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Papa Francisco: África minha

Imagem Papa Francisco em campo de refugiados | Bangui, República Centro-Africana, 29.11.2015 | Foto: Andrew Medichini, Associated Press | D.R.

Papa Francisco: África minha

«É bela a África»: o papa recordou hoje, na audiência geral realizada no Vaticano, a viagem ao Quénia, Uganda e República Centro-Africana que começou a semana passada e terminou na segunda-feira.

Sobre o Quénia, Francisco falou do «escândalo» da miséria que convive com a riqueza, enquanto que do Uganda salientou o testemunho dos mártires católicos. Finalmente, a República Centro-Africana, a última no programa, a primeira nas intenções.

Depois de destacar o papel dos missionários, o papa dirigiu-se aos jovens, convidando-os a pensar na possibilidade de seguir essa vocação, sem esquecer que a fé é anunciada «primeiro com o testemunho e depois com a palavra. Lentamente».

Francisco também recordou o início do tempo do Advento, no passado domingo, pedindo aos fiéis para viverem a preparação para o nascimento de Jesus com «espírito de caridade, maior atenção a quem está em necessidade, e com momentos de oração pessoal e comunitária».

Excertos da intervenção:

«O Quénia é um país que representa bem o desfio global do nosso tempo: proteger a Criação reformando o modelo de desenvolvimento para que seja equitativo, inclusivo e sustentável. Tudo isto se confronta em Nairobi, a maior cidade da África Oriental, onde convivem riqueza e miséria: é um escândalo. Não só em África, mas também aqui. Em todo o lado. A convivência entre riqueza e miséria é um escândalo, é uma vergonha para a humanidade.»

«Em cada ocasião [de encontro com a população e responsáveis políticos e religiosos] encorajei a proteger cuidadosamente a grande riqueza do país: riqueza natural e espiritual, constituída pelos recursos da Terra, pelas novas gerações e pelos valores que formam a sabedoria do povo. Neste contexto tão dramaticamente atual tive a alegria de levar a palavra de esperança de Jesus: “Sede firmes na fé, não tenhais medo”. Este era o mote da visita. Uma palavra que é vivida a cada dia por muitas pessoas humildes e simples, com nobre dignidade; uma palavra testemunhada de modo trágico e heroico pelos jovens da Universidade de Garissa, mortos no passado dia 2 de abril por serem cristãos. O seu sangue é semente de paz e de fraternidade para o Quénia, para a África e para o mundo inteiro.»

«No Uganda a minha visita desenrolou-se no sinal dos mártires daquele país, 50 anos após a sua histórica canonização, por parte do Beato Paulo VI.»

«Toda a visita ao Uganda desenvolveu-se no fervor do testemunho animado pelo Espírito Santo. Testemunho em sentido explícito é o serviço dos catequistas, a quem agradeci e encorajei pelo seu compromisso, que muitas vezes envolve também as suas famílias. Testemunho é o da caridade, que toquei de perto na Casa de Nalokolongo, mas que vê comprometidas muitas comunidades e associações no serviço aos mais pobres, aos deficientes, aos doentes. Testemunho é o dos jovens que, malgrado as dificuldades, guardam o dom da esperança e procuram viver segundo o Evangelho e não segundo o mundo, andando contracorrente. Testemunhas são os sacerdotes, os consagrados e as consagradas que renovam, dia após dia, o seu “sim” total a Cristo e se dedicam com alegria ao serviço do povo santo de Deus.»

«Todo este testemunho multiforme, animado pelo mesmo Espírito Santo, é fermento para toda a sociedade, como demonstra a obra eficaz realizada no Uganda na luta contra a SIDA e no acolhimento dos refugiados.»

«Esta visita [à República Centro-Africana] era na realidade a primeira na minha intenção, porque o país está a procurar sair de um período muito difícil, de conflitos violentos e muito sofrimento na população. Por isso quis abrir precisamente lá, em Bangui, com uma semana de antecipação, a primeira Porta Santa do Jubileu da Misericórdia. É um país que sofre muito. E isto como sinal de fé e de esperança para aquele povo, e simbolicamente para todas as populações africanas mais necessitadas de redenção e de conforto.»

«O convite de Jesus aos discípulos, “passemos para a outra margem”, era o mote para o país. “Passar para a outra margem”, em sentido civil, significa deixar para trás a guerra, as divisões, a miséria, e escolher a paz, a reconciliação, o desenvolvimento. Mas isto pressupõe uma passagem que ocorre nas consciências, nas atitudes e nas intenções das pessoas. E a este nível é decisiva a contribuição das comunidades religiosas. Por isso encontrei-me com as comunidades evangélica e muçulmana, partilhando a oração e o compromisso pela paz.»

«A última missa [no estádio de Bangui] foi maravilhosa: estava cheia de jovens, um estádio de jovens! Mais de metade da população da República Centro-Africana é menor, têm menos de 18 anos. É uma promessa para seguir em frente.»

«Queria dizer uma palavra sobre os missionários. Homens e mulheres que deixaram tudo: a pátria, desde jovens, e partiram, para uma vida de muito, muito trabalho, às vezes dormindo no chão… toda a vida. A dado momento encontrei, em Bangui, uma irmã, italiana. Via-se que era idosa. “Quantos anos tem?”, perguntei. “81”. (…) Estava com uma criança. E a criança, em italiano, dizia-lhe: “Avó”… 81 anos. Estava lá desde os 23-24 anos. Toda a vida. E como ela, muitas. “Eu não sou daqui, vim do país vizinho, do Congo, de canoa, com esta menina”. Assim são os missionários: corajosos. “E o que faz, irmã?” “Sou enfermeira e depois estudei um pouco aqui e tornei-me obstetra, e fiz nascer 3 280 crianças”, disse-me ela. Toda uma vida para a vida, para a vida dos outros. E como esta irmã, há tantas, tantas: tantas irmãs, tantos padres, tantos religiosos que gastam a vida para anunciar Jesus Cristo. É belo ver isto. É belo.»

«Gostaria de dizer uma palavra aos jovens. Há poucos aqui, porque a natalidade, parece, é um luxo na Europa: natalidade zero, natalidade 1%... Mas dirijo-me aos jovens: pensai o que fazeis da vossa vida. Pensai nesta irmã e em tantas como ela, que deram a vida, e muitas morreram lá. Ser missionário não é fazer proselitismo, porque, dizia-me esta irmã, as mulheres muçulmanas vão até ela porque sabem que as irmãs são enfermeiras corajosas que curam bem e não fazem catequese para as converter. Testemunho. Depois, a quem querem, dão catequese. Testemunho: esta é a grande missionariedade heroica da Igreja. Anunciar Jesus Cristo com a própria vida. Eu dirijo-me aos jovens: pensa o que queres fazer da tua vida. É o momento de pensar e pedir ao Senhor que te faça sentir a sua vontade. Mas não excluir, por favor, esta possibilidade de se tornar missionário, para levar o amor, a humanidade, a fé a outros países. Não para fazer proselitismo, não. Isso fazem-no aqueles que procuram uma outra coisa. A fé prega-se primeiro com o testemunho e depois com a palavra. Lentamente.»

 

In "Rádio Vaticano"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 02.12.2015

 

 
Imagem Papa Francisco em campo de refugiados | Bangui, República Centro-Africana, 29.11.2015 | Foto: Andrew Medichini, Associated Press | D.R.
Testemunho é o da caridade, que toquei de perto na Casa de Nalokolongo, mas que vê comprometidas muitas comunidades e associações no serviço aos mais pobres, aos deficientes, aos doentes. Testemunho é o dos jovens que, malgrado as dificuldades, guardam o dom da esperança e procuram viver segundo o Evangelho e não segundo o mundo, andando contracorrente
Quis abrir precisamente lá, em Bangui, com uma semana de antecipação, a primeira Porta Santa do Jubileu da Misericórdia. É um país que sofre muito. E isto como sinal de fé e de esperança para aquele povo, e simbolicamente para todas as populações africanas mais necessitadas de redenção e de conforto
"O que faz, irmã?” “Sou enfermeira e depois estudei um pouco aqui e tornei-me obstetra, e fiz nascer 3 280 crianças”, disse-me ela. Toda uma vida para a vida, para a vida dos outros. E como esta irmã, há tantas, tantas: tantas irmãs, tantos padres, tantos religiosos que gastam a vida para anunciar Jesus Cristo. É belo ver isto
Gostaria de dizer uma palavra aos jovens. Há poucos aqui, porque a natalidade, parece, é um luxo na Europa: natalidade zero, natalidade 1%... Mas dirijo-me aos jovens: pensai o que fazeis da vossa vida
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