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Papa fala de «pecado gravíssimo» ao despedir por «manobras económicas» e diz que só Deus purifica o amor

Papa fala de «pecado gravíssimo» ao despedir por «manobras económicas» e diz que só Deus purifica o amor

Imagem Papa Francisco | D.R.

«Quem por manobras económicas, para fazer negociações que não são de todo claras, fecha fábricas, fecha empresas e elimina trabalho aos homens, essa pessoa comete um pecado gravíssimo», vincou hoje o papa, no termo da audiência geral semanal, no Vaticano.

As palavras de Francisco foram proferidas depois de ter dirigido um «pensamento especial» aos trabalhadores da empresa de televisão "Sky Italia", desejando-lhes que a sua situação «possa encontrar uma rápida solução, no respeito dos direitos de todos, especialmente das famílias».

«O trabalho dá-nos dignidade e os responsáveis dos povos têm a obrigação de fazer tudo para que cada homem e cada mulher possa trabalhar e assim manter a cabeça erguida: olhar no rosto dos outros com dignidade», declarou o papa, citado pela agência Zenit, a propósito de uma reorganização da empresa que pode prever o despedimento ou a transferência de trabalhadores de Roma para outros locais.

Antes, na audiência, o papa sublinhou que o chamamento mais sublime dirigido a cada o ser humano é o amor, mas este é muitas vezes distorcido pela falsidade e dissimulação em proveito próprio, não procurando o bem dos outros mas a conveniência pessoal.

Francisco acentuou que eliminar a duplicidade e transformá-lo em dádiva às outras pessoas só é possível mediante o encontro com Cristo: «O Senhor ressuscitado que vive entre nós, que vive connosco, é capaz de curar o nosso coração se nós lhe pedirmos e quisermos».



A caridade é antes de tudo uma graça; é um presente, poder amar é um dom de Deus, e nós devemos pedi-lo, não consiste em fazer transparecer o que somos, mas o que o Senhor nos dá e que nós livremente acolhemos; e não se pode exprimir no encontro com os outros se antes não é gerada pelo encontro com o rosto suave e misericordioso de Jesus



«Precisamos que o Senhor renove continuamente esse dom no nosso coração, através da experiência da sua infinita misericórdia. E então voltaremos a apreciar as coisas pequenas, simples, normais; todos as pequenas e simples coisas de cada dia, e seremos capazes de amar os outros como os ama Deus, querendo o seu bem», afirmou.

A disposição para querer bem a quem mais precisa, e a sua concretização em gestos concretos, por pequenos que sejam, é a resposta, à limitada escala humana, da proximidade amorosa de Deus por cada ser humano, constituindo também fonte de alegria e de esperança. A intervenção completa do papa Francisco:

«Sabemos bem que o grande mandamento que nos deixou o Senhor Jesus é o de amar: amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente, e amar o próximo como a nós mesmos. Somos chamados ao amor, à caridade: esta é a nossa vocação mais alta, a nossa vocação por excelência; e a ela está também ligada a alegria da esperança cristã, quem ama tem a alegria da esperança de chegar a encontrar o grande Amor que é o Senhor.

O apóstolo Paulo, na Carta aos Romanos, avisa-nos: há o risco de que a nossa caridade seja hipócrita, que o nosso amor seja hipócrita. Devemos então perguntar-nos: quando é que acontece isto, esta hipocrisia? E como podemos estar seguros de que o nosso amor é sincero, que a nossa caridade é autêntica? De não fingir que se faz caridade ou que o nosso amor não seja uma telenovela, e em vez disso seja amor sincero, forte.



É Ele que nos permite, apesar da nossa pequenez e pobreza, experimentar a compaixão do Pai e celebrar as maravilhas do seu amor. E percebe-se então que tudo aquilo que possamos viver e fazer pelos irmãos não é outra coisa a não ser a resposta àquilo que Deus fez e continua a fazer por nós



A hipocrisia pode insinuar-se em todo o lado, inclusive no nosso modo de amar. Verifica-se isso quando o nosso amor é interesseiro, movido por interesses pessoais; e quantos amores interesseiros existem, quando os serviços caritativos em que parece que nos esforçamos são realizados para nos mostrarmos a nós próprios ou por nos sentirmos apagados; «como sou bom», esta é a hipocrisia, ou então quando visamos coisas que têm "visibilidade" para ostentar a nossa inteligência ou a nossa capacidade.

Por trás de tudo isto há uma ideia falsa, enganadora, ou seja, se amamos é porque somos bons; como se a caridade fosse uma criação do homem, um produto do nosso coração. A caridade, em vez disso, é antes de tudo uma graça; é um presente, poder amar é um dom de Deus, e nós devemos pedi-lo, não consiste em fazer transparecer o que somos, mas o que o Senhor nos dá e que nós livremente acolhemos; e não se pode exprimir no encontro com os outros se antes não é gerada pelo encontro com o rosto suave e misericordioso de Jesus.

Paulo convida-nos a reconhecer que somos pecadores, e que também a nossa maneira de amar é marcada pelo pecado. Ao mesmo tempo, porém, faz-se portador de um anúncio novo, um anúncio de esperança: o Senhor abre diante de nós uma vida de libertação, de salvação. É a possibilidade de vivermos, também nós, o grande mandamento do amor, de nos tornarmos instrumentos da caridade de Cristo. E isto acontece quando deixamos curar e renovar o coração por Cristo ressuscitado. O Senhor ressuscitado que vive entre nós, que vive connosco, é capaz de curar o nosso coração se nós lhe pedirmos e quisermos. É Ele que nos permite, apesar da nossa pequenez e pobreza, experimentar a compaixão do Pai e celebrar as maravilhas do seu amor. E percebe-se então que tudo aquilo que possamos viver e fazer pelos irmãos não é outra coisa a não ser a resposta àquilo que Deus fez e continua a fazer por nós. De facto, é o próprio Deus que, fazendo morada no nosso coração e na nossa vida, continua a fazer-se próximo e a servir todos aqueles que encontramos a cada dia no nosso caminho, a começar dos últimos e dos mais necessitados, nos quais Ele se reconhece primeiramente.



O que o apóstolo Paulo nos recorda é o segredo para sermos «alegres na esperança», a alegria da esperança, porque sabemos que em cada circunstância, mesmo a mais adversa, e mesmo através das nossas próprias falhas, o amor de Deus persiste



O apóstolo Paulo não quer tanto reprovar-nos, mas sobretudo encorajar-nos e reavivar em nós a esperança. Todos, efetivamente, fazemos a experiência de não viver plenamente ou como deveríamos o mandamento do amor. Mas esta é também uma graça, porque nos faz compreender que por nós próprios não somos capazes de amar verdadeiramente: precisamos que o Senhor renove continuamente esse dom no nosso coração, através da experiência da sua infinita misericórdia. E então voltaremos a apreciar as coisas pequenas, simples, normais; todos as pequenas e simples coisas de cada dia, e seremos capazes de amar os outros como os ama Deus, querendo o seu bem, isto é, que sejam santos, amigos de Deus; e ficaremos contentes pela possibilidade de nos fazermos próximos de quem é pobre e humilde, como Jesus faz com cada um de nós quando estamos afastados dele, de nos dobrarmos aos pés dos irmãos, como Ele, Bom Samaritano, faz com cada um de nós, com a sua compaixão e o seu perdão.

O que o apóstolo Paulo nos recorda é o segredo para sermos «alegres na esperança», a alegria da esperança, porque sabemos que em cada circunstância, mesmo a mais adversa, e mesmo através das nossas próprias falhas, o amor de Deus persiste. E então, com o coração visitado e habitado pela sua graça e pela sua fidelidade, vivamos na alegre esperança de retribuir nos irmãos, por pouco que possamos, o muito que recebemos dele a cada dia.»

Na felicitação aos peregrinos lusófonos, após a catequese, Francisco saudou «cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, em particular o grupo da Amadora e os cidadãos lisboetas de Santo António guiados pelo presidente da Junta de Freguesia» e dirigiu-lhes palavras de encorajamento: « O Senhor vos abençoe e encha de alegria, e o Espírito Santo ilumine as decisões da vossa vida, para realizardes fielmente a vontade do Pai celeste. Sobre todos vós e sobre as vossas famílias e comunidades, vele a Virgem Mãe de Deus e da Igreja».












 

Trad. / edição: SNPC
Fontes: Sala de Imprensa da Santa Sé, Agência Zenit
Publicado em 15.03.2017

 

 
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