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Papa recebeu Observatório Astronómico do Vaticano e destacou diálogo entre ciência e religião, crentes e não-crentes

Imagem © passmil198216/Fotolia

Papa recebeu Observatório Astronómico do Vaticano e destacou diálogo entre ciência e religião, crentes e não-crentes

O papa recebeu hoje, no Vaticano, os participantes de um simpósio organizado pelo Observatório Astronómico do Vaticano, tendo sublinhado que «a investigação científica sobre o universo pode oferecer uma perspetiva única, partilhada por crentes e não crentes, que ajude a alcançar uma melhor compreensão religiosa da criação».

Francisco recordou que o seu antecessor, o papa emérito Bento XVI, vincava que «a Igreja tem necessidade urgente de religiosos que dediquem a sua vida a estar precisamente nas fronteiras entre a fé e o saber humano, a fé e a ciência moderna».

Também hoje, o papa nomeou diretor do Observatório Astronómico do Vaticano o jesuíta Joseph Consolmagno, membro daquela instituição e presidente da Fundação do Observatório do Vaticano.

Excertos do discurso proferido na audiência, que assinalou os 80 anos do Observatório em Castel Gandolfo:

«“Deus Creatorem venite adoremus” [Deus Criador, vinde, adoremos]. Com estas palavras, inscritas no mármore sobre a parede de uma das cúpulas dos telescópios da residência papal de Castel Gandolfo [próximo de Roma], Pio XI iniciava o seu discurso a 29 de setembro de 1935, quando inaugurou o “Novo Observatório”.

Com efeito, o universo é algo mais do que um problema científico a resolver, é um mistério festivo que contemplamos na alegria e no louvor. «Todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós» (encíclica Louvado Sejas, 84). Santo Inácio de Loiola compreendia muito bem esta linguagem. Ele próprio contou que a sua maior consolação era olhar o céu e as estrelas porque isso lhe fazia sentir um enorme desejo de servir o Senhor.

Com a refundação do Observatório Astronómico em Castel Gandolfo, Pio XI estabeleceu também que a sua gestão fosse confiada à Companhia de Jesus. Em todos estes anos os astrónomos do Observatório percorreram caminhos de investigação, caminhos criativos, seguindo os passos dos astrónomos e matemáticos jesuítas do Colégio Romano, do P. Cristoph Clavius ao P. Angelo Secchi, passando pelo P. Matteo Ricci e muitos outros. Neste aniversário, é também com gosto que recordo o discurso que Bento XVI dirigiu aos padres da última congregação geral da Companhia de Jesus, em que assinalava que a Igreja tem necessidade urgente de religiosos que dediquem a sua vida a estar precisamente nas fronteiras entre a fé e o saber humano, a fé e a ciência moderna.

Nestes dias, vós, padres e irmãos, juntamente com os investigadores associados, reunistes-vos para tratar das vossas pesquisas e de temas respeitantes ao diálogo entre ciência e religião. A este propósito, S. João Paulo II afirmava: «O que é importante é que o diálogo deve continuar e progredir em profundidade e amplitude». E perguntava-se: «Está pronta a comunidade das religiões do mundo, incluindo a Igreja, a entrar num diálogo cada vez mais aprofundado com a comunidade científica, um diálogo que, salvaguardando a integridade seja da religião seja da ciência, promova ao mesmo tempo o progresso de ambas?».

No contexto do diálogo inter-religioso, hoje mais urgente que nunca, a investigação científica sobre o universo pode oferecer uma perspetiva única, partilhada por crentes e não crentes, que ajude a alcançar uma melhor compreensão religiosa da criação. Neste sentido, as Escolas de Astrofísica, que o Observatório organizou nos últimos trinta anos, são uma preciosa oportunidade em que jovens astrónomos de todo o mundo dialogam e colaboram na procura da verdade.

No vosso simpósio discutistes também a importância de comunicar que a Igreja e os seus pastores abraçam, encorajam e promovem a autêntica ciência, como sublinhava Leão XIII. É muito importante que partilheis o dom do vosso conhecimento científico do universo com as pessoas, dando de graça o que de graça recebestes.

Em espírito de gratidão ao Senhor pelo testemunho de ciência e de fé que os membros do Observatório realizaram nestas décadas, desejo encorajar-vos a continuar o caminho com os vossos colegas, e com quantos partilham o entusiasmo e o esforço da exploração do universo. É uma viagem, que fazeis também em companhia dos empregados do Observatório, dos benfeitores e amigos, e de muitas pessoas de boa vontade. Sim, todos estamos em viagem para a casa comum do céu, onde poderemos ler com jubilosa admiração o mistério do universo.»

 

Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 18.09.2015

 

 

 
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Neste aniversário, é também com gosto que recordo o discurso que Bento XVI dirigiu aos padres da última congregação geral da Companhia de Jesus, em que assinalava que a Igreja tem necessidade urgente de religiosos que dediquem a sua vida a estar precisamente nas fronteiras entre a fé e o saber humano, a fé e a ciência moderna
No vosso simpósio discutistes também a importância de comunicar que a Igreja e os seus pastores abraçam, encorajam e promovem a autêntica ciência, como sublinhava Leão XIII. É muito importante que partilheis o dom do vosso conhecimento científico do universo com as pessoas, dando de graça o que de graça recebestes
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