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Papa fala dos momentos felizes da vida e do que o assusta, na véspera do quarto ano da eleição

Papa fala dos momentos felizes da vida e do que o assusta, na véspera do quarto ano da eleição

Imagem Papa Francisco | Roma | 12.3.2017 | © ANSA

«A mim assusta-me quando uma pessoa é má: a malvadez das pessoas. Quando uma pessoa - porque todos temos dentro de nós as sementes da maldade, porque é o pecado que te leva a isso - escolhe ser má, isso assusta-me muito. Porque uma pessoa má pode fazer muito mal.»

Foi com estas palavras que o papa começou a responder a uma das perguntas colocada pelas crianças com que se encontrou na tarde de hoje ao chegar à paróquia de Santa Madalena de Canossa, na periferia de Roma, naquela que foi a 14.ª visita realizada à sua diocese, precisamente na véspera de completar quatro anos como sucessor de Pedro.

«Assusta-me também quando numa família, num bairro, num posto de trabalho, numa paróquia, inclusive no Vaticano, quando há os falatórios, isso assusta-me. Digo-vos uma coisa, escutai bem. Já ouvistes ou vistes na televisão o que fazem os terroristas? Colocam uma bomba e fogem, fazem isto. Uma das coisas. Os falatórios são assim: é colocar uma bomba e ir embora. E os falatórios destroem, destroem. Destroem uma família, destroem um bairro, destroem uma paróquia, destroem tudo. Mas sobretudo os falatórios destroem o teu coração. Porque se o teu coração é capaz de colocar a bomba, és um terrorista, fazes o mal escondido e o teu coração torna-se corrompido. Nunca os falatórios! Estais de acordo ou não?», questionou o papa.



«Não é fácil ser catequista, porque o catequista não só deve ensinar "coisas", deve ensinar atitudes, deve ensinar valores, muitas coisas, como se vive. É um trabalho difícil. Agradeço-vos muito, catequistas, pelo vosso trabalho. Muito obrigado»



Na sessão informal de perguntas e respostas, o pároco pede a Francisco para falar dos momentos mais belos da sua vida: «Um momento belo da minha vida era quando, criança, ia ao estádio com o meu papá; a mamã também ia, algumas vezes, ver o jogo. Naqueles tempos não havia problemas no estádio, e isso era belíssimo. Aos domingos, depois do meio-dia, depois do almoço, ir ao estádio e depois voltar a casa. Era belíssimo, belíssimo».

Uma criança interrompe a evocação das memórias de Francisco para referir a televisão, e o papa responde: «Não me agrada, é perder tempo». E retoma o fio à meada: «Outro momento belo da vida é encontrar-se com os amigos. Antes de vir para Roma encontrávamo-nos, a cada dois meses, os 10 amigos companheiros de escola que tínhamos terminado o ensino secundários juntos, terminámos aos 17 anos e continuávamos a encontrar-nos, sim, cada um com a sua família... Era belíssimo».

«E também um momento muito belo para mim - de que gosto muito - é quando posso rezar em silêncio, ler a Palavra de Deus: faz-me bem, gosto muito. São muitos os momentos belos, muitos... Não sei... Que outros momentos belos posso dizer, há tantos, tantos na minha vida... E agradeço ao Senhor», acrescentou.



«Pensai nisto, fechai os olhos, imaginai isto: à mesa a mamã, o papá, eu, o meu irmão, a minha irmã, cada um de nós como o seu próprio telemóvel, a falar. Todos falam mas falam fora: entre eles não se fala. Todos comunicam, certo? Sim, através do telemóvel, mas não dialogam. Este é o problema. A falta de diálogo. E a falta de escuta»



O papa prossegue com um agradecimento sentido aos catequistas: «O que seria a Igreja sem vós? Vós sois pilares na vida de uma paróquia, na vida de uma diocese. Não se pode conceber uma diocese, uma paróquia, sem catequistas. E isto desde os primeiros tempos, desde o tempo após a ressurreição de Jesus: havia as mulheres que ajudavam os amigos e faziam de catequistas. É uma vocação belíssima. É uma vocação belíssima. Não é fácil ser catequista, porque o catequista não só deve ensinar "coisas", deve ensinar atitudes, deve ensinar valores, muitas coisas, como se vive. É um trabalho difícil. Agradeço-vos muito, catequistas, pelo vosso trabalho. Muito obrigado. Obrigado».

Uma criança perguntou ao papa sobre o que ele pensava das novas tecnologias: «É belo porque hoje podemos comunicar em todo o lado. Mas falta o diálogo. Pensai nisto, fechai os olhos, imaginai isto: à mesa a mamã, o papá, eu, o meu irmão, a minha irmã, cada um de nós como o seu próprio telemóvel, a falar. Todos falam mas falam fora: entre eles não se fala. Todos comunicam, certo? Sim, através do telemóvel, mas não dialogam. Este é o problema. A falta de diálogo. E a falta de escuta. Ontem tive uma reunião, veio ao Vaticano um belo grupo, eram 400, mais ou menos, que pertenciam à associação "Telefone Amigo" - ouvistes falar disto? É uma associação que está disposta a escutar: se tu estás triste, se estás em depressão, ou tens um problema ou uma dúvida, podes ligar-lhes e há sempre uma pessoa disposta a escutar-te» [cf. Artigos relacionados].

Depois das crianças, Francisco encontrou-se com idosos e doentes: «Quero dizer-vos simplesmente que a doença é uma cruz - vós sabei-lo -, mas a cruz é uma semente de vida, e levando-a bem pode dar-se muita vida a muita gente que nós não sabemos; e depois, no Céu, saberemos. Agradeço-vos por levardes assim a vossa doença. Estou próximo de vós e peço-vos também para rezardes por mim, que o Senhor me dê vida espiritual, que me faça bom, que me fala um bom sacerdote para o serviço dos outros».



Ao despedir-se, já no exterior da igreja, Francisco insistiu no apelo que também é uma marca dos seus quatro anos de pontificado: «Peço-vos para rezardes por mim: preciso porque devo fazer bem o trabalho, não "assim-assim"; e para o fazer bem, é necessária a vossa oração»



A crucificação de Jesus já tinha sido evocada durante a oração do "Angelus", que Francisco recitou na Praça de S. Pedro, pelo meio-dia de Itália: «A cruz cristã não é um adorno da casa ou um ornamento a colocar, mas é um chamamento ao amor com que Jesus se sacrificou para salvar a humanidade do mal e do pecado. Neste tempo de Quaresma, contemplemos com devoção a imagem do crucifixo, Jesus na cruz: é o símbolo da fé cristã, é o emblema de Jesus, morto e ressuscitado por nós. Façamos de maneira que a Cruz marque as etapas do nosso itinerário quaresmal para compreender cada vez mais a gravidade do pecado e o valor do sacrifício com o qual o Redentor salvou todos nós».

Na homilia proferida durante a missa celebrada na paróquia romana, o papa centrou-se no Evangelho proclamado nas celebrações eucarísticas deste domingo, em que Jesus se transfigura diante de três dos seus discípulos: «Pensemos também na beleza do rosto transfigurado de Jesus que encontraremos no Céu. E que esta contemplação dos dois rostos de Jesus - o transfigurado e aquele feito pecado, feito maldição - nos encoraje a andar em frente no caminho da vida, no caminho da vida cristã. Nos encoraje a pedir perdão pelos nossos pecados, a não pecar tanto. Que nos encoraje sobretudo a ter confiança, porque se Ele se fez pecado é porque tomou sobre si os nossos. E Ele está sempre disposto a perdoar-nos. Devemos apenas pedi-lo».

Ao despedir-se, já no exterior da igreja, Francisco insistiu no apelo que também é uma marca dos seus quatro anos de pontificado: «Peço-vos para rezardes por mim: preciso porque devo fazer bem o trabalho, não "assim-assim"; e para o fazer bem, é necessária a vossa oração».



 

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