela convida-nos a dirigirmo-nos ao Pai para nos descobrirmos e vivermos como verdadeiros filhos seus e como irmãos entre nós. Jesus faz-nos ver o que quer dizer ser amados pelo Pai e revela-nos que o Pai deseja derramar sobre nós o mesmo amor que desde a eternidade tem pelo seu Filho.

Espero que cada um de nós, então, quando disser «Pai nosso», se descubra sempre mais amado, perdoado, banhado pela orvalho do Espírito Santo e assim seja capaz de amar e perdoar à sua volta cada outro irmão, cada outra irmã. Teremos assim uma ideia do que será o Paraíso.



 

SNPC
Fontes: "L'Osservatore Romano", Rádio Vaticano
Publicado em 24.11.2017

 

 
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