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Amor apaixonado dá a vida para sempre com corpo e alma: Papa fala de sexualidade, namoro e casamento

A sexualidade, o sexo, é um dom de Deus. Nada de tabu. É um dom de Deus, um dom que o Senhor nos dá. Tem dois propósitos: amar e gerar vida. É uma paixão, é o amor apaixonado. O verdadeiro amor é apaixonado. O amor entre um homem e uma mulher, quando é apaixonado, conduz-te a dar a vida para sempre. Sempre. E a dá-la com o corpo e a alma.

Quando Deus criou o homem e a mulher, a Bíblia diz que ambos são imagem e semelhança de Deus. Os dois, não só Adão ou só Eva, mas os dois. E Jesus vai além e diz: por isso o homem, e também a mulher, deixará o seu pai e a sua mãe, unir-se-ão e serão… uma só pessoa?... uma só identidade?... uma só fé de matrimónio?... Uma só carne: esta é a grandeza da sexualidade.

Deve falar-se da sexualidade assim. E deve viver-se a sexualidade assim, nesta dimensão: do amor entre homem e mulher para toda a vida.

É verdade que as nossas fragilidades, as nossas quedas espirituais, conduzem-nos a usar a sexualidade fora deste caminho tão belo, do amor entre o homem e a mulher. Mas são quedas, como todos os pecados. A mentira, a ira, a gula... São pecados: pecados capitais. Mas esta não é a sexualidade do amor: é a sexualidade “coisificada”, separada do amor e usada para o divertimento.



«Nós amamo-nos muito, muito, e por vezes abraçamo-nos. Não podemos fazer amor na nossa idade, mas abraçamo-nos, beijamo-nos»… Esta é a verdadeira sexualidade. Nunca a separar do lugar tão belo do amor



É interessante como a sexualidade é o ponto mais belo da criação, no sentido em que o homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus, e a sexualidade é a mais atacada pela mundanidade, pelo espírito do mal. Diz-me: já viste, por exemplo, uma indústria da mentira, por exemplo? Não. Mas uma indústria da sexualidade separada do amor, viste? Sim. Muito dinheiro se ganha com a indústria da pornografia, por exemplo. É uma degeneração em relação ao nível onde Deus a colocou. E com este comércio faz-se muito dinheiro.

Mas a sexualidade é grande: protegei a vossa dimensão sexual, a vossa identidade sexual. Protegei-a bem. E preparai-a para o amor, para a inserir nesse amor que vos acompanhará toda a vida.

Dir-vos-ei uma coisa e depois outra. Na Praça de S. Pedro, uma vez – eu saúdo as pessoas na Praça – havia dois idosos que celebravam os 60 anos de casamento. Eram luminosos! E eu perguntei: «Discutis muito?»; «às vezes…»; «e vale a pena isto, o casamento?». E esses dois, que me olhavam, olharam-se entre eles e depois voltaram a olhar-me; tinham os olhos em lágrimas, e disseram-me: «Estamos enamorados». Depois de 60 anos!

E a seguir quero dizer-vos: uma vez um idoso – muito idoso, com a mulher idosa – disse-me: «Nós amamo-nos muito, muito, e por vezes abraçamo-nos. Não podemos fazer amor na nossa idade, mas abraçamo-nos, beijamo-nos»… Esta é a verdadeira sexualidade. Nunca a separar do lugar tão belo do amor. É preciso falar assim da sexualidade.


 

Papa Francisco
Encontro com um grupo de jovens da diocese de Grenoble-Vienne, França | 17.9.2018 | Vaticano
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: nd3000/Bigstock.com
Publicado em 18.09.2018

 

 
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