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Papa Francisco medita sobre a sua morte e lembra vítimas do ódio aos cristãos

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Papa Francisco medita sobre a sua morte e lembra vítimas do ódio aos cristãos

O martírio dos cristãos não pertence ao passado, porque hoje há muitos que são vítimas «de gente que odeia Jesus Cristo», afirmou hoje o papa Francisco na missa a que presidiu, no Vaticano, em que se deteve sobre a vida e morte de S. João Batista.

Tratou-se de uma das homilias mais tocantes na Casa de Santa Marta, em que o papa seguiu o Evangelho proclamado nas eucaristias desta sexta-feira (Marcos 6, 14-29), que narra a morte daquele que preparou o caminho de Jesus e o batizou.

É sobretudo quando é preso por ordem de Herodes Antipas que «o maior dos homens nascido de uma mulher» se torna «pequeno, pequeno, pequeno», observou Francisco sobre João Batista, detido por vontade de Herodíades, esposa de Filipe, irmão do monarca, que este tinha tomado por mulher.

Após uma dança que agradou aos reis e aos seus convidados, a filha de Herodíades recebeu de Herodes a promessa de que receberia tudo o que ela quisesse; ela, aconselhando-se com a mãe, pediu a cabeça de João Batista, pedido a que o rei acedeu, consternado, por não poder voltar atrás com a promessa proferida em público.

João Batista, frequentemente retratado na arte a apontar para Jesus – ou para um cordeiro -, sinal do contínuo aniquilamento de si e prefigurando a aniquilação daquele de quem era precursor, termina a sua vida «sob a autoridade de um rei medíocre, embriagado e corrupto, pelo capricho de uma bailarina e pelo ódio vingativo de uma adúltera».

«Assim acaba o grande, o maior homem nascido de mulher», vincou o papa», que acrescentou: «Quando leio este trecho, confesso que me comovo».

Francisco comentou as duas ideias que lhe surgem sempre que medita naquela passagem bíblica: «Primeiro, penso nos nossos mártires, os mártires dos nossos dias, aqueles homens, mulheres e crianças que são perseguidos, odiados, expulsos das casas, torturados, massacrados. E isto não é uma coisa do passado: hoje acontece isto».

«Os nossos mártires, que acabam a vida sob a autoridade corrupta de gente que odeia Jesus Cristo. Far-nos-á bem pensar nos nossos mártires. Hoje pensamos em Paulo Miki [que a Igreja católica evoca a 6 de fevereiro, juntamente com os seus companheiros], mas isso aconteceu no século XVII. Pensemos naqueles de hoje, de 2015», acentuou.

O caminho de João Batista, «continuamente até ao nada», faz o papa pensar no fim da sua existência: «Estamos neste caminho e vamos para a terra, onde todos acabaremos».

«Também eu acabarei. Todos nós acabaremos. Ninguém tem a vida “comprada”. Também nós, querendo ou não querendo, percorremos o caminho da aniquilação existencial da vida, e isto, pelo menos a mim, faz-me rezar para que esta aniquilação se assemelhe o mais possível a Jesus Cristo, à sua aniquilação», afirmou Francisco.

 

Alessandro De Carolis / Rádio Vaticano
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 06.02.2015

 

 
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«Os nossos mártires, que acabam a vida sob a autoridade corrupta de gente que odeia Jesus Cristo. Far-nos-á bem pensar nos nossos mártires. Hoje pensamos em Paulo Miki, mas isso aconteceu no século XVII. Pensemos naqueles de hoje, de 2015»
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