Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Papa em Assis sublinha que «mundo precisa de perdão», confessa fiéis e encontra-se com imã

Imagem Papa Francisco | Basílica de Santa Maria dos Anjos, Assis, Itália | 4.8.2016 | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Papa em Assis sublinha que «mundo precisa de perdão», confessa fiéis e encontra-se com imã

O papa peregrinou hoje à cidade italiana de Assis, terra de S. Francisco, onde, à margem do programa da visita, se encontrou com o imã de Perúgia, Abdel Quader Mohammed, depois de ter confessado 19 pessoas, durante 45 minutos.

«Oferecer o testemunho da misericórdia no mundo de hoje é uma tarefa a que nenhum de nós pode subtrair-se. O mundo precisa de perdão; demasiadas pessoas vivem encerradas no rancor e alimentam o ódio porque são incapazes de perdão, arruinando a sua vida e de outros, em vez de encontrar a alegria da serenidade e da paz», vincou Francisco.

Antes, o papa comentou o trecho bíblico do Evangelho segundo S. Mateus (18, 21-35), na basílica de Santa Maria dos Anjos, no interior da qual se encontra a capela da Porciúncula, coração do franciscanismo, onde o papa tinha anteriormente rezado em silêncio.

A intervenção começou por recordar que, «segundo uma antiga tradição», S. Francisco, «diante de todo o povo e bispos», pronunciou «precisamente» no local visitado pelo papa estes votos: «"Desejo enviar-vos todos para o Paraíso!"».

«O que poderia pedir de mais belo o Pobrezinho de Assis se não o dom da salvação, da vida eterna com Deus e da alegria sem fim, que Jesus nos conquistou com a sua morte e ressurreição? O Paraíso, de resto, o que é se não aquele mistério de amor que nos liga para sempre a Deus para o contemplar sem fim?», questionou.

A do perdão, sublinhou o papa, «é certamente a estrada mestra a seguir para alcançar aquele lugar no Paraíso. É difícil perdoar, quanto nos custa perdoar os outros. E aqui, na Porciúncula, tudo fala de perdão! Que grande presente nos fez o Senhor, ensinando-nos a perdoar, ou pelo menos a ter vontade de perdoar, para nos fazer tocar com a mão a misericórdia do Pai».

O trecho meditado por Francisco conta a história de um homem que, não tendo como pagar o seu débito, implora ao credor o perdão da dívida, que lhe é concedido; esse mesmo antigo devedor encontra mais tarde um homem de quem era credor e, não tendo em consideração a quantia que lhe tinha acabado de ser perdoada, exige-lhe o pagamento imediato e, como o devedor não tinha como pagar, foi para a prisão até a dívida ter ficado saldada.

A raiz do perdão entre os seres humanos está em Deus: «Nós fomos perdoados primeiro, e infinitamente mais. Não há ninguém entre nós que não tenha sido perdoado: pensemo-nos em silêncio, as coisas más que fizemos e como o Senhor nos perdoou. A carícia do perdão, tão distante, do gesto "hás de pagar-me"».

«Como Deus nos perdoa, assim também nós devemos perdoar a quem nos faz mal», apontou o papa, acrescentando: «Cada um de nós poderia ser aquele servo da parábola que tem uma grande dívida a saldar, de tal modo grande que nunca a poderia liquidar. Também nós, quando no confessionário nos colocamos de joelhos diante do sacerdote, não fazemos outra coisa senão repetir o mesmo gesto do servo. Dizemos: "Senhor, tem paciência comigo". Tem muita paciência, Deus. Sabemos bem, com efeito, que estamos cheios de defeitos e voltamos a cair muitas vezes nos mesmos pecados. E todavia Deus não cessa de oferecer sempre o seu perdão de cada vez que lho pedimos».

O perdão de Deus «não conhece limites: vai para além da imaginação e chega a quem, no íntimo do coração, reconhece ter errado e quer regressar a Ele. Deus olha o coração que pede para ser perdoado», afirmou.

«O problema, infelizmente, nasce quando nós nos confrontamos com um nosso irmão que cometeu um pequeno erro»: «Quando estamos nós em dívida com os outros, pretendemos a misericórdia; quando, ao contrário, estamos em crédito, invocamos a justiça. Não é esta a reação do discípulo de Jesus e não pode ser este o estilo de vida dos cristãos», frisou Francisco.

O perdão de que S. Francisco «se fez "canal"» na capela da Porciúncula «continua a "gerar Paraíso" mesmo depois de oito séculos», declarou o papa, para quem o Ano Santo da Misericórdia, que a Igreja está a assinalar até novembro, «torna ainda mais evidente como a estrada do perdão pode realmente renovar a Igreja e o mundo».

A terminar, o papa lançou um convite à celebração do sacramento da Reconciliação: «Peçamos a S. Francisco que interceda por nós, para que nunca renunciemos a sermos humildes sinais de perdão e instrumentos de misericórdia. Podemos rezar por isto, cada qual como o sente. Convido os frades, os bispos, a irem para os confessionários, também eu irei, para estar à disposição do perdão. Far-nos-á bem recebê-lo hoje, aqui, juntos».

«Que o Senhor nos dê a graça de dizer aquela palavra que o Pai não nos deixa acabar, aquele que disse o filho pródigo: Pai, pequei. Ele tapou-lhe a boca e abraçou-o. Começando nós a dizê-la, ele nos tapará a boca e nos revestirá. "Mas padre, amanhã tenho medo de fazer o mesmo." Tu voltas. O Pai está à espera que volta o filho pródigo, e todos nós o somos», concluiu.

O papa, que já regressou ao Vaticano, esteve na cidade de S. Francisco durante quatro horas, por ocasião dos 800 anos do "Perdão de Assis", quando o papa Honório III concedeu, em 1216, a indulgência aos fiéis que visitassem a Porciúncula, na sequência do pedido do santo, a quem tinha aparecido Jesus e a Virgem rodeados de uma multidão de anjos. Ainda hoje, do meio dia do primeiro dia de agosto à meia-noite do dia 2 os fiéis podem obter a indulgência plenária.

 




 

Rui Jorge Martins
Fontes: "Vatican Insider", "Avvenire"
Publicado em 04.08.2016

 

 
Imagem Papa Francisco | Basílica de Santa Maria dos Anjos, Assis, Itália | 4.8.2016 | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
«Cada um de nós poderia ser aquele servo da parábola que tem uma grande dívida a saldar, de tal modo grande que nunca a poderia liquidar. Também nós, quando no confessionário nos colocamos de joelhos diante do sacerdote, não fazemos outra coisa senão repetir o mesmo gesto do servo. Dizemos: "Senhor, tem paciência comigo". Tem muita paciência, Deus»
«O problema, infelizmente, nasce quando nós nos confrontamos com um nosso irmão que cometeu um pequeno erro»: «Quando estamos nós em dívida com os outros, pretendemos a misericórdia; quando, ao contrário, estamos em crédito, invocamos a justiça. Não é esta a reação do discípulo de Jesus e não pode ser este o estilo de vida dos cristãos»
«Que o Senhor nos dê a graça de dizer aquela palavra que o Pai não nos deixa acabar, aquele que disse o filho pródigo: Pai, pequei. Ele tapou-lhe a boca e abraçou-o. Começando nós a dizê-la, ele nos tapará a boca e nos revestirá. "Mas padre, amanhã tenho medo de fazer o mesmo." Tu voltas. O Pai está à espera que volta o filho pródigo, e todos nós o somos»
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Evangelho
Vídeos