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Papa Francisco evocou padroeira da América Latina com a “Misa criolla”

Imagem Papa Francisco | Basílica de S. Pedro, Vaticano, 12.12.2014 | AP Photo/Andrew Medichini | D.R.

Papa Francisco evocou padroeira da América Latina com a “Misa criolla”

O papa Francisco presidiu esta sexta-feira, no Vaticano, à Eucaristia por ocasião da festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina, celebração acompanhada por cantos da “Misa criolla”, do compositor argentino Ariel Ramírez.

A missa, celebrada na basílica de S. Pedro, teve direção musical pelo filho do autor da obra, Facundo Ramírez, que dirigiu o seu grupo musical, a cantora argentina Patrícia Sosa e o coro romano Musica Nuova, revela a Rádio Vaticano.

A “Misa criolla” interpretada diante do papa, de que apresentamos um excerto em vídeo que compreende o ato penitencial e o “Glória”, une a música sacra, popular e folclórica.

Em 1963, Ariel Ramírez, «fascinado pela música dos gaúchos e dos crioulos, tentou conciliar o sentimento religioso com o elemento folclórico e comunicar a alegria de rezar de uma cultura específica», explica a Rádio Vaticano.

Composta por solistas, coro e orquestra, a “Misa criolla” caracteriza-se pelo recurso a instrumentos da tradição popular latino-americana.

No ato penitencial (“Kyrie”) são utilizados ritmos crioulos da vidala e da baguala, o “Glória” utiliza a vivacidade do ritmo “carnavalito”, enquanto que o Credo, mais dramático, tem uma linha melódica apoiada no popular ritmo andino da “chacarera”.

O “Santo” inspira-se nos ritmos bolivianos do Carnaval de Cochabamba, antes do regresso à pampa argentina para o “Cordeiro de Deus” final.

Pela intercessão da Senhora de Guadalupe, «a fé cristã começou a tornar-se o mais rico tesouro da alma dos povos americanos», num «património que se transmite e manifesta até hoje», acentuou o papa na homilia.

«Arrasando os juízos mundanos, destruindo os ídolos do poder, da riqueza, do sucesso a todo o custo, denunciando a auto-suficiência, a soberba e os messianismos secularizados que afastam de Deus», o “Magnificat”, hino de louvor que Maria proclamou, «confessa que Deus se compraz ao subverter as ideologias e as hierarquias mundanas», frisou.

Para Francisco, o “Magnificat” introduz as bem-aventuranças, «síntese e lei primordial da mensagem evangélica»: «À sua luz, sentimo-nos hoje impelidos a pedir uma graça, a graça muito cristã de que o futuro da América Latina seja forjado pelos pobres e por aqueles que sofrem, pelos humildes, por aqueles que têm fome e sede de justiça, pelos misericordiosos, pelos puros de coração, por aqueles que trabalham pela paz, pelos perseguidos por causa do nome de Cristo».

«Façamos este pedido porque a América Latina é o continente da esperança; porque dela se esperam novos modelos de desenvolvimento que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e equidade com reconciliação, desenvolvimento científico e tecnológico com sabedoria humana, sofrimento fecundo com alegria esperançosa. É possível proteger esta esperança apenas com grandes doses de verdade e de amor, fundamentos de toda a realidade, motores revolucionários de uma autêntica vida nova», apontou o papa.

A terminar, Francisco ofereceu uma palavra de confiança: «Se este programa tão audaz nos assusta (…), que ela [Virgem de Guadalupe] nos torne a falar ao coração e nos faça ouvir a sua voz de Mãe, de «boa Mãe», de «grande Mãe»: «Porque tens medo? Eu não estou aqui, que sou tua Mãe?».







 

Rui Jorge Martins
Publicado em 13.12.2014

 

 
Imagem Papa Francisco | Basílica de S. Pedro, Vaticano, 12.12.2014 | AP Photo/Andrew Medichini | D.R.
A América Latina é o continente da esperança; porque dela se esperam novos modelos de desenvolvimento que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e equidade com reconciliação, desenvolvimento científico e tecnológico com sabedoria humana, sofrimento fecundo com alegria esperançosa
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