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Papa diz que nas Filipinas «a mensagem serão os pobres», critica insultos à fé e anuncia encíclica para o verão

Papa diz que nas Filipinas «a mensagem serão os pobres», critica insultos à fé e anuncia encíclica para o verão

Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Aaron Favila | D.R.

O papa Francisco revelou que nas Filipinas, país onde foi recebido hoje por dois milhões de pessoas, «a mensagem serão os pobres», tendo em conta o apoio às vítimas do tufão Yolanda, que em novembro de 2013 causou pelo menos oito mil mortos.

No encontro de 45 minutos que teve com os jornalistas a bordo do avião que o levou de Colombo, capital do Sri Lanka, até Manila, capital das Filipinas – que a par de Timor Leste é o único país de maioria cristã na Ásia –, Francisco falou dos atentados de Paris, da liberdade e dos limites ao direito de expressão, e da próxima encíclica, sobre questões ambientais, que deverá ser publicada no verão.



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Bullit Marquez | D.R.

Referindo-se à morte de 12 pessoas dentro e fora da redação do semanário satírico “Charlie Hebdo”, na capital francesa, Francisco vincou que é uma «aberração» que se pretenda «matar em nome de Deus».

Ao mesmo tempo, é imperioso exprimir o que se pensa que contribui para construir o «bem comum», pelo que não se pode reagir com violência a uma opinião adversa, mas também não se pode «provocar» nem «insultar a fé dos outros», declarou o papa, para quem «há um limite», que é o da «dignidade», que cada religião possui.



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Aaron Favila | D.R.

A próxima encíclica, a primeira de total responsabilidade de Francisco – aquela que se seguiu ao início do pontificado, “A luz da fé” (“Lumen fidei”), foi substancialmente preparada e redigida pelo antecessor, o papa emérito Bento XVI –, deverá estar pronta entre junho e julho.

No fim de março, anunciou, reservará uma semana para concluir um texto que vai no terceiro esboço, após o primeiro preparado pelo cardeal Tuckson, um segundo que se seguiu à revisão feita por Francisco com o apoio de peritos, e um terceiro redigido com o contributo de teólogos.



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Wally Santana | D.R.

A vontade do papa é que o documento constitua um «contributo» para a próxima cimeira de Paris sobre a proteção do ambiente, até porque o encontro sobre o mesmo tema que se realizou no Peru deixou Francisco «desiludido» por causa da sua «falta de coragem».

Sobre a primeira etapa da sua visita, no Sri Lanka, em particular no que diz respeito à canonização do missionário goês José Vaz, o papa explicou que prefere canonizar «grandes evangelizadores e evangelizadoras», como aconteceu com Angela da Foligno, Pietro Favre e o padre José de Anchieta, que participou na fundação da cidade brasileira de S. Paulo.



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Wally Santana | D.R.

Esta tendência manter-se-á em setembro, durante a sua viagem aos EUA, quando declarará santo Junipero Serra, que levou o Evangelho para o oeste americano.

A utilização de crianças nos atentados suicidas, que também ocorreu no Sri Lanka, mereceu um comentário muito crítico de Francisco, que vê nesses atos, para além de problemas psíquicos, um «desequilíbrio humano» em quem escolhe matar por matar.

Um suicida, observou, é alguém que «dá a vida, mas não a dá bem», ao contrário, por exemplo, que também dão a vida «mas para construir».



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Wally Santana | D.R.

Questionado sobre como reage a eventuais atentados contra a sua pessoa e contra o Vaticano, o papa afirmou que temia sobretudo pelas pessoas que vão ao seu encontro, dizendo que convive com esse perigo com «uma boa dose de inconsciência», acrescentando que «a melhor maneira» de responder à violência é com a «mansidão».

A visita inesperada a um templo budista, no fim do segundo dia de permanência no Sri Lanka, mereceu também uma explicação: tratou-se de uma troca de cortesia com o chefe do templo, que foi saudá-lo ao aeroporto, mas também um reconhecimento do valor da inter-religiosidade, que se manifesta, por exemplo, no santuário mariano de Madhu, espaço de encontro e de oração não só de católicos.



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Wally Santana | D.R.

Respondendo à pergunta sobre a possibilidade de envolver outras religiões contra o terrorismo, em termos semelhantes ao que aconteceu em Assis, Francisco disse que tem conhecimento de que há pessoas a trabalhar para esse propósito noutras fés, onde se sente alguma «inquietação» sobre o recrudescimento de ações terroristas.

Durante a conversa o papa manifestou o apoio à constituição de comissões de verdade e reconciliação no mundo, à imagem daquela que apoiou na Argentina, com o objetivo de alcançar a concórdia e recusar a vingança.



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Wally Santana | D.R.

O programa de Francisco nas Filipinas prevê, para sexta-feira, às 10h15 (2h15 de Portugal continental) uma cerimónia de boas-vindas no palácio presidencial, em Manila, e, uma hora depois, preside à missa na catedral da Imaculada Conceição, com bispos, padres, religiosos e religiosas. À tarde, pelas 17h30, encontra-se com milhares de famílias.

No sábado, Francisco parte de avião para Tacloban, numa viagem de 1h15, e às 10h00 preside à missa junto ao aeroporto, antes de almoçar com sobreviventes do tufão Yolanda, abençoar um centro para pessoas pobres que tem o seu nome pontifício e reunir-se com padres, religiosos, religiosas e sobreviventes. O regresso para Manila está marcado para as 18h15.



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Wally Santana | D.R.

Na manhã de domingo o papa encontra-se com líderes religiosos das Filipinas, e depois com jovens. À tarde, preside à missa.

O regresso a Roma está marcado para segunda-feira, às 10h00 locais, com chegada prevista À capital italiana às 17h40 (16h40 em Portugal).



Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | REUTERS/Cheryl Ravelo | D.R.

Imagem Manila, Filipinas | 15.1.2015 | AP Photo/Wally Santana | D.R.

 

 

Rádio Vaticano
Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 15.01.2015

 

 
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