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Há três condições para encontrar Deus, diz papa, que critica «compaixão» complacente com a morte

Imagem Papa Francisco | Arquivo | D.R.

Há três condições para encontrar Deus, diz papa, que critica «compaixão» complacente com a morte

O papa afirmou hoje, no Vaticano, que a vida do cristão pode sintetizar-se nas atitudes de «estar de pé» para acolher Deus, guardar um «silêncio» paciente para escutar a sua voz, e mostrar-se pronto para «sair» a anunciá-lo.

«Para encontrar Deus é necessário voltar à situação em que o homem estava no momento da sua criação: de pé e a caminho», sublinhou Francisco na missa a que presidiu, refere a Rádio Vaticano.

«Para encontrar o Senhor é preciso entrar em nós mesmos e sentir aquele "fio de um silêncio sonoro", e Ele fala-nos aí», prosseguiu o papa, depois de recordar o trecho bíblico em que Deus não se revela nos fenómenos meteorológicos extremos, mas na «brisa leve».

Por fim, «sair»: «Estar a caminho, não fechado, não dentro do nosso egoísmo da nossa comodidade», mas «corajosos» no «levar aos outros a mensagem» de Deus, ou seja, partir «em missão».

«Devemos sempre procurar o Senhor, Todos nós sabemos como são os momentos maus: momentos que nos deitam abaixo, momentos sem fé, obscuros, momentos em que não vemos o horizonte, em que não somos capazes de nos erguer», apontou.

«Para encontrar o Senhor devemos ser estar assim: de pé e a caminho. Depois, esperar que Ele nos fale: coração aberto. E Ele nos dirá: "Sou Eu", e aí a fé torna-se forte. A fé é para mim, para a guardar? Não. É para ir dá-la aos outros, para ungir os outros, para a missão», concluiu Francisco.

Na quinta-feira, o papa recebeu, também no Vaticano uma representação de médicos espanhóis e latino-americanos, tendo sublinhado que na atual «cultura tecnológica e individualista, a compaixão nem sempre é bem vista».

«Por vezes até é depreciada porque significa submeter a pessoa que a recebe a uma humilhação. E, inclusivamente, não falta quem se escuda numa suposta compaixão para justificar e aprovar a morte de um doente. E não é assim. A verdadeira compaixão não marginaliza ninguém, não humilha, não exclui, nem muito menos considera como algo bom o seu desaparecimento», frisou.

«Sabeis bem que isso significaria o triunfo do egoísmo, dessa "cultura do descarte" que rechaça e desvaloriza as pessoas que não cumprem com determinados cânones de saúde, de beleza ou de utilidade. Eu gosto de abençoar as mãos dos médicos como sinal de reconhecimento dessa compaixão que se faz carícia de saúde», assinalou.

Para Francisco, a compaixão, cujo modelo bíblico se encontra na parábola do Bom Samaritano, «é a resposta adequada ao valor imenso da pessoa doente, uma resposta feita de respeito, compreensão e ternura, porque o valor sagrado da vida do doente não desaparece nem nunca se obscurece, antes pelo contrário, resplandece com mais intensidade precisamente no seu sofrimento e na sua vulnerabilidade».

«A fragilidade, a dor e a doença são uma dura provação para todos, inclusive para o pessoal médico, são um apelo à paciência, ao "sofrer-com"; por isso não se pode ceder à tentação funcionalista de aplicar soluções rápidas e drásticas, movidos por uma falsa compaixão ou por critérios de eficiência e de poupança económica. Em jogo está a dignidade da vida humana; em jogo está a dignidade da vocação médica», frisou.

Durante a intervenção, o papa citou a recomendação de S. Camilo de Lellis em relação à assistência aos doentes: "Coloca mais coração nestas mãos".

«Caros amigos, asseguro-vos a minha estima pelo esforço que realizais para enobrecer cada dia a vossa profissão e para acompanhar, proteger e valorizar o imenso dom representado pelas pessoas que sofrem por causa da doença. Asseguro-vos a minha oração por vós: podeis fazer tanto bem, tanto bem; por vós e pelas vossas famílias, porque quantas vezes as vossas famílias devem acompanhar, apoiando, a vocação do médico, homem ou mulher, que é como um sacerdócio. E peço-vos também que não pararem de rezar por mim, que tenho alguma coisa de médico», concluiu Francisco.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 10.06.2016

 

 
Imagem Papa Francisco | Arquivo | D.R.
Não falta quem se escuda numa suposta compaixão para justificar e aprovar a morte de um doente. E não é assim. A verdadeira compaixão não marginaliza ninguém, não humilha, não exclui, nem muito menos considera como algo bom o seu desaparecimento»
A fragilidade, a dor e a doença são uma dura provação para todos, inclusive para o pessoal médico, são um apelo à paciência, ao "sofrer-com"; por isso não se pode ceder à tentação funcionalista de aplicar soluções rápidas e drásticas, movidos por uma falsa compaixão ou por critérios de eficiência e de poupança económica
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